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Bolsonaro: "Pretendemos ir atrás dos mandantes no caso Adélio"

Em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente disse ter informações de que um dos advogados do autor do crime "agiu de modo errado"

3 out 2019
21h02
atualizado às 21h44
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta, em transmissão ao vivo pelo Facebook, que pretende "ir atrás dos mandantes" da facada que levou em Juiz de Fora (MG) durante a corrida presidencial. Segundo o presidente, a Polícia Federal teve informações de que um dos advogados de Adélio Bispo, autor da facada, "agiu de modo errado" e, por isso, "fez (operação de) busca e apreensão no escritório dele".

"Nós queremos que seja investigado o material", disse Bolsonaro. "Que venha a se saber quem seja ou são os mandantes." Ainda segundo o presidente, a ação poderá ser decidida pelo Supremo Tribunal Federal.

O presidente Jair Bolsonaro (centro) em sua transmissão semanal pela internet, acompanhado de policial rodoviário federal e de sua intérprete em Libras
O presidente Jair Bolsonaro (centro) em sua transmissão semanal pela internet, acompanhado de policial rodoviário federal e de sua intérprete em Libras
Foto: Reprodução/Facebook / Estadão Conteúdo

A declaração ocorre dias após ele escalar o advogado Frederick Wassef, que já advoga pelo senador Flávio Bolsonaro em processos que tratam de movimentações financeiras atípicas nas contas do parlamentar e de seu ex-auxiliar Fabrício Queiroz, para defender também o presidente no caso do atentado. Em entrevista ao Estado, o advogado disse que Adélio seria um "assassino profissional" e que teria sido pago pela tentativa de assassinato.

As declarações constestam conclusões preliminares da própria PF que, em 2018, apresentou indícios de que Adélio teria agido sozinho, e que seria inimputável pelo crime pois teria distúrbios mentais. Em resposta, o advogado do autor do crime disse que o julgamento "acabou", pois transitou em julgado, e que era "é politicamente conveniente que este assunto não morra".

Garimpeiros não são bandidos

Bolsonaro voltou a defender o extrativismo mineral na região amazônica e afirmou que "garimpeiros não são bandidos" e "merecem toda a consideração", durante a transmissão. "Eles querem garimpar e nós queremos legalizar o garimpo", disse. 

O presidente afirmou ainda que planeja apresentar um projeto para legalizar o garimpo e "dar dignidade para ele (garimpeiro), que vai preservar o meio ambiente e não vai usar mercúrio". "Se vocês verem o estrago que as mineradoras fazem nessa região, em especial as canadenses, você vai cair para trás. Agora, quando pegam um pobre garimpeiro que tem uma bateiazinha pra tirar ouro ou um jogo de peneira atrás de diamante, o mundo cai na cabeça deles", comparou.

Redução de Homicídios

Bolsonaro também comentou o programa do Ministério da Justiça e Segurança Pública "Em Frente, Brasil" que completou um mês em vigor. Segundo dados do órgão, nos cinco municípios onde o programa foi testado, o número de homicídios caiu 53%.

Bolsonaro criticou, entre as cidades que receberam o programa, a atuação do prefeito de Cariacica, Geraldo Luzia de Oliveira Junior (PPS), que implementou um disque-denúncia para receber abusos da Força Nacional de Segurança. "Se a questão da segurança tá muito bem em Cariacica, a gente muda de cidade", disse. "Eu, como chefe supremo das Forças Armadas, e o Sérgio Moro, que está fazendo um brilhante trabalho, não podemos expor nossos agentes de segurança ao disque-denúncia", complementou.

SP e RJ são criticados por não terem aderido ao modelo cívico-militar em escolas

Bolsonaro criticou o fato de os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro não ter aderido ao modelo de escolas cívico-militares. "Lamentavelmente, dois Estados aí, São Paulo e Rio de Janeiro, não aderiram", disse Bolsonaro, citando o modelo de escolas cívico-militares implementado em Estados como Goiás e Amazonas. "São umas escolas que têm mais de dez anos e têm dado certo."

A declaração de Bolsonaro acontece em meio a estranhamentos com os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro. Tanto João Doria (PSDB-SP) quanto Wilson Witzel (PSC-RJ) se movimentam nos bastidores de olho na corrida presidencial em 2022.

Ainda sobre a educação no País, Bolsonaro lembrou do descontingenciamento de R$ 2 bilhões e afirmou que "a esquerda teimava em dizer que era um corte." "Contingenciamento é: se não tiver recurso a gente não libera, daí passa a ser corte lá na frente". Bolsonaro ainda disse que a imprensa "colocou na cabeça da molecada que aquilo era corte, corte, corte".

'Estou diminuindo o espaço democrático da esquerda'

Na mesma transmissão, Bolsonaro comentou a tramitação da reforma da Previdência no Senado. Ele disse que, apesar de não ser pessoalmente favorável ao endurecimento de regras na aposentadoria, a necessidade da reforma "faz parte do jogo, da democracia".

O presidente aproveitou para, em seguida, dizer que nunca "feriu ou ameaçou" o regime democrático. Mas afirmou que está "diminuindo o espaço democrático da esquerda" por ter saído vitorioso das eleições de 2018.

"Em nenhum momento eu feri ou ameacei a democracia ou, como disse mentirosamente a (ex-presidente do Chile, Michelle) Bachelet mentirosamente, que estou diminuindo o espaço da democracia no Brasil", disse Bolsonaro. "Eu estou diminuindo o espaço democrático da esquerda, disso não há a menor dúvida. Entrou a direita, agora." / COLABOROU TULIO KRUSE

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Estadão
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