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Stellantis quer produzir carros chineses na França e amplia parceria com Dongfeng na Europa

Acordo prevê venda de elétricos da Voyah na Europa e possível produção na França, em movimento que reforça a presença chinesa na indústria europeia

22 mai 2026 - 20h43
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A Stellantis anunciou nesta quarta-feira (20) a intenção de ampliar sua parceria com a chinesa Dongfeng por meio da criação de uma nova joint venture na Europa voltada a veículos de nova energia (NEVs). O plano prevê atuação conjunta em vendas, distribuição, produção, compras e engenharia, além da possibilidade de fabricar modelos chineses na fábrica de Rennes, na França.

Pelo memorando de entendimento assinado entre as empresas, a nova operação seria liderada pela Stellantis, com participação de 51%, enquanto a Dongfeng ficaria com os 49% restantes. A joint venture será responsável, inicialmente, pela comercialização dos veículos elétricos premium da marca Voyah — pertencente ao grupo chinês — em mercados europeus selecionados.

Redução de custos com atuação conjunta

Além das operações comerciais, a parceria concentrará atividades conjuntas de compras e engenharia, aproveitando a cadeia de fornecimento e o ecossistema de eletrificação desenvolvidos pela indústria automotiva chinesa. A estratégia busca combinar a presença global da Stellantis com a capacidade tecnológica da Dongfeng no segmento de veículos eletrificados.

Outro ponto relevante do acordo é a possibilidade de instalar a produção de modelos da Dongfeng na fábrica de Rennes. A medida ainda está em estudo, mas segue a tendência observada no mercado europeu de ampliar a fabricação local para atender exigências regulatórias e critérios ligados ao "Made in Europe".

Movimento do setor

O acordo da Stellantis com a Dongfeng não é um caso isolado. Segundo o site especializado Carscoops, montadoras tradicionais da Europa, como Ford e Nissan, também negociam a venda ou transferência de fábricas para empresas chinesas em países como Espanha, França, Alemanha e Itália. Se os acordos se concretizarem, essas unidades industriais devem passar às mãos de conglomerados chineses.

A própria Stellantis concentra dois movimentos nesse sentido: além do acordo com a Dongfeng, a empresa anunciou que o próximo veículo elétrico da Opel utilizará plataforma da chinesa Leapmotor, e que alguns modelos da parceira serão produzidos na fábrica de Villaverde, em Madri. A companhia ainda avalia transferir a propriedade da unidade espanhola para a subsidiária local da joint venture com a Leapmotor.

Outras fabricantes seguem o mesmo caminho. A chinesa Chery adquiriu em 2023 uma antiga fábrica da Nissan em Barcelona, com capacidade para produzir até 200 mil veículos por ano. A Nissan, por sua vez, estaria considerando vender sua planta de Sunderland, no Reino Unido, para a própria Chery ou para a Dongfeng.

A Ford avalia transferir uma linha de montagem em Valência, na Espanha, para a Geely, onde poderiam ser produzidos veículos híbridos e elétricos. Até a Volkswagen considera ampliar a integração com parceiros chineses, incluindo a possibilidade de importar ou fabricar modelos desenvolvidos na China para o mercado europeu.

Analistas do setor alertam que a estratégia, embora ajude a evitar o fechamento de plantas industriais em meio à crise da indústria automotiva europeia, tem um custo. O especialista Bernard Jullien resume o dilema: vender fábricas para grupos chineses pode parecer mais atraente do que fechá-las, mas representa fortalecer concorrentes cada vez mais agressivos no coração do próprio mercado europeu.

O movimento se intensifica em um momento em que a União Europeia discute tarifas sobre veículos elétricos fabricados na China e em que regulações do tipo "Made in Europe" ganham peso político. Produzir localmente deixa de ser apenas uma vantagem logística e passa a ser, para as montadoras chinesas, um requisito de acesso ao mercado — o que explica o interesse em absorver estruturas industriais já consolidadas no continente.

Na prática, o cenário reforça a aproximação entre montadoras ocidentais e fabricantes chinesas em meio ao avanço dos veículos elétricos e à disputa por competitividade no mercado global. Nos últimos anos, a indústria chinesa ganhou espaço na eletrificação, enquanto grupos tradicionais buscam acelerar o acesso a tecnologias, plataformas e cadeias produtivas já consolidadas no país asiático.

Três décadas de parceria e novos planos para a China

A nova joint venture também aprofunda uma relação que já dura mais de três décadas. No início deste mês, Stellantis e Dongfeng anunciaram o fortalecimento da Dongfeng Peugeot Citroën Automobile (DPCA), operação conjunta na China que passará a produzir novos modelos Peugeot e Jeep com tecnologia de veículos de nova energia na fábrica de Wuhan a partir de 2027, voltados ao mercado interno e à exportação.

Desde sua criação, a DPCA já produziu mais de 6,5 milhões de veículos das marcas Peugeot e Citroën na China, tanto para o mercado doméstico quanto para o externo. A implementação da nova joint venture europeia, porém, ainda depende da assinatura dos acordos definitivos e das aprovações regulatórias necessárias.

O avanço das montadoras chinesas também se intensifica no Brasil. A Dongfeng já confirmou sua chegada ao país e deve utilizar estruturas industriais da Nissan no complexo de Resende (RJ), com início de produção previsto para 2027. O movimento reforça a estratégia global das fabricantes chinesas de expandir presença internacional não apenas por exportações, mas pela ocupação de estruturas produtivas já consolidadas.

Estadão
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