Gears of War: E-Day retrata bem o terror causado pelos Locust no Dia da Emergência
Campanha apresenta uma humanidade acuada, lutando para sobreviver contra um inimigo desconhecido que deseja exterminá-la
Sete anos após o lançamento de Gears 5, uma das melhores franquias dos games está de volta com o novo Gears of War: E-Day, trazendo uma história que mostra o início da guerra da humanidade contra a Horda Locust, 14 anos antes dos eventos do primeiro jogo da série.
Temos o retorno dos personagens favoritos dos fãs, Marcus Fenix e Dominic Santiago, junto com os estreantes Lucas Reyes e Mags Carter, com os quatro compondo o Esquadrão Bravo, que luta contra as forças invasoras dos Locust nos primeiros dias da guerra.
À beira da aniquilação
A campanha começa em um período de paz após o fim das Guerras do Pêndulo, que envolveu as duas potências do planeta Sera, incluindo a CGO (Coalizão de Governos Ordenados), pela qual o jogador luta, e a URI (União das Repúblicas Independentes).
A paz dura pouco tempo, com o surgimento de uma ameaça subterrânea monstruosa, os terríveis Locust, que não querem apenas conquistar o mundo da superfície, mas exterminar toda a raça humana.
Fenix e Dom, enquanto relembram em um bar a respeito do falecimento de Carlos, irmão de Dom, nas Guerras do Pêndulo, e ponderam o que pretendem fazer com suas vidas de agora em diante, esbarram com Reyes e Carter no mesmo momento no qual a cidade de Kalona, onde estão, é ferozmente atacada pelos Locust.
As primeiras horas da campanha conseguem captar e entregar de forma primorosa o terror e o desespero vivido pelas pessoas, se deparando com criaturas que parecem ter saído de um pesadelo brotar de crateras que abrem no chão, prontas para dilacerar qualquer um que cruzar o caminho delas.
Os protagonistas, que você inclusive pode escolher com qual deles quer jogar, então se veem forçados a agir e partem em busca de armas para defender a si próprios e aos civis, enquanto a cidade vai sendo, pouco a pouco, dizimada pela impiedosa Horda Locust.
Inicialmente a campanha ocorre de forma linear, mas a partir de um dado momento no Ato 2, você é introduzido a locais semiabertos, com direito até mesmo a um mapa para saber melhor onde ir.
Essas partes de Gears of War: E-Day apresentam mais segredos do que as lineares, daí a razão para haver um mapa à disposição. Sempre que você está perto de um coletável, ocorre um aviso sonoro para que você comece a procurar pelo item. No caso das caixas rígidas (que incluem peças para modificar suas armas, armadura e equipamentos táticos), aparece também um aviso em texto na tela, para te indicar que ela está próxima.
Nos locais abertos, quando esses avisos surgem, você pode abrir o mapa e ver um ícone mostrando o local exato onde está o item escondido, para que você o marque e consiga descobrir uma forma mais fácil de ir até onde ele está. Isso não ocorre nos segmentos lineares, ou seja, neles você precisa fuçar por conta própria após receber o aviso do jogo. Felizmente, há um modo de visão especial chamado "com-tat", acessado ao apertar LB, que pode dar uma ajudinha com isso, embora seja mais voltado a mostrar o caminho até os objetivos principais.
Além disso, o jogo possui objetivos secundários nessas áreas abertas que envolvem, quase sempre, ajudar uma pessoa ou grupo, sejam civis ou outros Gears, que estejam precisando de ajuda. Completá-los lhe dá recompensas.
Ao longo da campanha, você também esbarra com Estoques de Suprimentos, que são grandes baús metálicos que você pode usar para reabastecer munição, trocar suas armas, além de customizar todos os seus equipamentos.
À medida que você avança na história, você ganha a possibilidade de adicionar modificações a todo o seu arsenal, permitindo que as armas não fiquem apenas mais eficazes, mas também funcionem de forma diferente, abrindo um novo leque de estratégias de combate. Isso também vale para sua armadura e equipamentos táticos. Quanto mais você progride no jogo, mais armamentos vão sendo apresentados a você. As peças de modificação são encontradas em caixas rígidas espalhadas pelos cenários e na conclusão de objetivos secundários.
