Call of Duty: Modern Warfare 4 redime a franquia com campanha excelente e retorno do DMZ
Campanha de peso e modo de extração completo compensam os problemas de registro de tiros e armas desbalanceadas no multiplayer
Acompanhar os lançamentos anuais de Call of Duty nos últimos tempos virou um teste de paciência para quem gosta do pacote completo da franquia. Depois de campanhas bem abaixo do esperado nos jogos mais recentes, a chegada de um novo título, comandado pela Infinity Ward, carregava a responsabilidade de mostrar que a série ainda sabe contar boas histórias sem descuidar dos modos online.
Com Call of Duty: Modern Warfare 4, a série finalmente deixa os consoles antigos para trás e abre caminho para a sua estreia exclusiva na geração atual. Essa mudança de ares serve de palco tanto para concluir a jornada de personagens bem conhecidos do público quanto para testar ajustes na jogabilidade que tentam corrigir os tropeços cometidos pelo estúdio nos últimos anos.
O limite da guerra
Quem esperou 15 anos para enfim chegar um Modern Warfare 4, principalmente por conta da excelente campanha do antigo Modern Warfare 3, sempre imaginou que o próximo título da série giraria em torno de John Price sendo caçado pelos seus atos. Mais de uma década depois, justamente pelos eventos de MWIII, a história finalmente pôde adaptar esse ponto que ficou aberto por tantos anos.
Em Modern Warfare 4, a trama da campanha se divide entre duas narrativas que se completam de uma forma excelente. De um lado, controlamos Park Hyun-Jun, um fuzileiro naval sul-coreano que estava prestes a sair do serviço junto com o esquadrão Sierra-1. O que deveria ser um dia tranquilo para o grupo acaba virando uma grande escalada militar após a invasão da Coreia do Norte ao território vizinho, levando não só a região ao seu limite, mas o mundo todo a uma grande instabilidade.
Se por um lado a Coreia do Sul sofre com essa invasão, o ex-líder da Força-Tarefa 141, John Price, atua de fora e por baixo dos panos. Ele busca vingança pelo que Makarov fez, além de ser considerado um foragido após ter dado fim em Shepherd. Price decide agir nas sombras para alcançar o que está buscando, mas logo percebe que o buraco em que se enfiou é ainda mais embaixo, entrando em uma corrida contra o tempo diante de um inimigo com uma arma capaz de mudar o rumo de qualquer guerra.
Depois do que aconteceu com a campanha de MWIII e principalmente com o BO7, a sensação que passava era a de que a história deste ano seria um tudo ou nada para tirar o gosto amargo que durou por um ano. Por sorte, Modern Warfare 4 tem de longe uma das melhores campanhas que a série poderia receber desde a trilogia clássica, entrando facilmente no top 5 da franquia no geral.
Desde a primeira missão, fica claro como a Infinity Ward colocou um amor genuíno na história e nos personagens. Várias missões são memoráveis justamente por fazerem aquele clássico “comeback” de fases antigas, como uma na Coreia do Sul em que dá para notar uma mistura de Warpig, do CoD 4, com Scorched Earth, do MW3. Esses detalhes deixam a jornada especial, ainda mais por ser um encerramento da série que conseguiu ser muito melhor do que dava para imaginar.
O elefante na sala desse ano
Entre os estúdios que produzem Call of Duty no ciclo rotativo da série, a Infinity Ward é um dos que têm escolhas bastante questionáveis no multijogador. Isso ficou evidente mesmo depois de ela ter dado uma sobrevida para a franquia com o MW (2019), já que o seu orgulho na sequência foi um ponto bem criticado durante o ano de vida do MWII.
Dessa vez, dá para notar que a desenvolvedora juntou boa parte do feedback recebido no beta, principalmente na parte da jogabilidade. Arrisco até dizer que é um dos melhores FPS da atualidade para jogar no controle, passando quase a sensação de usar mouse e teclado pela rápida resposta que temos na movimentação e na mira do personagem.
