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'Fomos perdoados por crime que não cometemos', diz ativista brasileira

26 dez 2013 15h38
| atualizado às 22h14
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Bióloga brasieira agradece esforços feitos pela libertação de detidos na Rússia
Bióloga brasieira agradece esforços feitos pela libertação de detidos na Rússia
Foto: Greenpeace / Divulgação

A bióloga brasileira Ana Paula Maciel, ativista do Greenpeace que foi presa na Rússia com outros integrantes da organização ambiental, disse nesta quinta-feira que sente alívio por poder voltar para casa, mas que o momento não é de comemoração. Ela explicou que a anistia concedida pelo governo local não significa o encerramento definitivo das acusações contra ela e o restante do grupo.

"Ao contrário do que está sendo divulgado, a Rússia simplesmente parou de investigar o caso, mas agora em nossa ficha criminal vai constar 'hooliganismo' (vandalismo)", explicou Ana Paula. "Fomos perdoados por um crime que não cometemos", disse a ambientalista, que teme principalmente pelo futuro dos quatro ativistas russos detidos após o protesto do Greenpeace no mar Ártico. "Eles ficarão com a ficha suja em seu país", alertou.

Ana Paula explicou que nesta sexta-feira assinará um documento afirmando que entrou ilegalmente na Rússia contra sua vontade e que, desta forma, poderá deixar o país. A Rússia não exige visto para brasileiros, apenas um carimbo de entrada, algo que a bióloga não possui pois ingressou no país sob força policial.

A ativista retornará amanhã mesmo para o Brasil e deverá chegar a Porto Alegre, onde sua família mora, no sábado. "Não sei o que vou fazer quando chegar. Não tenho muitos planos, quero descansar, voltar à vida normal, falar com todas as pessoas que acompanharam minha situação de perto. E depois procurar um lugar para ficar perto da natureza", contou.

Anistia para vandalismo pode ajudar brasileira na Rússia:

Ana Paula afirmou que se sente aliviada por poder voltar a seu país, mas também que o sentimento dos ativistas do Greenpeace não é de comemoração. "É o fim de uma saga de três meses, mas fomos perdoados por um crime que não cometemos e pelo qual não deveríamos ter sido acusados", criticou a bióloga, para quem a prisão do grupo representou um golpe à liberdade de expressão.

Além disso, Ana Paula lamentou que a companhia estatal russa Gazprom tenha começado a perfurar petróleo no Ártico justo na época em que a anistia foi concedida. "Não há motivos para comemorar", afirmou.

Os 30 tripulantes da embarcação Artic Sunrise foram detidos em águas do Ártico em 19 de setembro pela guarda fronteiriça, quando tentavam subir na plataforma Prirazlomnaya, da Gazprom, que segundo o Greenpeace descumpre medidas de segurança e ameaça o ecossistema da região. "A Gazprom é uma empresa estatal com poder político muito grande", contextualizou a bióloga. Ana Paula acredita que a perseguição e o tratamento duro recebido pelos ativistas na Rússia se devem em grande parte à pressão da companhia.

Sobre o período que passou na prisão, Ana Paula disse que foram os dias mais difíceis de sua vida: "Foi horrível, é um terror psicológico muito grande, só quem viveu uma experiência dessa pode ter ideia".

O Greenpeace sinalizou que tentará agora recuperar o Artic Sunrise, que ficou retido no porto de Murmansk. A bióloga contou que trabalha há cerca de sete anos em navios da organização ambiental e que boa parte das viagens foi feita no Artic Sunrise. "É minha segunda casa", afirmou.

E apesar do sofrimento dos últimos meses, Ana Paula garantiu que não irá abandonar sua militância ambiental e as atividades do Greenpeace, inclusive no Ártico. "Quando todos estivermos em casa, vamos nos reunir para avaliar que medidas iremos tomar. Não vou parar minhas atividades, estarei onde for necessário, no Ártico, na Amazônia, no Pantanal", afirmou. 

Ativista deixa Rússia
O americano de origem russa Dmitri Litvínov foi nesta quinta-feira o primeiro tripulante do navio quebra-gelo Arctic Sunrise do Greenpeace a deixar o território russo após o fechamento do processo por vandalismo. "Litvínov passará o Ano Novo em sua casa", informou a organização ambientalista em comunicado postado em sua conta no Twitter.

O ativista, que recebeu hoje das autoridades migratórias de São Petersburgo o visto de saída, abandonou o território russo a bordo de um trem rápido com destino a Helsinque, capital da vizinha Finlândia. Litvínov, que tem a cidadania americana e sueca, é filho do dissidente soviético Pável Litvínov, que abandonou a URSS em 1974 com destino aos Estados Unidos.

Também receberam já o visto de saída outros 13 tripulantes da embarcação, cuja captura em meados de setembro no mar de Bárents provocou um incidente internacional. O resto dos tripulantes do Arctic Sunrise receberão o correspondente visto na sexta-feira e retornarão a seus países até o final desta semana.

Os ativistas do Greenpeace, entre os quais, está a brasileira Ana Paula Maciel e os argentinos Camila Speziale e Hernán Pérez Orsi, foram beneficiados pela anistia geral declarada pelo Parlamento russo por ocasião do 20º aniversário da Constituição. O italiano Cristian D'Alessandro foi o último tripulante contra o qual a Justiça russa retirou hoje todas as acusações penais por vandalismo.

A Justiça russa arquiva, assim, processo por vandalismo aberto contra os ativistas, que tinham recebido no final de novembro a liberdade sob fiança, mas estavam à espera do fechamento da investigação. O Greenpeace não descarta insistir que a Justiça russa declare ilegal a detenção e a perseguição judicial de seus ativistas, assim como não descarta recuperar seu navio quebra-gelo Arctic Sunrise detido no porto de Murmansk.

EFE   
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