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Bolsonaro usa confronto de manifestantes e PMs para atacar protestos que pediam seu impeachment

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), repudiou os atos violentos e disse que a Polícia Militar "está investigando e punirá os delinquentes fantasiados de manifestantes"

4 jul 2021 17h36
| atualizado em 5/7/2021 às 11h32
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, neste domingo, 4, os protestos realizados ontem, quando milhares de manifestantes foram às ruas em mais de 300 cidades do País para pedir seu impeachment. Pelas redes sociais, Bolsonaro associou os atos — que foram pacíficos ao longo do dia — a um confronto ocorrido durante a dispersão em São Paulo. Por volta das 19h, manifestantes que estavam encapuzados entraram em confronto e acuaram policiais militares na Rua da Consolação, região central da capital paulista.

O presidente aproveitou a publicação para também atacar a urna eletrônica e, mais uma vez, sugerir a possibilidade de fraude nas eleições do ano que vem. "Aos 36 segundos um policial militar é atingido quase mortalmente por uma pedra. Esse tipo de gente quer voltar ao Poder por um sistema eleitoral não auditável, ou seja, na fraude. Para a grande mídia, tudo normal", escreveu Bolsonaro no Twitter.

A mensagem foi postada acompanhada de um vídeo que mostra um pequeno grupo que, segundo a Polícia Militar, vandalizou uma agência bancária e pontos de ônibus durante a dispersão da manifestação. A PM nega que os homens que aparecem nas imagebns sejam policiais, como afirmou o presidente. No vídeo, o grupo encapuzado atira pedras contra seguranças do metrô da estação Higienópolis-Mackenzie.

De acordo com a ViaQuatro, concessionária responsável pela operação e manutenção da Linha 4-Amarela do metrô, os manifestantes depredaram o acesso Ouro Preto da estação. Oito colaboradores sofreram escoriações e cinco deles foram encaminhados à Santa Casa após, segundo a empresa, tentarem conter o grupo.

A fachada da Universidade Presbiteriana Mackenzie também foi danificada. A instituição afirma que a sede foi "alvo de atos de vandalismo e saques" em meio às manifestações. "Por princípio, o IPM (Instituto Presbiteriano Mackenzie) não compactua com atos dessa natureza. Nada justifica a violência", diz a instituição em nota à imprensa. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), dois homens, de 26 e 29 anos, foram levados à delegacia e são investigados por danificar o prédio da universidade.

Para as manifestações de ontem na capital paulista, a SSP montou um esquema especial para garantir a segurança na manifestação, com o reforço de 600 policiais, 80 viaturas, duas aeronaves e cinco drones usados no patrulhamento. De acordo com a Polícia Militar, a manifestação "transcorreu de forma pacífica e ordeira conforme planejado junto aos organizadores ao longo das semanas que a antecederam", disse em nota.

O governador paulista, João Doria (PSDB), também criticou o ato violento. No Twitter, ele escreveu que a PM "está investigando e punirá os delinquentes fantasiados de manifestantes".

"Repudio atos violentos de minorias que usam agressões para tentar impor suas ideias. Sou um democrata e sempre defendi manifestações pacíficas. Não será um extremo que vencerá o outro extremo. O Brasil merece mais que isso. O caminho é da racionalidade e do bom senso", disse Doria.

Ontem, pela primeira vez desde que os atos pró-impeachment começaram, em maio, militantes do PSDB participaram das manifestações de maneira não institucional. No final da tarde chegou a ser registrado um conflito entre tucanos e membros do PCO. Quando os manifestantes do PSDB caminhavam rumo à Consolação, houve trocas de provocações. Uma briga pontual terminou com uma bandeira do PSDB queimada no chão. O grupo logo se dispersou e não houve feridos. Em outra mensagem, Doria prestou solidariedade aos "militantes do PSDB e todos os brasileiros de bem que saíram às ruas e sofreram agressões."

Ao todo, segundo a SSP, um homem, de 25 anos, foi preso em flagrante e indiciado pelo 2° DP, após agredir um agente de segurança do metrô "com um objeto de madeira e causar danos" à estação de metrô. Outros três suspeitos foram levados ao 78° DP. E um rapaz, de 19 anos, foi preso em flagrante após apedrejar e incendiar uma agência bancária.

Bolsonaro sob pressão

Pressionado pelo terceiro ato pedindo seu impeachment em dois meses, e pelas suspeitas de corrupção no governo federal na compra de vacinas contra a covid-19 investigadas pela CPI da Covid, Bolsonaro disse mais cedo, também pelas redes sociais, que o interesse dos manifestantes "sempre foi o poder", não a "saúde ou democracia".

"Nenhum genocídio será apontado. Nenhuma escalada autoritária ou 'ato antidemocrático' será citado. Nenhuma ameaça à democracia será alertada. Nenhuma busca e apreensão será feita. Nenhum sigilo será quebrado. Lembrem-se: nunca foi por saúde ou democracia, sempre foi pelo poder!", escreveu o presidente em outra postagem.

Na última sexta-feira, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), aumentou a pressão sobre o palácio do planalto ao autorizar a abertura do inquérito para investigar se o presidente Bolsonaro cometeu crime de prevaricação por supostamente não ter comunicado aos órgãos de investigação indícios de corrupção nas negociações para compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

As suspeitas de corrupção por parte de integrantes do governo surgiram nas últimas audiências da CPI da Covid.

*Atualização: A versão original deste texto trazia a informação de que os homens fardados que aparecem no vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro e na foto eram policiais militares. A informação correta, e que já foi corrigida, é a de que são seguranças do metrô da estação Higienópolis-Mackenzie.

Estadão
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