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"Vai ser o novo Cunha", diz Cid Gomes sobre líder do PP

Senador afirma que vai agir para impedir que Arthur Lira seja eleito presidente da Câmara

3 out 2019
12h23
atualizado às 12h57
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Incomodado com uma articulação da Câmara para mudar os critérios de divisão dos recursos destinados a Estados e municípios, o senador Cid Gomes (PDT-CE) tem acusado o líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), de "achacador". Em entrevista ao Broadcast Político, o pedetista comparou Lira ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso na Lava Jato, e disse que vai agir para "denunciar" movimentos do deputado e impedir que ele seja eleito presidente da Casa, em 2021.

"Esses caras a gente tem que matar logo no começo, ou denunciar no começo, se não daqui a pouco vira presidente da Câmara e vai ser outro Eduardo Cunha", afirmou Cid Gomes na entrevista.

O senador Cid Gomes (PSB-CE) em seu gabinete de trabalho em Brasília
O senador Cid Gomes (PSB-CE) em seu gabinete de trabalho em Brasília
Foto: DIDA SAMPAIO / Estadão Conteúdo

Como uma MP para cessão onerosa acirrou os ânimos entre Senado e Câmara?

Acho que há um movimento na Câmara e, para mim, o líder disso é esse deputado Arthur Lira, com a mesma sistemática do Eduardo Cunha (deputado cassado), sem tirar nem pôr. O cara vai, cria dificuldade, para conseguir um benefício. Esse benefício está precificado, eles deram nome: é 5% do bônus de assinatura, retirado de Estados ou de Estados e municípios, para dar ao quarto ente federativo, que são essas figuras. Meu lado de briga é esse. Meu lado de paz é fazer uma chamada à racionalidade de que há uma agenda da Câmara que o Senado tem dado toda atenção e há uma agenda do Senado. A Câmara precisa respeitar isso.

E por que o Rodrigo Maia estaria refém?

Não acho que seja ele, o Rodrigo, o culpado. Ele não gostou da palavra "refém". Para o meu português, que não é tão rico, tem duas formas de estar preso a uma coisa: com cumplicidade ou como refém. Eu estou atribuindo taxativamente a culpa a um grupo que, para mim, o líder é esse Arthur Lira, que já é pré-candidato (à presidência da Câmara). Ele traiu o Rodrigo Maia na eleição passada, tentou se viabilizar como candidato, procurou o governo, o PSL. Na eleição presidencial, o PP e o DEM iam apoiar o Ciro. Eu conversava com eles, estava certo de apoiar o Ciro e esse dito Arthur Lira traiu e, por debaixo dos panos, passou por cima do Rodrigo. Se é para escolher uma estratégia de briga, eu já escolhi, é contra esse cara e o que ele significa.

Essa briga vai até onde?

Tem uma piadinha que eu vou tentar resumir. Era uma pessoa que nunca tinha visto nada na vida, morava isolado, e de repente resolve andar. Ele se deparou com duas linhas de ferro cortadas por pedaços de madeira, e o trem bateu no cabra. Quando saiu do hospital, viu um ferrorama na vitrine da loja. Pegou um pedaço de pau, quebrou o vidro e ficou batendo no negócio. Prenderam o cara e ele disse: esse negocinho, a gente tem de matar enquanto é pequenininho porque, depois que cresce, ele quase mata a gente. Esse é o caso desses caras, a gente tem de matar ou denunciar no começo, antes de virar presidente da Câmara.

Esse é o caso com Arthur Lira?

Esse é o caso. Esses caras a gente tem que matar logo no começo, ou denunciar no começo, se não daqui a pouco vira presidente da Câmara e vai ser outro Eduardo Cunha.

O que o senhor vai fazer na prática em relação a ele?

Isso é estratégia de briga. Eu vou ficar denunciando todos os passos dele. Ele já foi responsável pela exclusão de Estados e municípios da reforma da Previdência. Ele tem sido responsável por impedir que entre em votação a securitização da dívida. Na pauta já está, por isso eu digo que a culpa não é do Rodrigo. Tudo que é de interesse de Estados ele vota contra pela mesquinharia de ser oposição ao governador do Estado dele (Renan Filho-MDB, governador do Alagoas).

Outros líderes do Centrão na Câmara também são oposição aos governadores nos Estados...

Eu não tenho condição de brigar com 20. Mas tenho condição de denunciar na Justiça.

Ele falou que o senhor vai responder na Justiça aos comentários sobre ser um "achacador".

Muito bem, que me chame. Eu quero é que me convoque para eu ir lá. Não fizeram uma vez, quando eu era ministro? Eu quero que faça agora, eu senador. (Em 2015, Cid Gomes, então ministro da Educação, foi convocado para depor na Câmara após ter dito que deputados queriam um governo frágil para "achacarem mais").

Ele pediu prova de que é achacador. Que informações o senhor tem para ter falado isso?

Você quer mais do que isso? O cara dificulta um negócio para depois ir propor ficar com 5% para definir. Quer mais do que isso?

Quem mais está com o senhor nessa briga?

Eu estou denunciando uma forma de trabalhar, que era a mesma do Eduardo Cunha e que está viva, presente, encarnada por essa figura que quer ser o presidente da Câmara. Política é isso. Não podem dizer que não sabiam e que achavam que o cara era gente boa. É achacador, chantagista, traidor, falso, egoísta. É tudo isso e estou dizendo com casos concretos. O PP é o partido que tem a preferência para ter o presidente da Câmara. O que eu puder fazer, como senador e com os amigos deputados, para encontrar um outro caminho que não seja esse cara...

O Senado está enciumado com o protagonismo da Câmara, como sugeriu Rodrigo Maia?

A Câmara tinha uma agenda, que começava com Previdência, e o Senado tinha uma agenda que era o pacto federativo. Nós demos o tratamento adequado, respeitoso, atencioso, ágil à agenda da Câmara e a Câmara não está dando o mesmo tratamento à agenda do Senado. Culpa de quem? Vamos analisar. Acho que as duas Casas deveriam se entender sobre quem fica com a reforma tributária. Já tinha feito esse apelo ao presidente do Senado. Todo dia está se vivendo isso, as coisas não são neutras.

Se Maia está refém na Câmara, como está o papel de Davi Alcolumbre no Senado?

Uma coisa é ouvir lideranças, acho isso democrático, elogio essa postura do presidente do Senado. Outra coisa, dentro de uma hegemonia moral, ética e republicana, em muitos casos, particularmente em relação à agenda do pacto federativo, isso não está havendo por parte da Câmara. Não queira que eu, nem vou fazer isso, destaque mais inimigos. Já escolhi o meu inimigo. Esse inimigo é esta figura que se chama Arthur Lira. Pronto.

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Estadão
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