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Como 99 e iFood querem construir a 'BYD das motos elétricas' no Brasil

Empresas deixam de investir apenas na eletrificação das frotas para criar uma cadeia industrial, que inclui desenvolvimento e produção de motocicletas

2 ago 2026 - 09h00
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A eletrificação das motos no Brasil pode ganhar um impulso parecido com o que a BYD deu ao mercado de carros elétricos. Mas, desta vez, quem está puxando o movimento não é uma montadora tradicional.

Em vez de simplesmente comprar motocicletas para abastecer suas frotas de entregadores e motoristas, 99 e iFood, dentre outras empresas, decidiram atacar um problema maior: a falta de uma indústria — ou o fato de existirem iniciativas ainda muito incipientes — preparada para produzir motos elétricas adaptadas à realidade brasileira.

600 mil motos elétricas

A estratégia passa pela criação de um fundo de investimentos administrado pela YvY Capital, que pretende captar R$ 304,5 milhões. Com esse montante, as empresas pretendem financiar projetos que, segundo elas, poderão destravar, posteriormente, mais de R$ 5 bilhões em investimentos industriais na próxima década.

O objetivo é colocar 600 mil motocicletas elétricas em circulação até 2035, além de criar uma cadeia produtiva nacional envolvendo baterias, motores, eletrônica embarcada, infraestrutura de troca de baterias e até novas fábricas.

Produção nacional ainda está em estudo

Na entrevista, muito se falou em montar uma fábrica no país. Contudo, o fundo (Yvy Capital) também ainda não definiu onde deverá nascer essa futura cadeia industrial. A Zona Franca de Manaus aparece naturalmente como uma das candidatas, mas não é a única.

Segundo Bruno Aranha, estados como São Paulo e Santa Catarina também estão sendo avaliados. Outro ponto ainda em aberto é o grau de nacionalização.

A tendência é que o projeto comece utilizando componentes importados e, gradualmente, incorpore fornecedores brasileiros conforme o mercado ganhar escala.

"Não acreditamos em um modelo estático. O caminho natural é começar com maior dependência externa e aumentar o conteúdo nacional à medida que a produção cresce", define Aranha.

O foco é renda, não apenas sustentabilidade

Tudo isso parece muito lindo na teoria, mas falta a prática de convencer os profissionais que ficam sentados horas e horas em cima de uma motocicleta para ganhar a vida. Hoje existem cerca de 30 milhões de motos em circulação no Brasil. Desse total, aproximadamente 3 milhões geram renda em plataformas de entrega e transporte, o que corresponde a aproximadamente 10% da frota.

Segundo os dois executivos, são justamente esses usuários que mais podem se beneficiar da redução dos custos operacionais. Segundo estimativas da própria iniciativa, motos elétricas podem reduzir entre 30% e 60% os gastos com combustível e manutenção.

"O benefício ambiental é importante, mas existe outro igualmente relevante: aumentar a renda líquida do entregador e do motociclista profissional", resume Hipólito.

Estadão
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