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EA Sports FC 27 mostra evolução, mas ainda carrega velhos problemas

Mudanças na jogabilidade e novas formas de aproveitar o jogo mostram uma tentativa de renovar a experiência

29 set 2026 - 16h25
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EA Sports FC 27 mostra evolução, mas ainda carrega velhos problemas
EA Sports FC 27 mostra evolução, mas ainda carrega velhos problemas
Foto: Reprodução / Electronic Arts

Ano vai e ano vem, e uma das maiores certezas nessa indústria é que teremos um novo jogo de futebol da EA, sempre acompanhado daquela incerteza sobre o que será apresentado como novidade para convencer os jogadores a deixar para trás todo o time montado no ano anterior. 

Essa questão ficou ainda mais evidente depois de uma temporada conturbada em FC 26, principalmente pelas discussões em torno da jogabilidade e do próprio Ultimate Team, fazendo com que FC 27 chegasse com a responsabilidade de mostrar se a desenvolvedora realmente conseguiu encontrar uma maneira de melhorar a experiência sem simplesmente repetir a fórmula que já conhecemos. 

Quase o jogo de todo mundo 

O grande elefante na sala após o ano conturbado do FC 26 é como a EA iria resolver a questão da jogabilidade no UT, já que ele é o carro-chefe que move o jogo durante todo o ano, principalmente a questão dos jogadores que usam o estilo de corrida prolongado, táticas que se tornam o meta de maneira muito rápida, além da IA fazer tudo sozinha e o jogador adversário ficar apenas assistindo e esperando a oportunidade de fazer um gol.

Boa parte dessas questões dá para notar que foram respondidas já na primeira partida. Uma das promessas desse ano é o fato de a defesa ser totalmente manual, deixando em nossas mãos a forma de puxar um marcador para conseguir desarmar a bola, sem toda aquela coisa de ficar apenas pressionando o L1 e o jogador ir desarmar sozinho. Agora, isso funciona apenas para o nosso boneco acompanhar a jogada sem fazer nenhum tipo de investida, uma evolução muito boa para um problema que enfim foi resolvido.

Mas, como era esperado, se um problema é resolvido, outro acaba aparecendo, e dessa vez é justamente um que define muito uma partida de futebol, que são os passes entre os jogadores. Até mesmo os jogadores com passe muito alto estão sofrendo com as inconsistências que vêm acontecendo. Em muitas partidas, aconteceu de um jogador estar próximo do outro e conseguir errar o passe mesmo assim, deixando o time adversário arrancar em um contra-ataque e quase tomar um gol por conta de uma falha que não deveria acontecer.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Essas inconsistências também refletem no novo estilo de cobrança de escanteio que foi introduzido este ano. Em vez de termos uma cobrança normal, como sempre foi, agora devemos determinar a força do chute e, ao mesmo tempo, mover um jogador para receber o passe, deixando bastante previsível quem irá receber a bola. Realmente esperava que tivesse uma opção de desligar isso, pois é basicamente a opção de usar um player lock para realizar jogadas dentro da área, mas realizar esses tipos de jogadas ensaiadas é bem frustrante.

Outra questão bastante criticada durante o tempo de vida do FC anterior era como os estilos de jogo eram muito fortes, principalmente quando começou a ser possível fazer combinações com mais de um estilo no Plus. Porém, por ainda termos menos de um mês de vida útil do jogo, a sensação que passa é de que esses estilos estão muito abaixo do que deveriam.

Parece até que a desenvolvedora não conseguiu encontrar um meio-termo para deixá-los úteis sem quebrar o jogo. O próprio chute colocado, que era um dos principais recursos no ano passado, dessa vez está beirando o inútil. Mesmo com jogadores tendo essa habilidade no Plus, é muito difícil marcar um gol dessa forma, nos obrigando a ficar quase colados no goleiro para realmente conseguir realizar essa proeza.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Entre as novidades desse ano para o Ultimate Team, estão a Galeria e a possibilidade de jogar certos eventos contra a máquina e finalmente ser recompensado por isso. Isso deixa o modo mais amigável para jogadores que querem apenas jogar alguma partida de futebol sem se preocupar em se estressar com um adversário real, além de ser uma boa maneira de completar as EVOs.

A Galeria em questão é uma das melhores adições feitas para a franquia em muitos anos. Ela funciona como um grande almanaque das principais ligas do mundo e dos diferentes tipos de cartas presentes no jogo, como TOTW e Icons. Nosso foco dentro da Galeria é basicamente como um álbum de figurinhas, em que as cartas obtidas nos pacotes podem ser usadas para completar suas respectivas ligas ou clubes. É preciso chegar até o ranque S em cada uma delas para ganhar fichas, que podem ser usadas para trocar por outros pacotes ou jogadores, como Alexandre Pato, Hulk e David Luiz.

