Israel anuncia morte de Ali Larijani, figura central do poder iraniano, em ataque aéreo
As operações foram conduzidas pelas forças armadas israelenses e tiveram como alvo parte da alta cúpula do regime.
Em mensagem em vídeo, Katz afirmou que foi informado pelo chefe do Estado-Maior sobre a morte de Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e de Soleimani, líder da Basij, que é o aparelho central de repressão interna do regime iraniano. O ministro israelense adotou um tom provocativo ao declarar que ambos "se juntaram a Ali Khamenei nas profundezas do inferno", em referência ao líder supremo iraniano morto em 28 de fevereiro durante os primeiros bombardeios da ofensiva israelo‑americana.
Katz afirmou ainda que ele e o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu deram ordem às forças israelenses para "perseguir implacavelmente os líderes do regime de terror e opressão no Irã", destacando que a campanha militar continua com alta intensidade, destruindo "infraestruturas estratégicas importantes" e neutralizando capacidades de lançamento de mísseis.
O ministro celebrou o desempenho das tropas: "Parabéns aos pilotos, às equipes de solo e aos serviços de inteligência. Esta operação entrará para os anais da guerra moderna como um feito sem precedentes". O gabinete de Netanyahu reforçou a mensagem ao divulgar uma foto em que o premiê aparece sorridente ao telefone, sob a bandeira israelense, acompanhado de militares.
Larijani: peça-chave do regime
A morte de Ali Larijani representa um golpe profundo no núcleo da estrutura de poder iraniana. Ele vinha sendo descrito como uma das figuras mais influentes do país desde o assassinato do aiatolá Ali Khamenei, exercendo forte autoridade política e militar como secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional - posição que ocupava pela segunda vez desde agosto do ano passado.
Larijani, doutor em filosofia e especialista em Kant, consolidou ao longo das décadas a reputação de conservador pragmático, capaz de dialogar com potências ocidentais. Já conduziu negociações sensíveis, incluindo tratativas sobre o programa nuclear iraniano, e vinha sendo citado por analistas como um possível interlocutor de uma eventual transição de regime envolvendo os Estados Unidos.
Sua trajetória é marcada pela influência de sua família, uma das mais poderosas do establishment iraniano. Larijani já foi ministro, presidente do Parlamento e candidato à presidência em diferentes momentos. Seu retorno ao comando do Conselho Supremo de Segurança Nacional o colocava no centro das decisões sobre política externa, defesa e segurança interna, justamente em um momento de disputa pela sucessão no topo do regime.
Contudo, especialistas alertavam para os limites de sua autoridade. A socióloga Azadeh Kian, da Universidade Paris‑Cité, observava que não era certo que suas ordens seriam obedecidas pela Guarda Revolucionária, descrita como "um Estado dentro do Estado". Essa divisão interna dificultaria qualquer tentativa sua de assumir plenamente o controle político.
No campo internacional, Larijani era visto por parte dos analistas como alguém com potencial para facilitar negociações com o Ocidente. "Os americanos ou os israelenses só o manteriam vivo se vissem nele alguém com quem se pode negociar", avaliou Kian.
Mas havia resistência a essa interpretação. A cientista política Mahnaz Shirali argumentava que Larijani, considerado por muitos iranianos como responsável por graves violações de direitos humanos, jamais conseguiria encarnar o futuro do país. Para ela, seu papel máximo seria o de negociar uma saída do regime, mas não de liderá‑lo em uma nova etapa.
Ataques miram instalações do Conselho sob Larijani
As tensões se aprofundaram após Israel afirmar que, na noite de segunda-feira (2), suas aeronaves atacaram o palácio presidencial iraniano e os prédios do Conselho Supremo de Segurança Nacional em Teerã, órgão que estava sob comando direto de Larijani. Segundo o Exército israelense, "uma grande quantidade de munições foi lançada sobre o complexo de liderança do regime terrorista iraniano". Não há confirmação oficial de mortos e feridos nesses ataques.
Com a morte de Larijani, desaparece uma figura que, até horas antes, era vista simultaneamente como negociador possível e alvo prioritário da campanha militar israelense‑americana.
RFI e AFP