Avaliação: Volkswagen Nivus GTS é o carro certo na “hora errada”
Rodamos uma semana com o Novo Nivus GTS, um carro com mais potência e proposta esportiva, mas… por que demorou tanto?
Uma semana com o Volkswagen Nivus GTS foi suficiente para que confirmássemos o que já havíamos sentido no primeiro contato, na pista do Autódromo Capuava (SP). O carro é bom, muito bom. Com 150 cv de potência, motor 250 TSI 1.4 e alguns ajustes esportivos, o Nivus GTS é o carro certo… mas na “hora errada”.
Por que na “hora errada”? Porque demorou demais para chegar. Como sempre, a Volkswagen foi muito conservadora na oferta de versões e levou meia década para entregar o que todo mundo pedia já no lançamento do Nivus, em 2019. O crossover cupê sempre foi bom, mas até sua silhueta sugeria uma versão mais potente e esportiva.
Antes de falar sobre o porquê da demora, vamos falar do carro. O Nivus GTS é um Grã-Turismo compacto, ou seja, um carro estradeiro, que entrega bom desempenho e conforto, mas não é nervoso ou duro, como um esportivo puro. Ele está no primeiro nível de esportividade da Volkswagen, que rejeita o termo “esportivado”.
Faz sentido. Afinal, ao contrário do Chevrolet Tracker RS, por exemplo, que é um SUV crossover apenas com design esportivo, o Nivus teve melhorias na suspensão, nos freios e na direção. Portanto, ele se diferencia do restante da linha. É bom de curvas, mesmo em velocidade, no mesmo nível do Fiat Fastback Abarth, outro cupê esportivo de quatro portas, porém mais potente.
Num comparativo, Nivus GTS e Fastback Abarth oferecem a mesma proposta, porém com diferenças em potência, consumo etc. Nossa impressão é que o Nivus GTS é mais conservador, mas isso não o deprecia. E ele também tem um bom porta-malas de 415 litros – acomoda melhor a bagagem, por exemplo, do que o badalado BYD Song Plus, que é muito maior.
A condução do Nivus GTS é suave. Não é um foguete, mas o ronco do motor de 4 cilindros 250 TSI é muito mais agradável do que o do 3 cilindros 200 TSI. Com etanol, ele tem 22 cavalos a mais; com etanol, a diferença é de 34 cv. Ao contrário do Nivus 200 TSI, o Nivus GTS tem a mesma potência (150 cv) com gasolina e com etanol.
Aliás, nossa impressão é que a Volkswagen olhou para seu próprio cliente (do Nivus) e não da concorrência (Fastback) ao criar o Nivus GTS, oferecendo um carro mais rápido para os fãs do Nivus que desejam um upgrade de potência. E com uma relação peso/potência muita boa de apenas 8,4 kg/cv.
O motor 1.4 turbo caiu como uma luva no Volkswagen Nivus. O torque de 250 Nm é entregue em giros baixos e isso garante força suficiente para rápidas uultrapassagens na estrada. Rodando na cidade, basta uma pequena pisada no pedal do acelerador para que ele recupe velocidade, graças à entrega de torque total a partir de 1.500 giros.
Também é admirável a aceleração de 0 a 100, que ele faz em bons 8,4 segundos. E o melhor: não sentimos turbo lag (retardo na resposta do turbocompressor), que é um problema superado pela Volkswagen. O câmbio automático de 6 marchas com borboleta também é rápido o suficiente. Tudo isso, na prática, se traduz em prazer ao dirigir, com menos vibrações e prontas respostas às solicitações do condutor.
Outro ponto de destaque é a multimídia VW Play. Embora o Volkswagen Nivus tenha sido um dos pioneiros nessa questão do carro “inteligente” e “conectado”, a multimídia da época não era nota 10. Agora é. Parece adivinhar o que o usuário quer fazer.
Rodamos somente com etanol e a economia foi de 8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, chegando a 11 km/l em trechos muito favoráveis e em ritmo moderado. Se for colocado lado a lado com o Fastback Abarth, o Nivus GTS vai perder na aceleração e ganhar no consumo; então é escolha de cada comprador.
O Nivus GTS é uma boa compra; mais do que isso, uma compra segura. É o carro certo tanto para andar na cidade como para viajar, mas chegou muito tarde. Nossa teoria é que a Volkswagen não quis canibalizar o T-Cross Highline, que sempre teve o motor 250 TSI. Antes do Nivus GTS a Volks apostou no Polo GTS e no Virtus GTS, bons carros, mas talvez sem o carisma do crossover cupê.
Meia década perdida e agora o Volkswagen Nivus GTS chega num momento em que as atenções dos consumidores estão mais voltadas para carros híbridos do que para esportivos (e dentro de casa para o Tera). Tomara que esse atraso não prejudique suas vendas. Seria injusto. O Nivus GTS 2026 custa R$ 174.990.