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Apesar de pequenos avanços em diversidade, empresas do Vale do Silício ainda são 'clubes de rapazes'

Elon Musk, Mark Zuckerberg e Marc Andreessen mostram como a cultura insular da indústria de tecnologia permanece praticamente inalterada

11 out 2022 - 05h11
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THE NEW YORK TIMES - LIFE/STYLE - No mês passado, Mark Zuckerberg passou horas divulgando seu amor pelo jiujitsu, luta livre e UFC no podcast de Joe Rogan, que é conhecido por sua hipermasculinidade. Assistir à TV não era algo ativo o suficiente, disse Zuckerberg. Comparada com as mídias sociais, a TV era "beta".

Elon Musk, que assinou um acordo para comprar o Twitter aparentemente por um capricho e agora está indo ao tribunal porque quer desistir da compra, fez provocações do tipo "debata comigo, cara" ao CEO do Twitter entre conselhos sobre jejum intermitente e preocupações com o colapso da população.

E Marc Andreessen, um investidor de tecnologia de alto nível, recentemente se opôs a um plano para construir moradias multifamiliares na cidade do Vale do Silício onde mora e depois anunciou seu maior negócio: uma startup de imóveis residenciais liderada por Adam Neumann, o empresário que notoriamente incinerou bilhões de dólares em valores na WeWork.

Essas ações pareciam concebidas para causar uma grande indignação. Zuck gosta de lutar com seus amigos? Elon acha que está acima da lei? Andreessen confiou quanto dinheiro a esse empresário?

A elite mais poderosa da tecnologia parece estar adotando um novo tom ultimamente. Ele é mais abertamente desafiador, combativo e uma reviravolta em relação há apenas alguns anos, quando a indústria foi questionada por revelações sobre sua cultura "bro".

A partir de 2017, uma série de relatórios revelou o assédio desenfreado, a discriminação e a cultura do silêncio e dos acordos no Vale do Silício. Investidores e executivos poderosos foram acusados durante os primeiros dias do movimento #MeToo. Um livro intitulado Brotopia da jornalista Emily Chang delineou metodicamente o sexismo profundamente enraizado da indústria da tecnologia, conectando lições da história com relatórios sombrios sobre o tema atual da diversidade.

Os líderes da indústria pelo menos tentaram parecer que estavam fazendo um esforço para desmantelar os sistemas que concentravam o poder nas mãos de alguns homens brancos. Considerando o quão enraizadas as empresas de tecnologia e seus produtos estavam na vida das pessoas, parecia urgente resolver as disparidades e problemas entre aqueles que os criaram. Então eles fizeram promessas, promoveram algumas mulheres e doaram dinheiro.

Houve alguns avanços, incluindo mais mulheres preenchendo cheques em empresas de capital de risco e conduzindo startups de bilhões de dólares. O All Raise, um grupo de defesa de mulheres na tecnologia, apareceu na capa da Forbes em 2018.

"Progredimos um pouco, mas sinto que foi quase uma cortina de fumaça", disse Christie Pitts, investidora da Backstage Capital, uma empresa de capital de risco. Agora "há definitivamente uma sensação de retrocesso".

Dois Vales do Silício paralelos surgiram. Há o ThunderDome do Twitter, onde líderes do pensamento em tecnologia coletam curtidas postando memes ousados e lançando opiniões políticas - e então invocam a cultura do cancelamento quando são criticados. Eles fazem aquisições impulsivas de US$ 44 bilhões e depois voltam atrás. Eles promovem uma existência totalmente online dentro do chamado metaverso.

E há a realidade do dia-a-dia, onde as mulheres ainda recebem apenas 2% do financiamento de capital de risco e os fundadores negros recebem 1%, onde as maiores empresas de tecnologia fizeram progressos insignificantes na diversificação de sua equipe e onde o assédio e a discriminação continuam comuns.