Além da possibilidade de customizar as armas, a forma como você recarrega elas também sofreu mudanças, com o mostrador do recarregamento agora aparecendo no centro da tela e de forma mais nítida, o que acaba facilitando que você obtenha a recarga perfeita, que aumenta o dano causado.
Gears of War: E-Day tem algumas armas inéditas, como era de se esperar, e a maioria delas são ótimas. Para mim, os destaques ficam por conta da Incineradora, que é uma escopeta que usa emulsão como munição, derretendo o inimigo, a Esmaga-Tripa, que é um lança-granada que permite escolher o momento em que o projétil explode, e o Ganchovisceral, que atira um gancho retrátil no inimigo, arrancando suas tripas.
Os Locust fazem uso deste arsenal para tentar dar cabo do seu esquadrão, então nada mais justo do que você também aproveitar esses novos brinquedinhos. Além dos oponentes normais, há alguns mais fortes, como um sapo que vomita bolas de ácido, um monstro bombardeiro que brota do chão e, além de te atacar com bombas aéreas, interfere no sinal de rádio, atrapalhando sua visão da interface das armas, e um inimigo gigante em forma de balão (ou saco escrotal, como é dito pelos personagens), que expele pequenos balões cheios de espinhos que ficam disparando em você sem parar.
O jogo também apresenta chefes gigantes e são todos duros na queda, tendo inclusive barras de vida e requerendo estratégias para serem derrotados. Todos os inimigos em E-Day são liderados por um Locust chamado Vraahk, apelidado de Empalador, pelo fato dele gostar de empalar os humanos derrotados para demonstrar sua superioridade e causar intimidação. Sua presença está em quase toda a campanha, na forma de Gears e civis empalados. Além disso, sempre que ele é mostrado no game, rouba a cena com sua brutalidade.
Ao meu ver, o grande destaque da campanha, que tem cerca de 15h de duração, é que ela realmente mostra os Locust em vantagem quase o tempo todo. Afinal de contas, foi um ataque surpresa e inesperado na humanidade. Quando você acha que está finalmente conseguindo contra-atacar, acontece algo que serve para destruir as esperanças de Fenix e seu esquadrão, que não têm outra escolha além de seguir em frente e continuar lutando.
A campanha também vai mostrando Fenix se tornando, pouco a pouco, o líder que nasceu para ser e todos nós conhecemos nos outros jogos Gears of War, além de contar histórias relacionadas a Dom, Reyes e Carter, que também exercem papeis importantes em apoiar uns aos outros como colegas de esquadrão e incentivar a liderança de Fenix.
Além disso, há curiosidades como o momento de criação da Proto Lancer, a arma de assinatura de Gears of War, que mescla um rifle de assalto com uma motosserra, além de outras surpresas.
A dublagem ficou ótima. O tempo inteiro é possível escutar Fenix xingando em português quando acontece algo errado ou ele reclama de alguma coisa, o que é um bom sinal pois esse é, sem dúvida, o comportamento normal de quem está no campo de batalha lutando contra inimigos tão vorazes. Ele também se empolga quando as coisas dão certo.
O lado ruim é que as legendas em português possuem textos que, muitas vezes, diferem bastante dos diálogos dublados, mostrando a desvantagem de ter pessoas ou equipes diferentes cuidando das localizações dos textos e das vozes. Isso me incomodou ao ponto que achei melhor desligar as legendas. Há também momentos nas cutscenes onde as falas ficam consideravelmente fora de sincronia em comparação com os movimentos labiais dos personagens.
No geral, a campanha me agradou bastante, abrindo inclusive margem para que mais histórias sejam contadas envolvendo o Esquadrão Bravo. Dito isso, ela claramente foi pensada mais para ser jogada de forma cooperativa, já que jogando sozinho, há momentos onde você fica caído esperando para ser revivido e demora muito até que algum dos seus companheiros, controlados pelo jogo, venha te ajudar. Além da mira deles não se comparar com aquela de jogadores reais, o que dificulta um pouco certos trechos do game.
