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Teste: em que o BYD Song Pro Flex evoluiu e o detalhe que ainda incomoda

SUV híbrido plug-in melhora na rodagem e no conforto, mas atraso na resposta do acelerador segue presente

31 ago 2026 - 20h08
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Resumo
O BYD Song Pro Flex chega ao Brasil com motorização híbrida plug-in flex, novo design e preços entre R$ 176.990 e R$ 199.990. Focado em eficiência, o modelo perdeu potência (até 219 cv) e aceleração, mas ganhou melhorias dinâmicas na suspensão, isolamento acústico superior e mais conectividade. Apesar do conforto ao rodar, os pontos negativos observados ficam por conta de um leve atraso na resposta do acelerador e da limitação a recargas lentas de apenas 6,6 kW.

O BYD Song Pro Flex chegou para ser uma alternativa entre os SUVs médios para quem quer um veículo que beba gasolina, etanol e ainda seja auxiliado pela propulsão elétrica. O novo modelo é uma atualização, o segundo carro da marca no Brasil equipado com motorização híbrida plug-in capaz de funcionar com etanol, gasolina ou eletricidade.

O lançamento sucede o Atto 2 Flex (veja o vídeo abaixo), apresentado anteriormente, e reforça a estratégia da fabricante de adaptar sua tecnologia eletrificada ao mercado brasileiro.

Além da adoção do sistema híbrido flex, o Song Pro recebeu mudanças no visual, novos equipamentos, atualizações na cabine além, claro, da nova geração da tecnologia híbrida flex. O preço passa de R$ 189.990 para R$ 176.990 na versão GL, de entrada, e permaneceu na faixa de R$ 199.990 na versão GS, que é a topo de linha.

Veja o vídeo do Atto 2 Flex:

As alterações mais visíveis estão no design. Na dianteira, o SUV passa a adotar a linguagem chamada de "Dragon Face", identidade visual utilizada pela linha Dynasty da fabricante. O conjunto inclui novos faróis, grade redesenhada e para-choque com desenho inédito. Na lateral, mudam o formato da coluna C e o desenho das rodas de 18 polegadas.

Por dentro, a cabine recebeu acabamento em black piano, painel redesenhado e um novo cluster integrado com a multimídia. Teto solar panorâmico também é uma novidade no modelo.

O que mudou?

Mas é sob o capô que está a maior novidade. O conjunto mecânico mantém o motor 1.5 a combustão trabalhando em conjunto com um motor elétrico. A potência combinada chega a 218 cv na versão GL e 219 cv na GS, enquanto o torque máximo é de 30 kgfm. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 8,6 segundos (GL) e 8,8 segundos (GS), com velocidade máxima de 180 km/h.

BYD Song Pro Flex 2027
BYD Song Pro Flex 2027
Foto: Divulgação | BYD / Estadão

Ou seja, ele perdeu potência e torque e, por consequência, ficou mais lento na aceleração de 0 a 100 km/h. O Song Pro híbrido flex ficou até 17 cv menos potente e perdeu 13 kgfm de torque em relação ao modelo que só rodava com gasolina. Já a aceleração piorou em quase 1 segundo, uma vez que a geração antecessora cumpria a prova até os 100 km/h em 7,9 segundos.

As duas versões possuem quatro modos de condução: Eco, Normal, Sport e Neve.

Falando em consumo, a versão GL registrou, no Inmetro, 12,1 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada quando abastecido com etanol. A mesma versão, com gasolina, faz 16 km/l na cidade e 13,9 km/l.

Na configuração topo de linha (GS), as médias são de 11,7 km/l na cidade com etanol e 10,5 km/l com o mesmo combustível na estrada. Já com gasolina, as médias sobem para 16 km/l na cidade e 13,9 km/l em rodovias.

As duas versões do novo Song Pro Flex utilizam baterias Blade, mas com capacidades diferentes. A GL recebe bateria de 13,1 kWh, enquanto a GS utiliza conjunto de 18,3 kWh. A autonomia elétrica declarada é de até 57 km na GL e 72 km na GS. Já a autonomia combinada no ciclo NEDC (chinês) chega a 1.075 km e 1.105 km utilizando gasolina, ou 775 km e 805 km com etanol, segundo a BYD.

BYD Song Pro Flex 2027
BYD Song Pro Flex 2027
Foto: Divulgação | BYD / Estadão

Novidades na cabine do BYD Song Pro

Outra mudança do Song Pro está na conectividade. A central multimídia de 12,8 polegadas passa a utilizar serviços do Google diretamente ao sistema do veículo. O SUV também mantém Apple CarPlay e Android Auto sem fio, atualização remota (OTA), comandos de voz "Hi BYD", pacote de dados 4G e sistema de som com oito alto-falantes.

Na versão GS há ainda carregador de celular por indução de 50 W com ventilação, além de teto solar panorâmico, sensor de chuva, retrovisor interno fotocrômico, vidros dianteiros laminados e pacote ampliado de assistentes à condução.

O Song Pro mantém seis airbags em todas as versões e oferece pacote de assistentes de condução (ADAS), incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, reconhecimento de placas de trânsito e farol alto automático. Na versão GS também estão disponíveis monitor de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem automática para tráfego cruzado e alerta de abertura de portas.

Um ponto negativo na cabine, ainda mais se considerar que o carro custa quase R$ 200 mil, é a falta de iluminação no porta-luvas.

BYD Song Pro Flex 2027
BYD Song Pro Flex 2027
Foto: Divulgação | BYD / Estadão

Impressões ao dirigir o BYD Song Pro Flex

Depois de andar com o Song Pro Flex, a impressão é de que a BYD conseguiu deixar o SUV mais equilibrado dinamicamente, mas sem abandonar a proposta de conforto e economia. Ou seja, ele deixou de ter aquele comportamento "mole" como alguns carros da concorrência — leia-se Geely EX5 — e passou a ter um conjunto de suspensão que deixa explorar mais certa "esportividade" do SUV.

A principal evolução em relação ao modelo anterior, porém, aparece nas curvas. O Song Pro anterior transmitia sensação de rolagem da carroceria - quando o motorista é jogado contra a porta em uma curva, por exemplo. No novo carro, essa movimentação diminuiu bastante.

Mesmo entrando mais forte em uma curva, o carro permanece controlado, sem aquela inclinação excessiva da carroceria. É uma mudança que melhora não apenas a sensação ao volante, mas também o conforto de quem está no banco do passageiro.

Atraso na aceleração

Contudo, nas primeiras acelerações, o que mais chama a atenção é um pequeno atraso na resposta do pedal do acelerador. Ao pisar mais forte, o carro demora um pouco para reagir — no teste, esse intervalo chegou a cerca de dois segundos. Depois que a resposta vem, porém, o comportamento é progressivo e o conjunto não entrega aquele tranco forte que poderia ser esperado de um carro com 30 kgfm de torque.

Ou seja, fica claro que o intuito da BYD não é despejar potência nas rodas dianteiras, mesmo com o modo "sport" ativado. A ideia é conquistar o consumidor que não tem a necessidade de extrair tudo o que os 219 cv de potência são capazes de entregar. Lembrando que esse carro ficou mais fraco, passando de 245 cv para 218 cv na versão de entrada.

Os engenheiros da BYD explicaram que a mudança reflete uma mudança de foco na versão flex do Song: a eficiência energética foi o alvo principal da fabricante. E por isso a potência foi reduzida.

E a sensação é exatamente esta. O Song Pro foi calibrado muito mais para rodar de maneira suave e econômica do que para entregar desempenho. O motor a combustão também permanece bastante discreto durante. Ou seja, não emite tanto ruído quanto outros modelos híbridos do mercado, o que pode ser um ponto positivo para quem busca um veículo com comportamento de elétrico.

Em uma das acelerações mais fortes realizadas durante o teste, ele só foi percebido com mais clareza depois que o carro ganhou velocidade. É como se o motor a combustão só entrasse para dar uma "turbinada" na condução.

E é nesse momento em que se percebe que o isolamento acústico é um dos pontos positivos. Na versão topo de linha GS, os vidros dianteiros possuem lâmina dupla, o que mitiga o ruído que entra na cabine. Como experiência acústica, é elogiável. Mesmo quando o motor a combustão entra em funcionamento, ele não invade a cabine de maneira exagerada. E é possível viajar confortavelmente mesmo quando o carro percorre rodovias a 120 km/h.

A parte ruim do Song Pro Flex híbrido plug-in é que ele só oferece a opção de carregamento lento, que suporta apenas 6,6 kWh de capacidade. E isso torna o carro menos atraente se você quiser um modelo que seja recarregado em pouco tempo. Apesar da bateria reduzida, de 13 e 18 kWh, ofertar apenas um tipo de recarga pode incomodar alguns consumidores.

Ficha técnica

  • Comprimento: 4,74 m
  • Largura: 1,86 m
  • Altura: 1,71 m
  • Entre-eixos: 2,71 m
  • Distância do solo: 160 mm
  • Porta-malas: 530 litros
  • Motor a combustão: 1.5 litro, com tração dianteira
  • Potência combinada: 218 cv (GL) e 219 cv (GS)
  • Torque: 30 kgfm
  • 0 a 100 km/h: 8,6s (GL) e 8,8s (GS)
  • Velocidade máxima: 180 km/h
  • Tanque: 52 litros
  • Bateria: 13,1 kWh (GL) e 18,3 kWh (GS)
  • Carregamento AC: 6,6 kW
BYD Song Pro Flex 2027
BYD Song Pro Flex 2027
Foto: Divulgação | BYD / Estadão
Estadão
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