Avós de Eduardo Bolsonaro são assaltados em cidade que celebra queda de violência
Crimes contra os familiares dos três primeiros filhos de Bolsonaro ocorrem pouco em Resende, interior do Rio de Janeiro
Avós maternos e mãe de Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro foram assaltados em Resende, onde, apesar da queda geral na violência, criminosos levaram objetos, o carro e trancaram as vítimas no banheiro.
A mãe e os avós maternos de Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro foram assaltados em Resende, no interior do Rio de Janeiro — cidade com cerca de 130 mil habitantes (IBGE) que celebra a queda nos índices de violência no primeiro semestre deste ano.
O prefeito Tande Vieira (PP) anunciou a menor taxa de letalidade violenta desde 2016, além dos menores índices de roubo de carga, de veículos e de rua desde 2003. O município também alcançou recordes de apreensão de armas, drogas e de prisões de envolvidos com o tráfico
Apesar disso, o assalto à casa da família Bolsonaro envolveu crimes que vinham apresentando queda, como o roubo de veículos — o carro da família foi levado e posteriormente abandonado. Qual é a quantidade e a distribuição, ao longo do tempo, dos crimes praticados durante o assalto em Resende?
Os roubos e ameaças em Resende nos últimos 20 anos
A fonte oficial de estatísticas sobre violência no estado do Rio de Janeiro é o Instituto de Segurança Pública (ISP). O órgão fornece dados sobre diversos tipos de crime, inclusive por faixa etária. No entanto, não há detalhamento específico sobre os crimes ocorridos na casa dos avós dos três filhos mais velhos de Jair Bolsonaro.
Roubo — popularmente conhecido como “assalto” — é um crime que envolve grave ameaça, como no caso em que criminosos armados invadiram uma casa com três idosos, levando objetos e um carro. Em Resende, esse tipo de crime é relativamente raro. Ao analisar dados oficiais entre 2003 e 2024, pesquisadoras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) identificaram uma média de pouco mais de um roubo por mês no município.
“O número máximo de casos registrados em um único mês foi de nove ocorrências. Em 119 meses, aproximadamente 45% do período analisado, não houve registros deste tipo de crime”, afirmam Pryscilla Santos e Ana Clara Calazans em artigo publicado em relevante revista científica.
Durante o roubo, houve ameaças — um tipo de crime que teve queda de 61% em Resende na última década, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Entre pessoas com mais de 60 anos, faixa etária de Rogéria Nantes Bolsonaro e seus pais, a redução foi menor: 23%.
Familiares dos filhos de Bolsonaro escaparam do latrocínio
Os criminosos levaram objetos e o carro que estava na casa. Segundo o estudo das pesquisadoras da UERJ, “a comparação mostra que os roubos são menos comuns e mais concentrados, enquanto os furtos são mais frequentes e ocorrem de forma mais distribuída ao longo dos meses”.
Os familiares dos filhos de Bolsonaro passaram a fazer parte das estatísticas dos crimes menos frequentes, como a exposição da integridade e da saúde física ou psíquica do idoso. Isso ocorreu quando as vítimas foram trancadas no banheiro — um crime praticamente raro em Resende. Desde 2014, foram registrados apenas 11 casos, sendo o último em 2022.
O assalto não resultou em vítimas fatais. Dessa forma, a mãe e os avós dos filhos de Jair Bolsonaro escaparam da estatística de latrocínio, que é o roubo seguido de morte. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que, na última década, ocorreram 13 crimes desse tipo em Resende, com um aumento recente: no ano passado, foram registrados cinco casos, a maior quantidade anual já registrada.