"Minha ferramenta de inclusão é a moda", diz estilista que cria roupas para PcDs
Empreendedora premiada, Silvana Louro explica que revisita modelagens para criar peças que proporcionem autonomia, design e conforto
Estilista e produtora, Silvana Louro, de 61 anos, trabalha com moda há muito tempo, produzindo e dirigindo desfiles, catálogos e formando modelos para o mercado internacional. Mas tinha uma atividade que ela nunca tinha feito antes até surgir a Equal Moda Inclusiva: produzir roupas adaptadas para pessoas com deficiência.
Após conhecer pessoas com deficiência pela primeira vez em um projeto do qual participava, Silvana ficou impactada com as dores e desconfortos que elas passam para se vestir. “A Equal nasceu quando vivenciei essas dificuldades”, contou Silvana em entrevista ao Terra NÓS.
Agora uma empreendedora premiada, Silvana venceu em primeiro lugar o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2022 na categoria Pequena Empresa. “Eu nunca havia recebido um prêmio e pareceu que o universo nos enviou um presente, pois fazemos dez anos de empresa em 2023. É uma emoção gigantesca ter seu trabalho validado, ainda estou impactada com tamanho carinho e reconhecimento. Gratidão infinita”, comentou.
Silvana passa por desafios diários produzindo roupas e acessórios para pessoas com deficiência, mas tem certeza que o seu trabalho está ajudando as pessoas. Acreditando em um futuro mais empático às necessidades do outro, a empreendedora ressalta que “conforto é essencial” e afirma: “moda é vida, socialização, sendo inconcebível uma pessoa sentir dores e desconfortos a vida toda sem opção de escolha”.
Ela ainda contou que o principal objetivo da Equal é “humanizar a moda”, desconstruindo o capacitismo, preconceito que discrimina pessoas com deficiência, bem como disponibilizar opções de roupas que proporcionem autonomia, design e, principalmente, conforto.
Silvana esclarece que ver a moda de um ponto de vista inclusivo consiste em entender onde está o incômodo em determinada peça de roupa e solucioná-lo. "Onde incomoda? Onde dói? Como sempre estou lá na frente, exercitando soluções e revendo modelagem. eu preciso me antecipar às necessidades do meu cliente".
Ela explica que um recorte na parte de trás de um casaco pode proporcionar conforto, por exemplo, para um cadeirante. "Na frente não aparece a adaptação, mas ela está lá, liberando a lombar de quem não vai se levantar". Silvana, que também faz roupas convencionais, explica que a fonte de ideias vem de todas as experiências do dia a dia, até mesmo assistindo uma série histórica na televisão.
“O meu objetivo é naturalizar a presença das pessoas com deficiência em todos os lugares, pois minha ferramenta de inclusão é a moda que gera representatividade, identidade e autoestima”, afirmou Silvana.
Presente pela primeira vez na NRF 2023, maior evento de varejo do mundo, em Nova York, nos Estados Unidos, ela relata que tem muitos objetivos a realizar ainda. “É possível realizar, é possível desdobrar e inovar. As experiências que tivemos, a oportunidade de ouvir e vivenciar tudo que vimos no evento vai nos impulsionar e fortalecer como empresária e como pessoa”,
Inspirando outras mulheres que também estão iniciando seus negócios, Silvana ressalta: “Você pode e é capaz de fazer acontecer”.