Nissan vai vender no Brasil carro desenvolvido na China, confirma CEO global
Ivan Espinosa promete até 2027 o lançamento de modelos eletrificados criados pela marca japonesa na China
Para conter a queda de mercado no Brasil diante do avanço das montadoras chinesas, a Nissan anunciou que venderá no país veículos desenvolvidos em sua operação na China. O CEO global da empresa, Ivan Espinosa, confirmou a chegada de seis novos carros e três tecnologias de eletrificados na América Latina. A região é estratégica para a companhia, representando cerca de 15% das suas vendas e 25% da produção global, que aposta na tecnologia chinesa para acelerar seu portfólio no mercado local.
A vida da Nissan não está fácil. Apertada no meio da batalha entre marcas tradicionais e novas concorrentes chinesas, a empresa viu sua participação no mercado brasileiro de veículos encolher para de 3,1% entre janeiro e julho do ano passado para 2,7% no mesmo período de 2026.
Ainda assim, o CEO global, Ivan Espinosa, garante que a empresa prepara uma reação: "Temos os elementos para nos defender do que estamos passando no Brasil", diz, em referência ao avanço das marcas chinesas. "Vemos o crescimento, com competidores que chegam de forma rápida e dinâmica. Mas temos mais de 20 anos operando na China, então não é algo novo para nós."
Ele conta que a empresa trabalha para acelerar seus processos de desenvolvimento e já colhe resultados no país asiático. Por lá, as vendas de carros híbridos plug in da Nissan cresceram 140%. Agora, a promessa é lançar modelos criados lá com novas tecnologias no Brasil.
Carro chinês da Nissan no Brasil
"Podem esperar que vocês verão produtos novos na América Latina. São novas tecnologias que foram desenvolvidas pelos nossos engenheiros na China e complementadas pelo nosso conhecimento global", promete.
O executivo aponta que o plano é lançar seis novos carros e três novas tecnologias de eletrificados na América Latina, e confirma, pela primeira vez, que a companhia venderá no Brasil modelos desenvolvidos na China.
Há grande especulação sobre uma possível parceria local entre a companhia e a Dongfeng - DFM. Em entrevista no início de agosto, o CEO regional da empresa chinesa para as Américas, Wang Jiong, afirmou que mantém negociações tanto com a Nissan quanto com a Stellantis para viabilizar uma operação industrial no País.
Questionado sobre o tema, Espinosa tergiversa: por enquanto não há nada de concreto, apenas a parceria global que já está em curso entre as duas companhias.
Batalha comercial entre México e EUA afeta a Nissan
A política comercial dos EUA também foi um assunto da conversa com Espinosa, que é mexicano. Diante das recentes tensões, ele se ateve a dizer que a empresa "está em contato com os governos para ter condições para um produto competitivo".
O executivo também ressaltou que um produto de valor acessível, o famoso carro de entrada, é vantajoso tanto para a marca como para o país, o que pode fazer com que as negociações sejam mais amigáveis.
Vale ressaltar que a América Latina segue sendo um pilar importante para a expansão da marca. A região abrange 39 mercados e responde por quase 15% das vendas globais da empresa e aproximadamente 25% de sua produção mundial. Além disso, 87% da produção feita na região é comercializada na próxima latino américa.
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