ABI faz manifestação em apoio ao jornalista Glenn Greenwald
Americano,do The Intercept Brasil, publicou diálogos de Moro
A Associação Brasileira de Imprensa realizou na noite desta terça-feira (31) um ato em solidariedade ao jornalista do The Intercept Brasil, Glenn Greenwald, responsável por publicar supostas conversas entre o ministro da Justiça, Sergio Moro, e procuradores da Operação Lava Jato. A manifestação ocorreu na região central do Rio de Janeiro e contou com a presença de centenas de pessoas, incluindo artistas, como o cantor Chico Buarque e o ator Wagner Moura.
O evento foi convocado pela ABI para defender o direito ao sigilo da fonte, além da integridade do americano e da prática livre do jornalismo. Um ato semelhante foi registrado em São Paulo, no vão do Museu de Arte Moderna (Masp), na Avenida Paulista. Glenn virou alvo da extrema direita brasileira após o Intercept divulgar mensagens de Telegram entre o então juiz Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF). As conversas evidenciam uma estreita colaboração entre Moro e a acusação, com o juiz chegando até a sugerir testemunha contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a criticar um inquérito de MPF contra Fernando Henrique Cardoso. O site, porém, não revelou a fonte e nem como conseguiu uma cópia das conversas. Na última semana, a Polícia Federal (PF) chegou a prender quatro suspeitos, incluindo Walter Delgatti, de invadir os celulares de Moro e de outras autoridades. Em depoimento, Delgatti afirmou ser a fonte de Glenn, o que provocou a ira do presidente Jair Bolsonaro.
N ocasião, o mandatário afirmou que Glenn cometeu crime e suspeitos de crime têm de ser "mandados para fora do Brasil".
Em um vídeo, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, por sua vez, também se pronunciou dizendo que o país vive grande polêmica depois da prisão dos hackers.
Sem citar nomes, o parlamentar criticou o "agente público" que permite a divulgação de informações sigilosas, o comparando a ações ilegais de hackers. Além disso, Maia defendeu o trabalho dos jornalistas e ressaltou que "o sigilo da fonte é um direito democrático. Não é a favor do Glenn, mas é a favor da liberdade de expressão".
"Tem uma questão que é primordial, que é base desse debate, que é o sigilo da fonte. No Brasil, o sigilo da fonte é um direito constitucional", afirmou.