Foto de Andrew em choque e assustado é parte de como prisão de ex-príncipe será lembrada
Andrew Mountbatten-Windsor é o primeiro membro sênior da Família Real preso na história moderna.
O rosto em choque, incrédulo e assustado do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor será parte de como sua prisão será lembrada.
Não é uma imagem particularmente edificante. Andrew está reclinado no banco de trás de um carro após ter sido solto, com os dedos entrelaçados, seja em oração ou proteção.
O colarinho da sua camisa está levantado. Aliás, seu colarinho foi tocado por alguém. Será que a expressão de choque de Andrew é a mesma que ele mostrou quando tiraram sua foto na delegacia?
A imagem se tornará o equivalente daquela outra foto famosa de Andrew, tirada há quase 25 anos, de um príncipe sorridente e confiante, ao lado de Virginia Giuffre, na época com 17 anos, em uma casa em Londres.
Nesta quinta, Andrew Mountbatten-Windsor se tornou o primeiro membro sênior da Família Real na história moderna a ser preso.
Foi mais um daqueles momentos que fazem prender a respiração.
Pouco depois, veio uma declaração sem precedentes de seu irmão, o rei Charles 3°. "Deixe-me ser claro: a lei deve seguir seu curso", dizia a mensagem direta do rei, sem brechas ou cláusulas de proteção real.
A prisão, sob suspeita de má conduta em cargo público, refere-se ao período em que Andrew atuou como representante comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. Ela acontece após uma série de alegações, motivadas pela divulgação dos arquivos de Epstein, de que Andrew teria compartilhado documentos oficiais.
Entre eles estariam relatórios de visitas comerciais e uma informação confidencial sobre investimentos no Afeganistão enviados ao criminoso sexual Jeffrey Epstein, além de um documento do Tesouro britânico repassado para um contato pessoal.
O fato de ser membro da Família Real não fará diferença legal na forma como o caso será tratado.
Andrew Mountbatten-Windsor sempre negou qualquer irregularidade em suas relações com Epstein.
A declaração direta da polícia na manhã desta quinta-feira foi um terremoto de notícias: "O homem permanece sob custódia policial neste momento."
Quem imaginaria ler essa frase quando o homem em questão ainda está na linha de sucessão ao trono e que, na teoria — senão na prática — continua sendo um conselheiro de Estado?
A explicação de Andrew sobre seu comportamento não será dada em uma entrevista de TV.
O público ainda se lembra de sua entrevista ao programa Newsnight da BBC, que continua sendo a última vez que Andrew falou publicamente sobre sua relação com Epstein.
Desta vez, será na presença de um advogado e dos investigadores, em vez de sob as luzes da TV, e as consequências de quaisquer inverdades serão muito mais sérias.
A ação da polícia em uma manhã de inverno em Norfolk foi uma notícia surpreendente — e aparentemente pegou o rei de surpresa tanto quanto qualquer outra pessoa.
Mas a história dos vínculos de Andrew com Epstein vem sendo construída há décadas — assim como sua queda, que foi corroendo sua reputação aos poucos até se transformar em uma avalanche de desprestígio.
A associação com Epstein fez com que Andrew perdesse seu cargo de enviado comercial em 2011 e, após aquela desastrosa entrevista ao Newsnight em 2019, ele foi afastado de suas funções como membro ativo da família real.
Seu afastamento da vida pública tornou-se ainda mais completo após o acordo de 2022 com sua acusadora, Virginia Giuffre.
E em outubro do ano passado, quando e-mails revelaram que Andrew não havia cortado seus laços com Epstein como alegava, ele foi destituído de seus títulos de príncipe e duque e acabou sendo transferido de sua residência no Royal Lodge, em Windsor.
Foram sanções duras, que removeram qualquer vestígio de status real.
O Palácio passou por momentos de tensão recentemente, com acusações de que estaria tentando proteger Andrew.
A declaração do rei buscou encerrar esse assunto e separar a Família Real de qualquer desdobramento relacionado a Andrew.
Outro fator importante em tudo isso é a opinião pública. Os arquivos de Epstein e o que eles revelaram sobre uma rede de pessoas aparentemente influentes, mas com pouca moral, deixaram as pessoas revoltadas com tamanho poder e riqueza sem responsabilização.
Ao público soou ofensivo que pessoas ricas e influentes pareçam estar imunes às consequências de seus atos, sejam eles sexuais ou financeiros. A impressão geral é de que a corrupção compensa.
O fato de a prisão ter ocorrido no 66º aniversário de Andrew torna tudo ainda mais impactante. As velas teriam que esperar.
Há referências a aniversários anteriores de Andrew nos arquivos de Epstein, como uma festa para comemorar seus 50 anos no Palácio de St. James.
Uma das pessoas que teve de recusar o convite para aquela noite de "travessuras misteriosas" foi justamente Jeffrey Epstein, que ainda estava em prisão domiciliar como parte de sua condenação por aliciar uma menor para prostituição.
Há um ano, Andrew comemorava o aniversário como príncipe Andrew, duque de York, conde de Inverness e cavaleiro da Ordem da Jarreteira.
Quem sabe o que terá mudado até seu próximo aniversário.