Espetáculo visual, se o teu computador der conta
Gears of War: E-Day apresenta alguns dos melhores gráficos e efeitos visuais que já vi sendo usados num game com Unreal Engine 5. Jogar nas qualidades Ultra ou Extremo, no entanto, é para poucos, já que exigem um PC de ponta e, mesmo assim, existe a possibilidade de esbarrar com desempenho abaixo do esperado, especialmente nos segmentos semiabertos, que exigem mais do hardware.
Para se ter uma ideia, para conseguir jogar em 4K e Extremo em um PC com Ryzen 5 7600, 2x16GB de RAM e GeForce RTX 5070 Ti, mantendo 60 fps+, precisei deixar o DLSS em Ultra Desempenho e ligar o Frame Generation.
Nas partes lineares até que dava para se virar sem o Frame Gen, mas naquelas mais abertas onde você pode usar o mapa para ajudar na navegação, o peso é brutal, ficando impossível manter 60 fps sem o gerador de quadros.
Reduzir a resolução e a qualidade gráfica ajuda, mas não muito, o que me faz pensar que faltou um pouco mais otimização nesses trechos abertos do game, que parecem ter sido pensados para serem jogados em 60 fps ou mais apenas com Frame Gen.
Há de se ressaltar também que, no momento da publicação desta análise, o jogo tinha um bug grave no PC que desligava o Frame Gen sempre que o mapa era aberto. Pausar o jogo, por algum motivo, religava o Frame Gen. Esse defeito irritante acabou me desencorajando de explorar mais os locais abertos em busca de mais conteúdos opcionais, já que toda hora que eu abrisse o mapa, teria de pausar e despausar o jogo em seguida para religar o Frame Gen para manter o desempenho sempre acima de 60 fps.
O carregamento dos sombreadores (shaders) na primeira vez que rodei o game também demorou bastante. Quase 20 minutos. Acho que nunca havia visto esse processo levar tanto tempo. Além disso, o jogo sempre passava uns belos segundos recarregando os sombreadores novamente, toda vez que eu voltava a rodá-lo.
Aparentemente essa demora no carregamento dos sombreadores ocorre pela ausência de compatibilidade do recurso Advanced Shader Delivery no game com as placas GeForce, com a desenvolvedora The Coalition tendo me dito que drivers da NVIDIA compatíveis com isso para E-Day serão disponibilizados apenas no lançamento. Já no caso das placas Radeon, o recurso já está disponível agora, então provavelmente quem fez a análise do jogo de PC nelas não passou por esse perrengue.
Por fim, durante o período de acesso antecipado ao jogo, a imprensa não teve a oportunidade de jogar o multiplayer competitivo e modo Horda, então as impressões escritas nessa análise abrangem apenas a campanha, que você pode jogar sozinho ou cooperativamente.
Considerações
Gears of War: E-Day entrega uma campanha sólida, com surpresas, momentos de ação e muita adrenalina, conseguindo passar de forma competente o terror e crueldade dos implacáveis Locust, cujo objetivo é destruir toda a humanidade. As novas implementações na jogabilidade e nos armamentos dão vida nova à jogabilidade, fornecendo uma das melhores experiências da franquia nesse sentido.
Graficamente o jogo está de cair o queixo, mas como já virou moda em títulos da Unreal Engine 5, está pesado. Bem pesado. Especialmente nos locais semiabertos da campanha, que essencialmente obrigam o uso do Frame Gen no PC para manter uma taxa de quadros estável e acima de 60 fps. Há também um bug grave na versão de computador que desliga o Frame Gen sempre que o mapa é aberto, que espero que seja consertado já no lançamento.
Gears of War: E-Day chega em 6 de outubro para PC e Xbox Series, podendo ser jogado também via Game Pass Ultimate e PC Game Pass. Quem comprar a Premium Edition pode jogar antecipadamente a partir de 1º de outubro.
Esta análise foi feita no PC (Steam), com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Microsoft.
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