Inclusive, a movimentação mudou novamente neste ano e deixou de lado o omnimovement do BO7 para focar em algo mais pé no chão com adições de parkour. Agora é possível escalar canos para alcançar locais mais altos e passar com mais facilidade por cima de veículos.
Mas o principal problema atual não é nem por conta dos mapas, que até tiveram um saldo positivo e, na maioria são bons para jogar. O que atrapalha mesmo é o netcode e a forma como o jogo acaba recompensando mais quem fica recuado do que quem avança de um jeito mais corrido, como o título deveria ser.
É notável como as armas neste ano estão bastante desbalanceadas e não registram os tiros como deveriam. Em algumas trocações que tive, foi preciso descarregar um pente de forma literal para conseguir a baixa, tudo isso atirando na cabeça do adversário. Já em outros confrontos, acontecia aquele caso de atirar primeiro e acabar perecendo para o inimigo, já que ele estava com uma arma mais forte do que deveria.
São certos pontos que podem ser arrumados de forma até que fácil, só que para isso realmente dar certo, tudo depende de como os jogadores vão se comportar com essas mudanças. Conhecendo essa franquia há boa parte da minha vida, é óbvio que isso não vai acontecer. Sempre que uma arma para de ser meta, o pessoal logo busca outra e os lobbies ficam parecendo a mesma coisa de sempre, algo que dificilmente vai mudar, mesmo se os nerfs e buffs saíssem toda semana.
Como terceiro modo neste ano, e dando uma pausa merecida para o modo zumbis, Modern Warfare 4 marca o retorno do DMZ. Depois de passar boa parte da vida do MWII em beta, ele finalmente teve uma versão realmente completa e cheia de coisas para fazer.
Essa proposta funciona como uma versão mais enxuta do que vemos em títulos de extração, mantendo o clássico formato PvPvE. Em vez de termos apenas aquela questão de pegar o melhor loot e já correr para a extração, o jogo traz uma série de missões divididas em duas frentes. De um lado, ficam as dinâmicas, pensadas para render bastante dinheiro que serve para comprar armas, aprimorar equipamentos e até reviver o seu operador.
Já as missões de história funcionam como uma segunda campanha por se passarem logo após a trama principal. Elas são bastante desafiadoras caso decida fazer tudo sozinho, mas ainda assim são muito boas pela forma como a narrativa funciona ali dentro. Também é bem interessante realizá-las, já que a cada temporada, teremos mais missões para ver até onde a história do MW4 vai chegar, quem sabe trazendo até um teaser do que esperar do próximo jogo da Infinity Ward.
Tratando-se da parte gráfica e de desempenho, o título não decepciona em nenhum momento. É notável como ele consegue ser bastante bonito na campanha, por mais que ainda não pareça puxar o máximo dos consoles e PCs, por ser justamente o primeiro exclusivo para a geração atual. Para um começo, porém, não há muito do que reclamar sobre o que foi entregue.
Considerações
No fim das contas, Call of Duty Modern Warfare 4 consegue limpar a barra da franquia depois da sequência amarga deixada pelos lançamentos anteriores. Ver a história principal receber um encerramento desse nível compensa a longa espera dos fãs, enquanto o retorno do DMZ em uma versão completa e cheia de missões garante boas horas extras para quem busca algo além do tiroteio tradicional.
Por outro lado, o multijogador ainda precisa de ajustes urgentes no registro de tiros e no balanceamento das armas para não desperdiçar os bons mapas e a ótima resposta da nova movimentação no controle. Mesmo com esses problemas técnicos atrapalhando parte das trocações online e favorecendo quem joga recuado, o pacote completo entrega um saldo muito positivo e recoloca a série nos trilhos.
Call of Duty: Modern Warfare 4 está disponível para PC, PlayStation 5, Switch 2 e Xbox Series.
Esta análise foi feita no Xbox Series, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Activision.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.