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Castlevania: Belmont's Curse entrega o retorno que a franquia precisava há anos

Protagonizada por Rose Belmont, aventura em 2D equilibra o mistério dos jogos clássicos com travessia dinâmica e poderes de chefes

16 out 2026 - 15h55
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Castlevania: Belmont's Curse entrega o retorno que a franquia precisava há anos
Castlevania: Belmont's Curse entrega o retorno que a franquia precisava há anos
Foto: Reprodução / Konami

Faz bastante tempo que os fãs de Castlevania esperavam por um jogo inédito capaz de fazer jus ao peso desse nome. Enquanto a franquia se manteve em evidência nos últimos anos graças às coletâneas, participações especiais e ao sucesso da animação na Netflix, faltava uma aventura principal que trouxesse de volta a exploração e os combates em 2D que ajudaram a moldar um gênero inteiro.

Essa espera finalmente termina com Castlevania Belmont's Curse. Desenvolvido em parceria entre a Konami e os estúdios Evil Empire e Motion Twin, conhecidos pelo trabalho em Dead Cells, o título resgata a estrutura clássica da série e adiciona uma agilidade moderna que cai muito bem na jornada da família Belmont.

Sangue novo para enfrentar uma velha maldição

Ambientado em 1499, 23 anos após os acontecimentos de Castlevania III: Dracula’s Curse, Castlevania: Belmont’s Curse leva a série a uma Paris medieval tomada por criaturas das trevas. Monstros ocupam as ruas e as catacumbas da cidade, dando início a uma nova ameaça que coloca o legado da família Belmont mais uma vez em evidência. Trevor Belmont, o lendário caçador que derrotou Drácula, responde a um pedido de ajuda vindo de Paris, mas não é ele quem assume o protagonismo desta aventura.

Dessa vez, acompanhamos Rose Belmont, filha de Trevor e Sypha, que precisa enfrentar as criaturas enquanto tenta compreender a maldição de Drácula que carrega no braço direito. O mistério também está ligado ao passado de sua família e à perda da mãe, que morreu pouco depois de seu nascimento. Com a possibilidade de um novo retorno das forças das trevas, Rose precisa descobrir o que está por trás dos acontecimentos que estão devastando Paris.

A franquia Castlevania sempre explorou a relação entre humanos e monstros, além das justificativas que levam determinados personagens a cometer atos terríveis. É justamente nessa abordagem que o novo jogo encontra um de seus maiores acertos. A parceria entre Konami, Evil Empire e Motion Twin também se mostra acertada, especialmente pela experiência dos estúdios com jogos de ação e exploração em 2D. A aventura respeita os temas que acompanham a série há décadas, mas encontra espaço para desenvolver sua própria identidade.

Esse cuidado também se reflete na narrativa de Belmont’s Curse, que está entre as que mais me marcaram em um metroidvania recente. A campanha apresenta objetivos claros para Rose, mas revela seus mistérios aos poucos, mantendo a curiosidade sobre até onde a protagonista pode chegar. O trabalho com os personagens secundários merece destaque, principalmente pela maneira como Joana d’Arc é apresentada na trama. Sua participação vai além de uma simples referência histórica, trazendo outra perspectiva para os acontecimentos e para os mistérios que cercam Paris.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Quando pensamos nos Castlevania clássicos, uma das características mais marcantes é a combinação entre mistério e exploração. Descobrir o que existe em cada canto do mapa faz parte da experiência, e nem sempre o jogo entrega todas as respostas ou indica exatamente o caminho que devemos seguir para avançar na história. Embora algumas dessas características precisem ser adaptadas para funcionar melhor nos dias de hoje, perder esse senso de descoberta seria deixar de lado uma parte importante da identidade da franquia.

É difícil não comparar Belmont’s Curse com Hollow Knight, um dos jogos que ajudaram a consolidar o interesse atual pelos metroidvanias. Ainda assim, a nova aventura consegue equilibrar elementos que ajudaram a definir o gênero com soluções que tornam a exploração mais interessante para o público atual. Buscar armas, relíquias, recordações e fragmentos escondidos faz com que cada desvio pelo mapa tenha seu valor, principalmente quando encontramos algo que não estava no caminho mais óbvio. São essas pequenas descobertas que tornam o avanço pela campanha tão gratificante.

