Minecraft Dungeons II encontra na exploração o caminho para evoluir a aventura
Sequência aposta em um mundo mais aberto e novos caminhos para deixar a jornada ainda mais variada
O primeiro Minecraft Dungeons encontrou uma boa forma de levar o universo de Minecraft para uma experiência no estilo dos RPGs de ação, mas acabou esbarrando em uma limitação que afetava diretamente sua jornada: a pouca variedade de fases fazia com que a aventura se tornasse monótona rapidamente. Para uma sequência, portanto, não bastava apenas repetir a mesma fórmula com novos inimigos e equipamentos, mas encontrar maneiras de tornar a exploração mais relevante.
Minecraft Dungeons II parte justamente dessa necessidade ao ampliar o espaço percorrido pelo jogador e colocar a exploração em uma posição mais importante dentro da campanha. A sequência mantém a estrutura de combate e loot que já funcionava anteriormente, mas busca dar mais motivos para seguir em frente por meio de novas regiões, missões e acontecimentos espalhados pelo caminho.
Um herói entre mundos
Depois de um breve momento de paz no Overworld por conta dos eventos do primeiro Minecraft Dungeons, um grupo de três magos conhecidos como Illagers explorou o subsolo de uma profundeza, onde encontrou um portal que os levou até um local desconhecido.
Quando esse lugar foi descoberto, ele passou a ser conhecido como The Sift, e o poder que possuía acabou transformando o grupo de exploradores em temidos vilões, que ficaram conhecidos como o Alto Escalão dos Illagers. Agora, eles ameaçam não apenas o mundo no qual vivemos, mas também o próprio Sift, que serviu de origem para seus poderes, além de outros mundos que estão na mira do escalão.
Mesmo sendo um jogo ambientado dentro do universo de Minecraft, pode parecer que a trama acaba sendo focada em um público mais infantil. Porém, me surpreendi bastante com a forma como a história é contada, quase como se estivéssemos dentro de um livro, e a maneira como a narradora conduz os acontecimentos deixa isso ainda melhor. Sem contar que o título conta com dublagem em nosso idioma e, em certos momentos, apresenta cenas com animações bem bonitas, que deixam ainda mais memorável tudo aquilo que Dungeons conta.
Quando entramos na parte de aventura e na busca por um loot decente, o trabalho da desenvolvedora para fazer isso dessa vez realmente ficou bastante interessante. Cada missão que realizamos é recompensadora, enfrentar os inimigos se torna útil para evoluir o nível do nosso herói, além do fato de ser muito fácil reconhecer os locais por onde passamos e quem enfrentamos por se tratar de uma obra dentro do universo Minecraft.
Boa parte dos inimigos que enfrentamos durante o caminho são aqueles clássicos vistos no Minecraft, como Creepers, zumbis, esqueletos e até mesmo o Chicken Jockey, que aparece como um inimigo comum para enfrentarmos. A jogabilidade é parecida com a do primeiro, o que não chega a ser um ponto negativo, já que segue o estilo da série Diablo, com a câmera em visão de cima e por se tratar de um ARPG.
Alguns desses confrontos acabam sendo rápidos até demais, enquanto outros se tornam aquele clássico inimigo esponja de dano, com uma quantidade de vida muito acima do esperado, principalmente quando ainda estamos em níveis mais baixos. Fora a questão de eles conseguirem causar dano de certos elementos que acabam sendo bem chatos de remover. Sem contar que, durante alguns confrontos que tive, os inimigos acabavam travando em objetos pelo caminho e só conseguiam se soltar quando eu chegava perto deles, sendo que muitos eram até mesmo chefes.
Se por um lado os inimigos acabam sendo um ponto que poderia ser melhor, um dos principais problemas do primeiro Dungeons era justamente a pouca variedade de fases e como o título se tornava monótono de uma maneira muito rápida. Por sorte, essa questão foi resolvida de forma parcial na sequência, que melhorou bastante o semi-mundo aberto, com mais missões para realizar e eventos aleatórios que encontramos pelo caminho, como os confrontos contra o Enderman.
Essas missões, no geral, são bem padrões e já vistas em muitos RPGs, como aldeões pedindo para irmos até determinado local coletar algum item para eles ou destruir algo enquanto enfrentamos inimigos que tentam impedir nosso avanço. Ainda assim, são bastante divertidas de fazer por conta do mapa do Overworld, que está bastante legal de explorar.
Já as missões principais giram mais em torno da questão dos três Illagers e de como devemos detê-los. Quando finalmente podemos ir até The Sift, a nova dimensão criada para o Minecraft em anos, temos alguns dos momentos mais divertidos da aventura pela qualidade das missões principais.
Inclusive, The Sift é uma dimensão que ficou bastante bonita, já que passa a sensação de ser um local muito mais mítico do que o próprio Nether e o End. As criaturas que encontramos por lá remetem a espíritos de uma forma bastante harmoniosa e não passam nenhum tipo de hostilidade, com exceção dos capangas dos Illagers que acabaram invadindo o local. Eles acabam tirando um pouco do nosso foco quando a intenção é simplesmente admirar a paisagem.
Em questão de qualidade gráfica e desempenho, o título consegue entregar bons gráficos principalmente por conta de sua direção de arte. Apenas é um pouco estranho ter alguns momentos de loading ao trocar entre os mundos e ao entrar em algumas dungeons. Com muitos inimigos na tela, o título se mantém estável por boa parte do tempo, mas é durante algumas explosões causadas pelos Creepers que dá para notar quedas bem rápidas. Ainda assim, nada disso chega a atrapalhar de fato o andamento da jogabilidade.
Considerações
Minecraft Dungeons II consegue evoluir a fórmula do primeiro jogo ao fazer da exploração uma parte mais importante da experiência. O Overworld oferece mais variedade para a jornada, enquanto The Sift amplia ainda mais o universo com uma identidade própria, ajudando a criar alguns dos melhores momentos da campanha.
O combate continua divertido e o sistema de loot mantém a sensação de progressão, embora a pouca variedade de alguns inimigos e problemas pontuais de desempenho ainda apareçam pelo caminho. No fim, a sequência mostra que havia espaço para expandir a fórmula de Dungeons sem deixar de lado aquilo que fazia o primeiro jogo funcionar.
Minecraft Dungeons II chega em 29 de setembro para PC, PlayStation 5, Switch, Switch 2 e Xbox Series, podendo ser jogado também via Game Pass Ultimate e PC Game Pass.
Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Xbox Game Studios.
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