Stellantis anuncia plano de R$ 350 bi e mais de 60 lançamentos até 2030
Chamado de Fastlane 2030, plano concentra investimentos nas marcas de maior escala do grupo e prevê mais de 60 lançamentos até o fim da década
A Stellantis anunciou nesta quinta-feira, 21, um novo plano estratégico global que promete redesenhar a atuação do grupo até o fim da década. Batizada de Fastlane 2030, a estratégia prevê investimentos de 60 bilhões de euros (cerca de R$ 350 bilhões em conversão direta) para acelerar o crescimento da companhia, aumentar a eficiência operacional e concentrar esforços em marcas com maior escala e potencial de rentabilidade.
O anúncio foi feito por Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, durante o Investor Day realizado na sede americana da empresa, em Auburn Hills, no estado de Michigan, nos Estados Unidos. O executivo apresentou o plano como uma resposta direta aos desafios de um setor pressionado por eletrificação, custos industriais mais altos, concorrência chinesa e mudanças profundas no comportamento dos consumidores.
Stellantis terá marcas prioritárias
A principal mudança está na organização do portfólio de marcas. Jeep, Ram, Peugeot e Fiat passam a ser tratadas como marcas globais dentro da Stellantis e receberão prioridade nos investimentos, lançamentos e desenvolvimento de produtos. Juntas, elas serão destino de 70% dos aportes previstos até 2030.
Desse modo, a Stellantis passa a concentrar sua força financeira e industrial nas marcas com maior alcance comercial e capacidade de gerar volume em regiões distintas. Jeep e Ram puxam a operação na América do Norte, enquanto Fiat e Peugeot sustentam boa parte da presença do grupo na Europa e na América Latina, incluindo mercados como o Brasil.
As demais marcas passam a ter papel menor dentro da estrutura do conglomerado. Chrysler, Dodge, Citroën, Opel e Alfa Romeo serão tratadas como marcas regionais, com atuação direcionada a mercados específicos. Além disso, Lancia e DS terão gestão vinculada a Fiat e Citroën, respectivamente, em uma tentativa de reduzir sobreposições dentro de um grupo que nasceu, em 2021, da fusão entre FCA e PSA.
A Stellantis quer ainda fortalecer a Maserati como marca de luxo e garante que sua brand terá dois novos veículos de grande porte. Um roadmap detalhado será apresentado em Modena, em dezembro.
Stellantis lançará mais de 60 carros até 2030
O Fastlane 2030 também prevê uma ofensiva ampla de produtos. Até o fim da década, a Stellantis promete lançar mais de 60 veículos inéditos e realizar 50 atualizações significativas em sua linha global. A lista inclui 29 modelos elétricos, 15 híbridos plug-in ou elétricos de autonomia estendida, 24 híbridos convencionais e 39 veículos a combustão ou híbridos leves.
A Stellantis informou ainda que mais de 24 bilhões de euros, ou 40% dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e CapEx do período, serão direcionados a plataformas globais, sistemas de propulsão e novas tecnologias. Uma das bases será a nova STLA One, arquitetura modular desenvolvida para ampliar a padronização e a competitividade dos veículos do grupo.
Três plataformas
A meta da empresa é que, até 2030, metade dos volumes globais anuais seja produzida sobre três plataformas globais, incluindo a STLA One. No mesmo período, quase 50% dos volumes globais deverão contar com soluções de propulsão multirregionais, reforçando a estratégia de oferecer diferentes tecnologias conforme a demanda e a infraestrutura de cada mercado.
Outro ponto importante do Fastlane 2030 está nas parcerias. A Stellantis pretende fechar acordos para complementar seus pontos fortes, reduzir custos, dividir desenvolvimento e ganhar acesso a novos mercados. Entre os exemplos estão a Leapmotor, da qual a Stellantis controla 51% da operação internacional, a chinesa Dongfeng, a Tata e a JLR, com quem o grupo avalia sinergias de produto e tecnologia nos Estados Unidos.
Segundo Filosa, o plano foi construído após meses de trabalho interno e tem como objetivo sustentar um crescimento rentável no longo prazo.
"O Fastlane 2030 é o resultado de meses de trabalho disciplinado em toda a empresa e foi concebido para impulsionar um crescimento rentável a longo prazo. Com o cliente no centro de tudo o que fazemos, o plano concretizará o nosso propósito — mover as pessoas por meio de marcas e produtos que elas amam e em que confiam — impulsionado pela nossa combinação única de pontos fortes", afirmou o executivo.
A Stellantis também promete acelerar seu ritmo interno. O ciclo de desenvolvimento de veículos deve cair para 24 meses, contra até 40 meses atualmente. Na área de custos, o programa Value Creation Program mira uma redução anual de 6 bilhões de euros até 2028, tomando 2025 como base.
América do Sul e Brasil
A nova estratégia também marca uma guinada importante em relação à fase anterior da Stellantis. Depois de anos tentando equilibrar um portfólio muito amplo, com marcas de perfis distintos e presença desigual nos principais mercados, a companhia passa a admitir de forma mais clara quais bandeiras terão protagonismo global e quais terão atuação mais restrita.
Para a América do Sul, o plano traz metas específicas. A Stellantis mira crescimento de receita de 10% e margem operacional ajustada entre 8% e 10% na região, apoiada principalmente na liderança que já exerce no Brasil e na Argentina. A empresa também antecipa uma ofensiva de picapes, além da expansão em outros países sul-americanos.
Para o Brasil, o plano tem impacto direto. Fiat e Jeep são duas das marcas mais fortes da Stellantis no País e sustentam boa parte da liderança do grupo no mercado nacional. Com ambas elevadas ao status de marcas globais, a tendência é que a operação brasileira siga com papel fundamental no desenvolvimento, produção e adaptação de produtos para mercados emergentes.
Por outro lado, a situação da Citroën no País é incerta. A companhia cita que a marca passa a ser "regional", mas não detalha se os produtos da francesa continuarão a ser produzidos e comercializados no Brasil.
Para fechar, a priorização de Fiat, Jeep, Peugeot e Ram indica que essas marcas devem concentrar as principais novidades do grupo por aqui nos próximos anos. O plano também reforça que a companhia seguirá combinando eletrificação, motores a combustão, híbridos e tecnologias regionais conforme a demanda de cada mercado.
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