Por que agora é a Renault quem vai trazer a Geely ao Brasil?
Marca chinesa está de volta ao país depois de sete anos ausente (ela tentou emplacar por aqui entre 2014 e 2018) por meio de uma aliança
A Geely é mais uma marca chinesa que chega para ter forte operação no país. E sem começar do "zero", já que a parceria com a Renault vai permitir que muitas operações avancem de forma mais rápida
A Geely está de volta ao Brasil por meio de uma parceria estratégica com a Renault. O acordo, anunciado no começo de 2025, prevê produção e distribuição de modelos da marca chinesa utilizando a estrutura industrial e comercial da montadora francesa. O primeiro carro a chegar, em julho, será o SUV elétrico EX5, que você já conheceu neste início de quarta-feira.
Mas por quê a Renault? Segundo fontes ligadas à fabricante, justamente devido à vasta experiência e às capacidades produtiva e comercial da gigante francesa. Curioso é que isso também havia acontecido na primeira tentativa da Geely de entrar no mercado brasileiro, lá em 2013, quando utilizou a empresa tentou usar a estrutura do Grupo Gandini - também responsável pela operação da Kia. Naquela vez não deu certo.
Com o novo acordo, a Renault do Brasil passa a ser responsável por vender e até eventualmente fabricar os carros da Geely, que ainda terá participação minoritária na operação local da marca francesa.
A aliança tem como foco principal o desenvolvimento de modelos com baixas e zero emissões. Há grandes chances de os primeiros carros da Geely serem montados no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), que deverá passar a abrigar também a produção de modelos da marca chinesa.
A estratégia é aproveitar a capacidade instalada, hoje subutilizada de certo modo, ao mesmo tempo em que a Renault também poderá ampliar o portfólio de produtos eletrificados e avançados tecnologicamente.
Para a Geely, que já também possui participações em marcas como Volvo, Polestar, Lotus e Smart - além de ser dona da Zeekr e da Lynk&Co -, a parceria é uma forma interessante de entrar em um mercado importante como o brasileiro, com menor risco e investimento inicial reduzido.
Já para a Renault, o acordo contribui para otimizar sua operação no país, ao mesmo tempo em que reforça o posicionamento da empresa no segmento de mobilidade elétrica.
A parceria entre Renault e Geely faz parte de um movimento global das duas empresas, que já haviam anunciado a criação de uma joint-venture para o desenvolvimento de motores a combustão e híbridos. No Brasil, a união mira o avanço da eletrificação, mas com a flexibilidade de também poder atuar em outros segmentos e nichos de mercado.
Dessa forma, o consumidor brasileiro terá acesso a uma nova marca chinesa de carros eletrificados com forte presença global, sem que isso dependa da criação de uma operação do zero - como acontece no caso de empresas como GAC, Zeekr e Omoda&Jaecoo, por exemplo.
Para especialistas de mercado, a movimentação representa mais um passo na consolidação do país como peça estratégica na transição energética da indústria automotiva.
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