Ferrari Luce bate meta anual de vendas em apenas dois meses, apesar do visual controverso
Primeiro elétrico da Ferrari conquista chineses e profissionais da tecnologia e vende cerca de 500 unidades, segundo fontes
Mesmo com tantas reclamações na internet a respeito do design, na vida real, a Ferrari já atingiu a meta de vendas da Luce para 2026. Duas fontes anônimas familiarizadas com o assunto ouvidas pelo Financial Times apontam que a montadora estabeleceu um teto de pouco menos de 500 unidades do carro elétrico. Os veículos foram comprados, em sua maioria, por clientes chineses e americanos.
De acordo com uma das fontes, a meta foi atingida no início de julho, cerca de dois meses após o anúncio oficial do modelo. Até 2030, a Ferrari pretende vender 2.500 unidades da Luce, o que representa uma média de aproximadamente 600 carros por ano, equivalente a cerca de 5% das vendas anuais da montadora italiana.
Pouco depois da estreia polêmica, Galliera deixou a Ferrari e foi substituído por um ex-executivo da BMW. A marca, no entanto, afirmou que sua saída não teve relação com a recepção do modelo elétrico.
Luce foi criada para conquistar novos clientes
Na prática, a estratégia da Ferrari com a Luce era conquistar novos clientes, especialmente consumidores chineses de alta renda, já familiarizados com carros de luxo, além de profissionais ligados aos polos de tecnologia, como o Vale do Silício.
No início do mês, a imprensa chinesa informou que o modelo havia esgotado no país, registrando 88 unidades vendidas em poucos dias. É um número expressivo, considerando tratar-se de uma Ferrari e de um modelo mais caro do que seus concorrentes locais.
Recepção polêmica
Desenhada por Jony Ive, designer conhecido por seu trabalho na Apple, a Luce reúne diversas características incomuns para uma Ferrari. Ela é mais alta do que os demais modelos produzidos em Maranello, traz rodas de 24 polegadas, portas traseiras com abertura invertida ("suicidas"), cinco lugares, linhas arredondadas e um visual menos agressivo do que o tradicionalmente adotado pela marca.
As críticas e piadas vieram de diferentes frentes, desde concorrentes até ex-executivos da própria Ferrari. Como consequência, as ações da empresa negociadas na Bolsa de Milão caíram mais de 8% logo após a apresentação do modelo.
O Jornal do Carro pôde ver o veículo de perto durante o Festival de Goodwood, na Inglaterra, e concluiu: ele não é tão feio quanto dizem, mas também não parece uma Ferrari.
A Luce também será protagonista de outro importante evento do mundo automotivo. A unidade de produção número 1 será leiloada durante a Monterey Car Week, realizada entre os dias 7 e 16 de agosto, nos Estados Unidos.
A Sotheby's, organizadora do leilão, espera arrecadar cerca de US$ 1,1 milhão com a venda do veículo. Todo o valor será destinado à caridade.
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