Por que nomes 'estranhos' como Toyota bZ4X serão cada vez mais comuns
Entenda o significado do nome do SUV elétrico e por que montadoras como Toyota, Volvo e marcas chinesas apostam em códigos alfanuméricos
"Nome esquisito"; "é o nome de um vírus?"; "benze quatro vezes". Essas foram algumas das reações dos leitores do Jornal do Carro ao verem o novo Toyota bZ4X. O primeiro Toyota elétrico chegou oficialmente ao Brasil no último dia 26 e, além do preço de R$ 419.990, o que mais chamou a atenção do público foi o nome.
É uma construção diferente, afinal, ele começa com letras minúsculas, tem um número no meio e termina com um "X" maiúsculo. Para o público já acostumado com nomes fortes, como Corolla ou Hilux, a nova nomenclatura causa estranheza.
Apesar de parecer diferente, a própria Toyota já usa estruturas semelhantes em seus veículos, embora a lógica da construção dos nomes seja um pouco diferente. SW4 e RAV4 são ótimos exemplos.
SW vem de Station Wagon, que nós chamamos de perua. Isso remete às primeiras versões do modelo, que tinham carroceria de perua. Já o número 4 faz referência à tração 4x4.
No RAV4, o número também se refere à tração integral. Já as letras são uma sigla para Recreational Active Vehicle — ou "veículo para atividades recreativas", em tradução livre.
Tempo de adaptação
Para a Toyota, o estranhamento inicial do público é apenas falta de costume com um produto que está sendo introduzido.
O bZ4X ainda é uma novidade dentro do portfólio, não só pelo seu nome, mas por apresentar ao público brasileiro os elétricos da marca. A ideia é que o público se acostume com o tempo, assim como aconteceu com outros modelos.
"A sigla deixará de ser um código para se tornar mais um nome forte e sinônimo de referência no mercado", afirma o diretor comercial da Toyota.
Uma estratégia global
Explicar o significado do nome talvez não o torne menos estranho. E, mesmo existindo a possibilidade de alterá-lo para uma região específica — o SW4, por exemplo, chama-se Fortuner na Ásia —, a Toyota optou por mantê-lo assim em todo o mundo.
Nomes diferentes podem ter significados distintos em outras línguas. Assim, utilizar uma nomenclatura composta apenas por letras e números ajuda a evitar essas inconsistências. E essa estratégia está longe de ser recente.
A Volvo, por exemplo, trabalha com nomes assim desde os primórdios. O primeiro carro da montadora foi o ÖV4, lançado em 1927.
"ÖV4 vem do sueco 'Öppen Vagn', algo como 'veículo aberto'. O quatro era porque tinha quatro lugares. Então seria o 'carro aberto de quatro lugares'", explica Vinicius Garritano, gerente de produto da Volvo Car Brasil. "Depois veio o PV444, de PersonVagn, ou 'carro pessoal'. O '444' significa quatro lugares, quatro cilindros e 40 hp."
Os nomes da Volvo passaram por mudanças até chegar ao padrão atual, que começou na década de 1990 com o V70: V para designar que era uma perua e 70 indicando a linha do carro. O best-seller da marca, o XC60, também segue a mesma lógica, com XC significando Cross Country.
Na Volvo, a escolha por nomes assim segue o mesmo princípio de padronização do bZ4X: "Seguindo esse padrão que temos hoje, temos um carro universal. A pronúncia pode até mudar, mas o nome será o mesmo no mundo todo."
Quem também utiliza essa estratégia são as marcas chinesas. Boa parte dos carros novos que vêm da China tem nomes compostos por números e letras: Leapmotor C10, Zeekr 001, GWM Haval H6, entre outros.
A GWM, por exemplo, optou por renomear o Ora Good Cat como Ora 03 no Brasil. Já para a sua versão SUV, o Ora 05, a temática de felinos foi abandonada até mesmo na China, padronizando a nomenclatura.
Isso mostra que os nomes alfanuméricos não são exatamente uma tendência de uma região ou país específico, mas uma forma mais fácil de criar uma identidade global para o produto. E isso não deve acabar com os nomes próprios dos carros.
"Mais do que uma tendência regional, o uso de códigos alfanuméricos reflete a busca global por uma linguagem técnica universal para veículos elétricos. [...] No futuro, acreditamos que o mercado caminhará para um equilíbrio, onde conviverão siglas técnicas para determinados produtos com nomes consagrados e que já carregam uma forte conexão emocional com o cliente como, por exemplo, Corolla, que passam a dar nome a famílias de produtos", conclui o Diretor Comercial da Toyota, Maurílio Pacheco.
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