Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

'Misoginia e ódio nas redes autorizam esse tipo de ação', diz ex-ministra das Mulheres sobre assédio no BBB26

Cida Gonçalves destacou a gravidade do caso e criticou o aumento de seguidores de Pedro Espíndola nas redes sociais após o assédio

21 jan 2026 - 04h59
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
A ex-ministra Cida Gonçalves criticou a misoginia nas redes sociais, ressaltando a gravidade do assédio no BBB26 e a importância de combater a naturalização da violência contra a mulher, defendendo que o caso seja analisado pela Justiça e sensibilize a sociedade.
'Misoginia e ódio nas redes autorizam esse tipo de ação', diz ex-ministra das Mulheres sobre assédio no BBB26:

A ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, classificou como grave a conduta de Pedro Henrique Espíndola, ex-participante do Big Brother Brasil, após ele assediar Jordana dentro do reality show. Em entrevista ao Terra, ela afirmou que o caso evidencia como a violência contra a mulher pode ocorrer em qualquer ambiente, inclusive em espaços públicos e amplamente vigiados.

“É grave e é um crime”, declarou Cida ao afirmar que a desistência de Pedro do programa não encerra o episódio. “Acho muito ruim ele ter saído da forma como saiu, pedindo para deixar o programa. As autoridades agora estão tomando uma posição juridicamente”, afirmou. 

A desistência de Pedro do BBB26 não encerra as possíveis consequências legais do caso. Mesmo sem o registro de boletim de ocorrência por parte da vítima até o momento, a investigação pode prosseguir de forma independente. A Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, já instaurou um inquérito para apurar o episódio.

As imagens exibidas pela Globo, que mostram Pedro segurando Jordana pelo pescoço e tentando beijá-la à força dentro da despensa da casa, serão analisadas durante as apurações. O ex-participante também deverá ser intimado para prestar depoimento.  

Globo exibe confissão de Pedro após assédio e desistência do BBB 26:

Misoginia e influência das redes sociais

Para Cida Gonçalves, o caso reflete um cenário mais amplo de misoginia impulsionada pelas redes sociais. “A misoginia e o ódio que estão sendo estabelecidos pelas redes sociais autorizam esse tipo de ação, inclusive em público”, disse. Ela ressaltou que, historicamente, o assédio ocorre com mais frequência em ambientes privados, como o local de trabalho ou a escola.

“O que tem acontecido com os movimentos da 'machosfera' autoriza homens a fazerem isso até em uma casa com 70 câmeras, vigiada 24 horas por dia”, afirmou.

Cida também destacou a relevância de o episódio ter sido tratado publicamente, tanto pela emissora quanto pelas autoridades.

“A postura da Rede Globo é importante porque manda uma mensagem para a sociedade de que não se aceita sucesso a qualquer custo”, disse. Segundo ela, a visibilidade contribui para o amadurecimento do debate sobre violência e assédio contra a mulher. “Isso permite que a sociedade compreenda como o assédio acontece e de que forma ele se manifesta.”

Apesar disso, a ex-ministra demonstrou preocupação com o aumento do número de seguidores do ex-participante mesmo após o caso. “Isso faz parte da estratégia da machosfera. Eles tentam fortalecer figuras públicas para se consolidarem como um movimento que disputa valores na sociedade”, alertou.

Vídeo mostra Pedro tentando beijar Jordana no BBB 26:

Naturalização da violência 

Ao comentar tentativas de relativização do ocorrido, inclusive por parte de outros participantes do reality que reconheceram a gravidade do caso, mas disseram sentir dó de Pedro, Cida afirmou que comportamentos masculinos abusivos ainda são amplamente naturalizados. “O errado e o criminoso é o homem. Não é a postura da mulher”, disse. Segundo ela, a sociedade frequentemente “passa pano” para agressões cometidas por homens', mas "assédio é crime no Brasil. Não é não.”

Sobre o comportamento de Pedro após a recusa de Jordana, marcado por insistência e perseguição, a ex-ministra explicou que se trata de uma atitude comum entre agressores. “É um comportamento de quem quer controlar a vítima. Primeiro ele assedia, depois continua insistindo para ver se encontra outra brecha e também para tentar evitar que ela fale”, afirmou. Segundo ela, a saída do ex-participante ocorreu quando ele percebeu que seria julgado dentro da própria casa, independentemente da reação da vítima.

A ex-ministra defendeu que o caso deve ser analisado pela Justiça e também pela sociedade. Para ela, não se trata de linchamento público, mas de deixar claro que esse tipo de comportamento não é aceitável. Cida ressaltou ainda que homens não estão autorizados a agir dessa forma e que uma das estratégias dos agressores é insistir no assédio e tentar desacreditar a vítima.

O Terra tenta localizar a defesa de Pedro Henrique Espíndola. 

Pedro segurou Jordana pelo pescoço e tentou beijá-la à força dentro da despensa do reality show
Pedro segurou Jordana pelo pescoço e tentou beijá-la à força dentro da despensa do reality show
Foto:

Denúncia ainda é exceção entre vítimas

Cida destacou que episódios como esse devem servir de alerta e encorajamento para mulheres que sofrem violência fora das câmeras. “A maioria das mulheres não denuncia. Temos dados do 'Mapa do Assédio de 2024' que mostram que 92% não relatam o assédio a ninguém”, afirmou. Segundo ela, o silêncio intensifica o sofrimento. “A dor vira solitária.”

 Ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou a gravidade do caso de assédio no BBB 26 e criticou o aumento de seguidores de Pedro Espíndola nas redes sociais após o ocorrido
Ex-ministra das Mulheres, Cida Gonçalves, destacou a gravidade do caso de assédio no BBB 26 e criticou o aumento de seguidores de Pedro Espíndola nas redes sociais após o ocorrido
Foto: Portal Terra

A ex-ministra reforçou a importância da informação e da denúncia. “É fundamental que as mulheres saibam onde buscar ajuda. Ligue 180, procure o Ministério Público, as ONGs, o movimento feminista. Não fique quieta”, afirmou. “A sociedade precisa estar do lado das mulheres, não dos agressores.”

Logo após apertar o botão de desistência, o ex-brother confirmou que tentou beijar Jordana sem consentimento.

Em caso de violência contra a mulher, denuncie

Violência contra a mulher é crime, com pena de prisão prevista em lei. Ao presenciar qualquer episódio de agressão contra mulheres, denuncie. Você pode fazer isso por telefone (ligando 190 ou 180). Também pode procurar uma delegacia, normal ou especializada.

Saiba mais sobre como denunciar aqui .

Fonte: Portal Terra
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade