Tales of Berseria Remastered preserva o capítulo mais ousado da série
Nova versão mantém a força da narrativa e adiciona recursos que facilitam a jornada
Entre os capítulos mais sombrios da franquia Tales of, Berseria sempre ocupou um lugar próprio. Lançado originalmente como um contraponto mais denso dentro da série, o jogo apostou em uma protagonista movida por dor e raiva, fugindo do heroísmo tradicional que marcou outros títulos da marca.
Agora com uma nova versão, Tales of Berseria retorna preservando aquilo que sempre foi seu maior destaque, a trajetória de Velvet Crowe. A nova edição mantém a narrativa intacta, mas incorpora ajustes que buscam tornar a experiência mais acessível para quem está conhecendo essa história pela primeira vez.
Em busca de vingança, agora remasterizado
A história de Tales of Berseria, para quem não conhece, é um dos pontos mais sombrios de toda a série Tales of. Na pele de Velvet Crowe, que até pouco tempo era uma pessoa bondosa, vemos sua transformação em alguém consumida por raiva e ódio após um evento traumático que a fez perder todas as emoções boas com a morte de seu irmão, no acontecimento conhecido como Noite Escarlate.
Com isso em mente, a jornada de Velvet ao longo do jogo é sobre sua busca por vingança e também por autodescoberta, tentando recuperar antigos sentimentos enquanto usa esse ódio como combustível para seguir em frente ao lado de seu grupo. Personagens como Laphicet e a bruxa Magilou ajudam a compor essa equipe que, aos olhos da sociedade de Midgand, está mais para anti-heróis do que para mocinhos. Mesmo vistos com desconfiança, são os únicos capazes de deter Artorius e seu grupo de exorcistas espalhados pelo reino.
Por ser apenas uma remasterização, a história continua intacta, sem adições ou alterações, e isso não é um ponto negativo. Comparado a outros Tales of, especialmente quando colocado ao lado de Arise, Berseria tem uma trama mais chamativa. Histórias de vingança já são um clichê nos jogos e, para muitos, algo repetitivo. Ainda assim, Berseria é um dos poucos em que essa motivação faz sentido dentro da construção da personagem.
Em determinado momento, a vingança começa a dividir espaço com outras emoções, à medida que Velvet passa a demonstrar mudanças ao longo da jornada. Além disso, o título também funciona como prelúdio de Tales of Zestiria, ambientado mil anos antes desse capítulo da franquia.
Falando especificamente do lado remaster, esta versão é basicamente o mesmo jogo, com algumas melhorias visuais pouco perceptíveis. Isso fica mais evidente nas cenas em anime, onde a resolução parece um pouco abaixo do restante, embora continuem muito boas de assistir. Durante a jogabilidade, a resolução está mais nítida e o desempenho geral também é perceptivelmente melhor. A principal mudança, no entanto, está no foco em tornar o jogo mais acessível para novos jogadores.
Essas adições ficam claras logo no início, com a loja de Grau agora disponível desde o começo, algo que antes só era liberado após terminar o jogo e iniciar um New Game Plus. Com ela, é possível ativar bônus como dobrar o Gald, ganhar mais experiência e outros modificadores que facilitam a progressão. Também há opções para aumentar o desafio, como reduzir a experiência pela metade ou enfrentar inimigos mais fortes durante a exploração.
Outro ponto que deve agradar os fãs brasileiros de JRPG é a inclusão de legendas em português do Brasil. A localização vai além dos textos principais e menus, com tipografia adaptada ao estilo do jogo, tornando a leitura agradável. O trabalho de tradução também se mostra competente, especialmente considerando a quantidade de nomes próprios e termos específicos presentes na narrativa.
Na jogabilidade e exploração, as melhorias são quase imperceptíveis, com exceção da velocidade da personagem ao visitar novas áreas, que está mais rápida em comparação à versão original. Isso ajuda a tornar a exploração menos cansativa, algo importante em um jogo com mapas amplos.
O combate permanece inalterado, mantendo o tradicional sistema de Ars característico da série. Para quem não conhece, ele funciona a partir da escolha de uma sequência específica de golpes que a personagem e seus aliados podem executar. Alguns combos consomem as almas disponíveis, criando uma dinâmica que mistura estratégia e ação, quase como um jogo por turnos, mas em um ritmo mais dinâmico. Se o medidor de almas se esgota, os ataques ficam mais lentos e o personagem se torna vulnerável, podendo ter a guarda quebrada e sofrer dano com mais facilidade.
Entretanto, a acessibilidade adicional acaba impactando diretamente a exploração e o combate. A possibilidade de salvar a qualquer momento, por exemplo, reduz a importância dos pontos de salvamento espalhados pelo mapa. Embora seja uma escolha do jogador utilizar ou não as facilidades disponíveis na loja de Grau, ativar modificadores logo no início pode deixar muitos combates fáceis demais, diminuindo o peso do desafio originalmente proposto.
Considerações
Tales of Berseria continua sendo um dos enredos mais interessantes da série. A jornada de Velvet, seu conflito interno e o grupo formado por figuras como Laphicet e Magilou sustentam a aventura com personalidade própria. A adição das legendas em português do Brasil também é um avanço importante, ampliando o alcance para o público nacional.
Por outro lado, as facilidades introduzidas nesta versão podem alterar o impacto de certos sistemas. A loja de Grau liberada desde o início e a possibilidade de salvar a qualquer momento reduzem o peso de algumas decisões e da progressão original. Ainda assim, para quem nunca jogou, esta é uma porta de entrada confortável para um dos capítulos mais marcantes da franquia.
Tales of Berseria Remastered já está disponível para PC, PlayStation 5, Switch e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bandai Namco.