O combate também funciona muito bem para um jogo de ação em 2D. Rose possui um arsenal variado, com opções como espadas, lanças e manoplas que permitem enfrentar as criaturas de diferentes maneiras. Essa variedade ajuda a evitar que os confrontos se tornem repetitivos durante a exploração. Também existem sequências focadas em desafios de plataforma, nas quais um erro pode nos obrigar a voltar ao início do trecho. São momentos que exigem tentativa e erro, mas ajudam a diversificar o ritmo da aventura e colocam nossas habilidades à prova de outras formas.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Falar de Castlevania sem mencionar o chicote seria estranho, principalmente em uma aventura protagonizada por uma Belmont. Em Belmont’s Curse, porém, o chicote arcano ganha uma função que vai além de simplesmente atacar os inimigos à distância. Ele é uma ferramenta essencial para a movimentação de Rose, permitindo que ela atravesse determinados locais usando pontos específicos do cenário e se aproxime rapidamente dos adversários.

No início, achei curioso ver o equipamento assumir esse papel tão importante na travessia, mas logo passei a apreciar a maneira como ele influencia a movimentação. O resultado é uma personagem ágil, capaz de alternar entre exploração e combate com movimentos que deixam as sequências de ação mais dinâmicas.

Outro aspecto interessante está na maneira como o jogo apresenta seus chefes. Durante a exploração, espíritos espalhados pelas fases fornecem pistas sobre onde essas criaturas podem ser encontradas, incentivando o jogador a prestar atenção ao que acontece pelo caminho. Entre os adversários estão figuras conhecidas da franquia, como a Morte, Medusa e Carmilla, que ganhou ainda mais popularidade com a série animada da Netflix. Cada confronto possui características próprias e exige que utilizemos os recursos aprendidos ao longo da campanha, em vez de simplesmente atacar sem pensar.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

O que mais gostei, porém, acontece depois dessas batalhas. Ao serem derrotados, os chefes são selados nas cartas de tarô conhecidas como Arcanos, permitindo que Rose utilize suas habilidades durante a aventura. Medusa, por exemplo, oferece uma capacidade de petrificar criaturas que aparecem pelo caminho. Esse sistema acrescenta novas possibilidades ao combate e cria um incentivo adicional para enfrentar os chefes, já que as recompensas não se limitam à sensação de ter vencido um adversário difícil.

Um dos aspectos que dividiu opiniões foi a direção de arte, principalmente pela paleta de cores mais vibrante do que alguns fãs esperavam de Castlevania. Para mim, entretanto, essa escolha está entre os pontos mais bonitos do jogo. É difícil não se impressionar com a visão da Catedral de Notre-Dame ao fundo, acompanhada pelo céu avermelhado e pelas chamas da cidade. A identidade gótica continua presente, mas ganha novas cores e contrastes que dão personalidade aos cenários.

As animações também contribuem para essa apresentação, embora nem todas tenham o mesmo impacto visual. Em determinados momentos, as sequências parecem mais uma apresentação de slides do que uma animação plenamente fluida, o que acaba destoando do restante da produção. Felizmente, a dublagem em inglês ajuda a sustentar essas cenas, enquanto a trilha sonora complementa a ambientação e apresenta composições que ficam na cabeça mesmo depois do encerramento da cena.

Como joguei no console, não tive problemas de desempenho, especialmente por se tratar de um título que não exige tanto graficamente. No entanto, a versão para PC está bastante instável no momento, principalmente para quem prefere jogar com taxas de quadros mais altas e utilizar outros recursos disponíveis exclusivamente nessa plataforma. Com isso, esses jogadores ainda precisam aguardar uma atualização que corrija os problemas.

Considerações 

Castlevania: Belmont's Curse - Nota 9
Castlevania: Belmont's Curse - Nota 9
Foto: Divulgação / Game On

Castlevania Belmont's Curse entrega exatamente o retorno que a série precisava depois de tantos anos sem um lançamento inédito desse porte. A parceria com a Evil Empire e a Motion Twin mostra como é possível atualizar o ritmo do combate e da travessia sem perder a essência gótica e o senso de descoberta que tornaram a franquia tão respeitada. Acompanhar a jornada de Rose por Paris rende ótimos momentos, tanto pela trama quanto pelo sistema de Arcanos que recompensa bem cada chefe derrotado. 

Mesmo com o tropeço nas animações de algumas cenas, que parecem estáticas demais em certos trechos, o conjunto da obra se sustenta com folga pela direção de arte, pela trilha sonora e pela variedade de armas disponíveis. É um trabalho que honra o legado dos jogos clássicos e prova que Castlevania ainda tem muita força dentro do gênero que ajudou a criar. 

Castlevania: Belmont's Curse está disponível para PC, PlayStation 5, Switch e Xbox Series. 

Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Konami.

Fonte: Game On
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