No mês passado, Estelle McGechie, ex-CEO da Atomos, processou a empresa de eletrônicos por discriminação de gênero e retaliação. Ela disse que foi demitida depois de alertar o conselho da empresa sobre fraude. Recentemente, uma reportagem da Vox sobre agressão sexual e silenciamento de vítimas na Launch House, uma hacker house apoiada pela empresa de Andreessen, passou despercebida pelas vozes mais proeminentes da indústria de tecnologia.

Em seguida, a Verkada, uma startup de segurança que enfrentou acusações de assédio a funcionárias e controles internos negligentes sobre o acesso a suas ferramentas de vigilância, levantou US$ 205 milhões das principais empresas de capital de risco. E Shervin Pishevar, um capitalista de risco que foi acusado de má conduta sexual por cinco mulheres em 2017, ressurgiu como executivo da empresa de Kanye West, a Yeezy.

É possível questionar se a indústria pode mudar

"Até onde eu sei, nunca haverá consequências para os homens", disse Pitts. "É desanimador."

O CEO da Launch House respondeu ao artigo da Vox com uma postagem no blog este mês, pedindo desculpas pelos problemas de segurança anteriores da empresa. A Verkada disse que aprendeu com incidentes anteriores e tinha "protocolos claros, treinamentos e pessoas focadas em abordar questões relacionadas ao sexismo e assédio". A Atomos disse em comunicado que as alegações de McGechie não tinham fundamento. Pishevar não respondeu a um pedido de comentário.

O acordo de sucesso de Musk com o Twitter destaca como a indústria de tecnologia ainda opera como um antigo clube de rapazes. O bilionário faz parte da "máfia do PayPal", um grupo de fundadores e primeiros funcionários da empresa de pagamentos digitais, muitos dos quais tiveram sucessos ainda maiores em tecnologia.

"As mulheres não têm esse tipo de network profunda e duradoura que esses homens tiveram", disse Taryn Langer, fundadora do Moxie Communications Group, que trabalha com relações públicas com fundadores e empresas de capital de risco. "Definitivamente, ainda existe o clube dos rapazes."

Outros membros da máfia do PayPal, incluindo David Sacks e Joe Lonsdale, receberam intimações por suas mensagens de texto com Musk sobre seu acordo com o Twitter, que agora está vinculado ao tribunal. Eles foram rápidos em expressar seu descontentamento, compartilhando memes no Twitter e chamando as intimações de "assédio" na TV. Musk também lutou contra a exposição de suas comunicações privadas por meio de seus advogados.

Ao mesmo tempo, as mulheres que trabalham na SpaceX, empresa espacial de Musk, apresentaram várias queixas de assédio e retaliação no ano passado.

A empresa de Andreessen tem US$ 35 bilhões sob gestão. Ele tuitou sobre bloquear pessoas cujas opiniões ele não gosta, enviou memes desrespeitosos a pessoas como o cofundador do Twitter Jack Dorsey e criticou aqueles que apoiam "a coisa atual", ou causas populares. Além de um assento no conselho da Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, Andreessen se juntará ao conselho da Flow, a startup imobiliária de Neumann.

Quando o acordo da Flow foi anunciado no mês passado, suscitou ceticismo daqueles que duvidaram da perspicácia comercial de Neumann após o colapso desastroso da WeWork. Mas também provocou indignação entre mulheres e pessoas não brancas que viram um homem facilmente recebendo uma segunda chance quando eles tiveram que batalhar duro para obter uma primeira chance.

Um porta-voz da Andreessen Horowitz se recusou a comentar. A Meta não respondeu a um pedido de comentário.

O investimento de US$ 350 milhões de Andreessen Horowitz - o maior cheque individual da empresa - avaliou a ainda não lançada Flow em US$ 1 bilhão.

Diana Lee, cofundadora da empresa de tecnologia de publicidade Constellation, disse que precisou lutar por uma avaliação justa para sua empresa, mostrando aos investidores um crescimento anual de 80%, centenas de clientes e lucros consistentes. Sobre a captação de recursos de Neumann, ela disse, "a execução ainda nem aconteceu. Ele aparece e é US$ 1 bilhão." /TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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Estadão
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