5 mitos sobre transição de gênero de crianças e adolescentes
Entenda o que é verdade e o que é mito quando se fala em transgeneridade infanto juvenil
No último domingo, 11, durante a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, o bloco “Crianças e Adolescentes Trans Existem” levou para a Avenida Paulista diversas famílias que reconhecem ter uma criança ou um adolescente trans no ambiente familiar.
O que era para ser motivo de celebração, virou prato cheio para políticos e conservadores saírem espalhando informações falsas. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi um deles. Ele afirmou nas redes sociais que “a esquerda tenta empurrar sua agenda justamente na infância para que o estrago introduzido seja de difícil reversão”. Eduardo também falou que no futuro os pais podem perder a autoridade sobre os próprios filhos.
Para esclarecer, reunimos algumas informações essenciais sobre transgeneridade infanto juvenil:
1. Hormonização para crianças e adolescentes
Segundo a resolução 2.265/2019 do Conselho Federal de Medicina (CFM), a terapia de hormonização só pode ser realizada em adolescentes a partir dos 16 anos, com autorização dos responsáveis e acompanhamento com profissional de saúde mental.
De acordo com o CFM, para os adultos, a partir dos 18 anos, a hormonioterapia cruzada deverá ser prescrita por médico endocrinologista, ginecologista ou urologista, todos com conhecimento científico específico.
2. A cirurgia
Elaine Frade Costa, endocrinologista do Hospital das Clínicas da USP destacou, em entrevista para a Associação Nacional de Hospitais Privados, que não se faz nenhuma intervenção clínica nas crianças. “O que se faz é acompanhar essa criança e propiciar um ambiente para que ela tenha certa liberdade para se manifestar. A partir do momento em que psicólogos determinam que essa criança manifesta essa incongruência de gênero, o endocrinologista entra com o bloqueio hormonal da puberdade”, explicou.
Conforme está explícito no Artigo IV do Conselho Federal de Medicina, é vedada a realização de procedimentos cirúrgicos de afirmação de gênero em pacientes menores de 18 anos de idade.
Crianças e adolescentes trans passam apenas pela transição social, como mudanças no nome, nas roupas, no corte de cabelo e no pronome, conforme mencionou a ativista e presidente da ONG Minha Criança Trans, Thamirys Nunes, em um post sobre esse assunto no Instagram. Ela é mãe de uma criança trans de oito anos.
3. O papel dos pais
Muitos críticos afirmam que “crianças trans não existem” e que é a família que influencia essa decisão. Mas evidências científicas desmentem essa afirmação. Um estudo publicado na revista Pediatrics concluiu que crianças começam a se identificar como trans por volta dos seis anos de idade e tendem a manter essa identidade.
Essa é uma fase de descoberta para as crianças e os pais ou responsáveis devem oferecer acolhimento e suporte necessário aos filhos.
4. A sexualização da criança
Políticos criticaram o bloco ‘Crianças Trans Importam’ da Parada LGBT+ de São Paulo e classificaram o ato como sexualização e pedofilia. O que também não corresponde à realidade. Ter sua identidade de gênero respeitada não tem nada a ver com orientação sexual. Conforme a ativista e criadora do perfil no Instagram “Minha criança trans”, Thamirys Nunes, as crianças querem apenas ser respeitadas e reconhecidas pelo que são.
5. Bloqueio puberal
Outro mito espalhado é o de que bloqueadores de puberdade causam efeitos colaterais. O tratamento, realizado com medicamentos, é seguro e feito com acompanhamento médico. Crianças e adolescentes com outras condições médicas, como puberdade precoce, também fazem uso desse tratamento.
Para realizar o bloqueio puberal no caso de transgeneridade é preciso conseguir vaga em um poucos ambulatórios especializados que existem no Brasil. Thamirys explica em seu post que essa espera pode levar mais de um ano.
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