Trump e aliados usam tática conhecida para comunicação sobre guerra no Irã: atacar a imprensa
O presidente Donald Trump e aliados estão atacando as organizações de notícias por sua cobertura sobre a guerra no Irã, um conflito que, segundo o governo, está indo bem para os Estados Unidos, mas é impopular entre a população e mergulhou o Oriente Médio no caos.
Embora Trump venha, há anos, menosprezando a cobertura jornalística que considera desfavorável, seus comentários recentes marcam uma escalada de ameaças contra a mídia. Alguns defensores da liberdade de imprensa se preocupam com um efeito inibidor sobre o jornalismo em tempos de guerra e apontam para as liberdades de expressão e de imprensa consagradas na Constituição.
Apenas um em cada quatro norte-americanos aprova os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã em fevereiro, de acordo com uma pesquisa Reuters/Ipsos de 1º de março. Cerca de metade -- incluindo um em cada quatro republicanos -- acredita que Trump está disposto demais a usar a força militar. Pelo menos 13 membros do serviço militar dos EUA morreram na guerra.
As críticas às reportagens sobre a guerra aumentaram na sexta-feira, quando o secretário de Defesa, Pete Hegseth, em uma coletiva de imprensa, criticou a CNN, chamando uma reportagem baseada em uma fonte de "patentemente ridícula" por dizer que o governo havia subestimado os riscos para o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Hegseth disse que quanto mais cedo o novo proprietário da CNN, David Ellison, assumir o controle da rede, melhor.
O presidente-executivo da Paramount Skydance, Ellison, cuja empresa está adquirindo a Warner Bros. Discovery, controladora da CNN, é filho do cofundador da Oracle e aliado de Trump, Larry Ellison.
A Casa Branca respondeu com um e-mail acusando a CNN de "mentir" para minar o "sucesso esmagador" da operação militar.
O presidente e diretor executivo da CNN, Mark Thompson, disse em um comunicado à Reuters: "Mantemos nossa posição jornalística".
"NOTÍCIAS FALSAS"
O presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC) dos EUA, Brendan Carr, postou no sábado no X que as emissoras que transmitem "notícias falsas" agora têm a chance de "corrigir o curso antes da renovação de suas licenças". As falas foram acompanhadas por uma captura de tela da postagem de Trump no Truth Social no início do dia, afirmando que "os 'jornais' e a mídia de baixa qualidade realmente querem que percamos a guerra".
A FCC não revoga a licença de uma estação de TV aberta há mais de 40 anos, e qualquer tentativa de fazê-lo por parte do governo Trump por causa de uma reportagem provavelmente seria recebida com ações judiciais baseadas na Primeira Emenda, que protege a liberdade de imprensa.
Em uma publicação na noite de domingo no Truth Social, Trump acusou uma "mídia de notícias falsas" não especificada de trabalhar com o Irã para divulgar imagens geradas por IA de um porta-aviões norte-americano em chamas e disse que eles deveriam ser acusados de traição.
A mídia estatal iraniana alegou falsamente que os militares iranianos atingiram o porta-aviões. Mas a afirmação não foi amplamente divulgada pelos veículos de mídia ocidentais, muitos dos quais, em vez disso, publicaram relatos chamando os vídeos que mostravam o navio em chamas como falsos.
A referência de Trump à traição -- uma acusação que acarreta uma pena máxima de morte de acordo com a lei dos EUA -- levou suas ameaças contra a mídia a um novo patamar. Há muito tempo Trump rotula a imprensa de "notícias falsas" e "inimiga do povo norte-americano". Ele atacou pessoalmente repórteres individuais com insultos como "porco" e "safado".
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse na CNBC que as reportagens da mídia convencional sobre a guerra refletiam "uma aversão ao presidente Trump".
"O presidente Trump está certo", declarou a porta-voz da Casa Branca Olivia Wales em um comunicado. "Muitos na mídia estão se esforçando ao máximo para desacreditar o presidente Trump, seu governo e as Forças Armadas dos Estados Unidos, enquanto defendem um regime que mata americanos há quase 50 anos. Isso é uma completa vergonha."