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'Cena de filme de terror': há 10 anos, boate referência na luta pelos direitos LGBTQIA+ era alvo de um dos piores massacres dos EUA

Em 12 de junho de 2016, um homem armado entrou na Pulse, em Orlando, na Flórida (EUA), matou 49 pessoas e deixou dezenas de feridos

5 jun 2026 - 04h59
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Tiroteio na boate Pulse, em Orlando, matou 49 pessoas e feriu outras dezenas em 2016
Tiroteio na boate Pulse, em Orlando, matou 49 pessoas e feriu outras dezenas em 2016
Foto: Melina Mara/The Washington Post via Getty Images

Há 10 anos, em 12 de junho de 2016, os Estados Unidos passavam por um dos piores massacres da sua história. Por volta de 2h da madrugada, um homem armado entrou na Pulse, uma boate LGBTQIA+, em Orlando, na Flórida, matou 49 pessoas e feriu mais de 50 pessoas, deixando a cidade devastada e o mundo em luto por todos os afetados.

Desde a tragédia, a boate permanecia fechada. Do lado de fora, cartazes, fotos, flores e mensagens homenageavam às vítimas, chamadas de "anjos". Mas, em março deste ano, o espaço que carrega a lembrança do atentado foi demolido.

No lugar da Pulse, a cidade construirá um memorial para homenagear às vítimas. Os planos também incluem a criação de um museu e uma calçada dos sobreviventes -- um trajeto de cerca de três quarteirões rodeado de árvores lembrando os sobreviventes do ataque e suas jornadas de recuperação. O caminho é o mesmo percorrido pelas vítimas na noite da tragédia até o hospital mais próximo. Os três espaços do projeto ficarão em diferentes pontos da mesma região. 

A madrugada do massacre

O americano Omar Mateen, de 29 anos, foi o atirador responsável pelo massacre. Às 2h locais (3h do horário de Brasília), ele entrou na boate Pulse e disparou contra as pessoas que estavam no local. Ele também fez alguns dos frequentadores reféns.

Naquela noite, o espaço -- que era uma das maiores casas noturnas de Orlando -- estava realizando uma festa de temática latina. Minutos após o tiroteio começar, a Pulse publicou em sua página no Facebook: "Quem estiver dentro da boate saia e corra".

Mateen estava armado com um rifle de assalto, uma pistola e um tipo de dispositivo suspeito. As armas tinham sido compradas legalmente na semana anterior ao ataque, segundo as autoridades na época. 

Após três horas de cerco, a polícia invadiu a boate e matou o atirador. No total, 49 pessoas morreram, sendo a maioria porto-riquenha, e outras dezenas ficaram feridas. Nenhum brasileiro estava na lista oficial de vítimas. 

Inaugurada em 2004, a boate Pulse era uma referência na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ e de imigrantes
Inaugurada em 2004, a boate Pulse era uma referência na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ e de imigrantes
Foto: Spencer Platt/Getty Images

'Cena de filme de terror'

No momento do tiroteio, havia cerca de 320 pessoas dentro da boate. À CNN, um dos sobreviventes, Christopher Hansen, relatou sobre o que presenciou. "Tudo o que vi foram pessoas correndo e gritando. Era como uma cena de um filme de terror", disse. Jon Alamo afirmou que viu o atirador carregando a arma: "Ouvi 20, 40 e 50 tiros. E então a música parou".

Para sobreviver ao ataque, Ángel Colón contou à BBC que ficou no chão e se fingiu de morto. Mesmo assim, passou por momentos de pavor. "Podia ver o agressor atirando em todo mundo, inclusive nos que já estavam mortos."

Ele chegou a ser atingido por três balas, em sua mão, perna e bacia. Já caído, ele disse que Mateen voltou a disparar em direção a sua cabeça, mas matou a mulher que estava exatamente ao seu lado. "Essa pessoa não tinha piedade, não tinha coração", comentou.

O então presidente dos Estados Unidos era Barack Obama. Ele chamou o ataque de "assassinato brutal".  "Isso foi um ato de terror e um ato de ódio. Como americanos, estamos unidos em tristeza, indignação e determinação para defender nosso povo", declarou.

Referência nos direitos LGBTQIA+

Inaugurada em 2004, a boate Pulse era uma referência na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ e de imigrantes. O local era frequentado principalmente por jovens e latinos.

O espaço, que foi inaugurado em 2004, também tinha um papel importante na conscientização sobre a prevenção e os riscos do HIV, o vírus causador da Aids.

Segundo a BBC, John, o irmão de uma das fundadoras, Barbara Poma, morreu em 1991 após perder uma batalha de anos contra a Aids. Anos depois, ela e um amigo decidiram abrir a Pulse em memória a ele. O nome, inclusive, é uma homenagem à batida do coração de John. A boate ainda era um espaço para campanhas contra outras doenças, como o câncer de mama. 

Pessoas visitam um memorial próximo à boate Pulse, em Orlando, Flórida, em 19 de junho de 2016.
Pessoas visitam um memorial próximo à boate Pulse, em Orlando, Flórida, em 19 de junho de 2016.
Foto: Spencer Platt/Getty Images

Atirador e esposa investigados

Filho de pais afegãos, Mateen era um cidadão americano e vivia em Fort Pierce, cidade cerca de duas horas ao sul de Orlando. Ele era descrito como violento, trabalhava em uma empresa de segurança e tinha porte de armas.

As autoridades disseram que, durante o tiroteio, ele ligou para o 911 -- número de emergência -- e jurou lealdade ao líder do Estado Islâmico, grupo conhecido por sua intolerância à comunidade LGBTQIA+.

Ele estava no radar desde 2013, quando foi investigado após supostamente fazer comentários "inflamatórios" sobre propaganda islâmica radical. De acordo com a NBC, o FBI -- serviço de inteligência e segurança dos EUA -- investigou Mateen novamente no ano seguinte e o considerou um potencial homem-bomba suicida. Todas as investigações sobre ele foram encerradas.

Após o ataque, em entrevista à emissora, o pai do atirador também afirmou que o filho havia ficado "muito bravo" ao ver dois homens se beijando. Há relatos ainda de que Mateen visitou a boate Pulse em várias ocasiões.

Noor Salman, a esposa do atirador, também foi investigada na época, julgada e declarada inocente em 2018. A mulher tinha sido acusada de acobertar os planos do marido, de obstrução da justiça e de ajudar uma organização terrorista para cometer um crime.

Fonte: Portal Terra
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