Realmente espero que a EA dê o foco devido para essas duas adições e não as deixe morrer na praia até o próximo ano, principalmente a Galeria, já que é uma novidade bastante inofensiva e a questão do grind se torna bastante opcional. Isso acontece porque os jogadores podem comprar as cartas e vendê-las logo em seguida, pois basta tê-las para que sejam contabilizadas na Galeria. Além disso, as recompensas oferecidas são boas de verdade.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Resta ver, porém, como a Galeria vai funcionar nas próximas temporadas, já que não ficou muito claro se será possível, por exemplo, resetar os ranques depois de alcançar o nível mais alto ou se serão adicionadas mais cartas de eventos para completar e garantir novas fichas. Isso também pode se tornar um problema caso essas cartas fiquem mais caras com o tempo por deixarem de aparecer nos pacotes.

Um dos modos que a desenvolvedora colocou para este ano, caso os jogadores cansem rapidamente do UT, e que é bastante parecido com algo visto nos jogos da NBA 2K, é o The Grounds. Nele, criamos nosso jogador e podemos explorar um semi-mundo aberto com inspirações em locais reais, como Inglaterra e Argentina. O modo é basicamente o que já vimos no Pro Clubs, em que decidimos quais arquétipos nosso jogador terá, mas o mais legal do The Grounds é sua semelhança com o antigo FIFA Street, principalmente por conta dos minijogos disponíveis.

Também é possível disputar partidas de 1x1 ou 2x2 em quadras menores, sem nenhuma possibilidade de a bola sair do local. Dentro do The Grounds, ainda podemos interagir com jogadores reais, como Mbappé e Dybala, enquanto Alex Hunter marca seu retorno e serve como um mentor durante essa jornada.

Foto: Reprodução / Matheus Santana

Pela primeira vez em muito tempo, jogar o modo carreira de treinador se tornou o modo mais interessante em comparação com o UT. As novidades estão mais ligadas à maneira como podemos administrar nosso clube, com mais eventos aleatórios envolvendo os jogadores, como eles brigarem entre si e recebermos uma mensagem sobre isso, além da exigência de bater metas e não estourar o limite de vendas para não sofrer nenhuma punição grave por isso. Isso, somado ao fato de a gameplay estar bastante manual, torna o modo com a jogabilidade autêntica mais divertido e menos corrido, quase como se fosse uma partida real.

Só que, por outro lado, a carreira de jogador continua sendo mais do mesmo, o que é uma pena, já que tivemos a implementação do The Grounds dentro do jogo. Bem que poderiam ter aproveitado isso para também colocar no modo offline que existe no jogo, apenas para termos a sensação de que realmente estamos vivendo uma vida de jogador. O salário que ganhamos também poderia ser mais útil dessa vez por conta disso, já que continua sendo possível apenas comprar ações, marcas e alguns bens materiais por meio de texto.

Outro ponto que é preciso ser dito é como, a cada ano, as evoluções na parte gráfica parecem cada vez mais imperceptíveis, tanto no extra campo quanto dentro dele. Até arrisco dizer que o próprio gramado, que já foi muito bonito lá na época em que a franquia ainda se chamava FIFA, principalmente no 17 e no 18, quando aconteceu a mudança para a Frostbite, tinha gráficos melhores nesse sentido. Chegamos a um ponto em que, para a franquia evoluir de fato, é preciso dar aquele salto maior e abrir mão de uma parcela dos jogadores da geração passada para conseguir alcançar isso.

Considerações

EA Sports FC 27 - Nota 8
EA Sports FC 27 - Nota 8
Foto: Divulgação / Game On

FC 27 consegue mostrar uma evolução em algumas áreas que precisavam de atenção, principalmente pela forma mais manual como a jogabilidade se apresenta e pelas novas opções que aparecem para quem já estava cansado de passar tanto tempo dentro do Ultimate Team. A Galeria é uma das adições que mais chamam atenção, enquanto o The Grounds e as mudanças na carreira de treinador ajudam a dar mais variedade ao jogo, ainda que a carreira de jogador continue praticamente no mesmo lugar. 

Ao mesmo tempo, problemas como a inconsistência dos passes, o novo sistema de escanteios e estilos de jogo que parecem ter perdido força mostram que nem todas as mudanças encontraram o equilíbrio esperado. Somando isso a uma evolução gráfica cada vez menos perceptível, FC 27 entrega um pacote mais variado, mas ainda parece estar guardando aquele salto maior que a franquia precisa para realmente justificar uma renovação mais empolgante a cada ano. 

EA Sports FC 27 está disponível para PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Switch, Switch 2, Xbox One e Xbox Series.

Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Electronic Arts. 

Fonte: Game On
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