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O tabu da camisa 24 no futebol e a homofobia

Número 24 é reflexo dessa homofobia ao ser usado para questionar ou depreciar a sexualidade de uma pessoa

13 dez 2022 - 05h00
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Pela primeira vez em uma edição da Copa do Mundo a seleção brasileira escalou um jogador para usar a camisa 24
Pela primeira vez em uma edição da Copa do Mundo a seleção brasileira escalou um jogador para usar a camisa 24
Foto: Lucas Figueiredo / CBF

Os times de futebol brasileiros são resistentes em escalar um jogador com a camisa número 24, por consequência esse tabu também existe na seleção. As justificativas são muitas, o clube alega que é uma escolha do atleta não usar a numeração ou que existe uma correlação entre a posição do jogador em campo e o número da camisa.

A verdade é que a sociedade brasileira é homofóbica, o Brasil é o país que mais mata pessoas LGBTQIA+ no mundo. O número 24 é reflexo dessa homofobia ao ser usado para questionar ou depreciar a sexualidade de uma pessoa.

O tabu em relação ao número 24 pode ter origem no Jogo do Bicho, que foi criado pelo Barão de Drummond, em 1892, no Rio de Janeiro. No jogo, o 24 corresponde ao veado que no imaginário coletivo é sinônimo de fragilidade e delicadeza.

Para Stela Danna, doutora em linguística pela USP e pesquisadora do Centro de Documentação em Historiografia Linguística (CEDOCH-DL/USP), em entrevista ao Universa UOL, explica que a alternância da grafia viado e veado para nomear homens homossexuais pode ter duas origens:

“Há quem insista em usar ‘viado’, por acreditar que o termo teria vindo das palavras desviado ou transviado, ou seja, pessoas que teriam se ‘desviado de uma normalidade’, ideia preconceituosa e bastante difundida durante a ditadura militar. No entanto, o mais provável é que ‘viado’ tenha vindo da palavra ‘veado’, usada para designar um animal mamífero, veloz, delicado e tímido”, analisa Stela.

Seleção brasileira foi a única da Copa América que não teve um jogador com a camisa 24
Seleção brasileira foi a única da Copa América que não teve um jogador com a camisa 24
Foto: Reuters

Na Copa América 2021, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi acionada pelo Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, que moveu uma Ação Civil Pública na Justiça do Rio de Janeiro, para que justificasse a ausência de um jogador com a camisa número 24 na seleção. A CBF se manifestou nos autos da seguinte forma:

“(…) A numeração utilizada pelos atletas tem relação com questões desportivas apenas. No momento inicial, a organização da competição estabeleceu a utilização dos números 1 a 23 de forma sequencial, o que foi feito pela seleção brasileira ao inscrever 23 atletas. No entanto, posteriormente, o Regulamento da Competição foi alterado e foram concedidas cinco vagas adicionais, em razão da possibilidade de troca de jogadores por conta de eventual contaminação por Covid-19. Apesar de tal faculdade, que foi utilizada por outras seleções para convocar mais cinco atletas, como a CBF vem cumprindo rigorosamente os protocolos sanitários e não apresentou casos de contaminação, a comissão técnica sentiu-se confortável em convocar apenas mais um jogador, além dos 23 inicialmente inscritos, e, para esse jogador, em razão de sua posição (meio-campo) e por mera liberalidade, optou-se pelo número 25. Como poderia ter sido 24, 26, 27 ou 28, a depender da posição desportiva do jogador convocado: em regra, numeração mais baixa para os defensores, mediana para volantes e meio-campo, e mais alta para os atacantes” conclui a CBF.

O fato é que a seleção brasileira foi a única da Copa América que não teve um jogador com a camisa 24. A numeração pulava do 23, usada pelo goleiro Ederson, para o 25, usada pelo meio-campista Douglas Luiz.

A camisa 24 na Copa do Catar e nos campeonatos nacionais

Pela primeira vez em uma edição da Copa do Mundo a seleção brasileira escalou um jogador para usar a camisa 24, é o zagueiro Gleison Bremer. O atleta estreou na fase de grupos contra Camarões.

É preciso que o esporte mais popular do país tome a iniciativa de popularizar a camisa 24 e ajude a combater a homofobia. A orientação sexual do atleta ou do dirigente ou de algum membro da comissão técnica não influi em nada na sua capacidade profissional.

É agressivo, desrespeitoso e infantil que uma seleção do porte da seleção brasileira alimente o preconceito.

Nos campeonatos nacionais, alguns clubes tomaram iniciativas contra a homofobia no Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA +. No Brasileirão, times da série A se posicionaram com postagens nas redes sociais com as cores do arco-íris ou em ações em campo, como o zagueiro Nino, do Fluminense, que usou a camisa 24 e a braçadeira nas cores do arco-íris.

O Flamengo trocou as cores da numeração das camisas e da braçadeira do capitão pelo colorido do arco-íris. Na série B, o Vasco lançou uma edição especial do seu uniforme com uma faixa arco-íris no lugar da tradicional faixa na cor preta.

Na Copa do Nordeste 2020, o volante Flávio, do Bahia, usou a camisa 24 em uma ação contra a homofobia denominada “Número do Repeito”. O clube também fez uma homenagem ao jogador de basquete Kobe Bryant, que morreu em um acidente de helicóptero e usava a camisa número 24 no L.A. Lakers.

Texto produzido em cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

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