Tales of Eternia Remastered revive uma das joias do PlayStation
O clássico da Bandai Namco retorna com combates dinâmicos, uma aventura entre dois mundos e melhorias que tornam a jornada mais acessível
Décadas antes de se tornar a franquia de RPGs de ação de grande porte com gráficos modernos em 3D, a série Tales of da Bandai Namco cimentou seus alicerces em batalhas bidimensionais extremamente ágeis. Lançado em 2000 originalmente para o PlayStation 1 (e conhecido no ocidente por muito tempo como Tales of Destiny II), Tales of Eternia Remastered finalmente retorna às plataformas modernas.
A nova versão remasterizada não tenta reinventar a roda, mas entrega a melhor e mais acessível maneira de retornar a uma das aventuras mais marcantes da era de ouro dos 32 bits. Confira a seguir aqui no Terra Game On o que esperar desse retorno ao passado.
Uma aventura entre dois mundos
A história acompanha Reid Hershel e sua amiga de infância Farah Oersted. A rotina pacata da dupla na pacífica vila de Rasheans é interrompida quando uma misteriosa garota chamada Meredy cai dos céus em uma cápsula de fuga.
Falando uma língua incompreensível e acompanhada por seu mascote Quickie, Meredy traz um aviso sombrio: o mundo superior de Celestia e o mundo inferior de Inferia estão prestes a colidir e se destruir mutuamente.
Para evitar o apocalipse, Reid e seus aliados precisam dominar o poder dos Craymels (os espíritos elementais do universo de Eternia) e cruzar a barreira que separa os dois mundos.
A narrativa traz os clichês clássicos do gênero na virada dos anos 2000, mas ganha força imensa na química carismática do grupo e nas interações e relações cotidianas entre os personagens. A divisão entre Inferia e Celestia também oferece uma estrutura narrativa que vai além da tradicional jornada por vilarejos, masmorras e castelos.
Reid, Farah e Meredy formam o núcleo da aventura, acompanhados por outros personagens que contribuem para a construção do universo e para o desenvolvimento da história. É uma abordagem que ajuda a explicar por que os RPGs da franquia Tales of conquistaram uma identidade própria, apostando tanto na ação quanto na convivência entre seus protagonistas.
E vale lembrar que Eternia é o terceiro jogo da franquia, com uma narrativa que funciona como uma porta de entrada independente para a série. Não é necessário conhecer os acontecimentos dos títulos anteriores para compreender a aventura.
O combate continua sendo um dos grandes atrativos
Se existe uma característica que diferencia Tales of Eternia de muitos RPGs tradicionais de sua época, é o seu sistema de batalha.
Em vez de organizar os confrontos exclusivamente por turnos e menus, o jogo utiliza o Aggressive Linear Motion Battle System, um sistema de combate em tempo real no qual os personagens se movimentam lateralmente pela arena e executam ataques, técnicas especiais e combinações de golpes.
O resultado aproxima a experiência de um jogo de ação em duas dimensões, sem abandonar a estrutura de progressão e personalização típica de um RPG japonês.
As habilidades, conhecidas na franquia como Artes, permitem variar as estratégias de combate, enquanto a composição da equipe influencia as possibilidades disponíveis durante os confrontos. Saber quando atacar, utilizar uma técnica ou coordenar as ações do grupo faz parte da experiência.
Essa estrutura é um dos aspectos mais interessantes do clássico, especialmente para quem aprecia RPGs que exigem participação ativa durante as batalhas. Em vez de apenas selecionar comandos e acompanhar as animações, o jogador precisa prestar atenção ao posicionamento e ao ritmo dos confrontos em tempo real, algo que continua extremamente satisfatório.
Uma remasterização que preserva o passado
A Bandai Namco optou por uma abordagem respeitosa ao preservar a belíssima pixel art dos cenários e sprites originais. As resoluções foram ajustadas para exibições em alta definição sem deformar os personagens, e a interface foi completamente redesenhada para telas modernas.
A intenção é conservar o estilo que tornou o original reconhecível, sem abrir mão de uma apresentação adaptada às plataformas atuais - diferente de Final Fantasy Resonance, por exemplo, que também aposta em uma estrutura clássica, mas com uma reformulação gráfica mais radical em HD-2D.
A possibilidade de alternar entre os gráficos remasterizados e os originais, assim como entre os efeitos sonoros das duas versões, reforça essa proposta. É um recurso que permite observar as diferenças diretamente e valorizar o trabalho artístico que sustentou a aventura décadas atrás.
A trilha sonora ressurge com mais clareza na versão remasterizada, preservando as belíssimas composições de Motoi Sakuraba que ajudam a dar identidade ao universo de Tales of Eternia. As melodias acompanham os diferentes momentos da aventura, alternando entre temas mais leves durante a exploração e músicas mais intensas nas batalhas. Os efeitos sonoros, junto com o trabalho de dublagem (inglês e japonês) também contribuem para manter a atmosfera do RPG original, sem apagar sua identidade nostálgica.
Melhorias que respeitam o tempo do jogador
O principal diferencial desta nova edição está nas ferramentas de qualidade de vida. Embora não transforme completamente a apresentação do jogo, a remasterização oferece alternativas para tornar a progressão menos cansativa.
Entre as novidades estão os indicadores de destino, que ajudam a identificar para onde seguir na história. A inclusão é especialmente relevante para um RPG antigo, no qual descobrir o próximo objetivo podia exigir conversas repetidas com personagens ou longos períodos explorando os cenários.
Outra mudança importante é a possibilidade de ativar ou desativar os encontros aleatórios com inimigos. A opção permite explorar o mundo e avançar pela narrativa sem precisar enfrentar adversários a cada poucos passos, mas também possibilita reativar os confrontos para ganhar experiência quando necessário.
O recurso Boost oferece ajustes relacionados à experiência adquirida e à frequência dos encontros, enquanto as opções Battle Retry e Quick Recovery facilitam a recuperação após derrotas e a preparação do grupo para continuar a aventura.
Também há um modo de alta velocidade durante as batalhas automáticas, útil para acelerar confrontos mais simples. Para os jogadores que procuram desafios adicionais, a edição inclui uma dificuldade Extreme desde o início e outra chamada Unknown, desbloqueada após terminar o jogo.
Essas novidades não alteram a essência do RPG, mas dão ao jogador maior controle sobre o ritmo da aventura. Em um gênero conhecido por exigir dezenas de horas de dedicação, a possibilidade de reduzir repetições e contornar combates menos interessantes pode fazer uma diferença considerável para os dias atuais.
Infelizmente, assim como em outros lançamentos recentes como Final Fantasy Resonance e Kingdom Hearts Collection, temos uma limitação importante para o público brasileiro: a ausência de localização em português.
O jogo oferece opções de idioma, incluindo inglês e japonês, mas não apresenta interface e legendas em português do Brasil. Isso pode dificultar a compreensão da história para quem não tem familiaridade com outros idiomas. Para um RPG centrado na narrativa, nos diálogos e no desenvolvimento dos personagens, trata-se de uma oportunidade perdida de ampliar o alcance da aventura no mercado nacional.
Considerações
Tales of Eternia Remastered é um prato cheio tanto para jogadores veteranos nostálgicos quanto para novatos curiosos sobre as origens dos JRPGs de ação em tempo real, especialmente aos fãs da série Tales of. O jogo envelheceu muito bem em termos de visuais em pixels 2D, ritmo e mecânicas, mostrando que uma boa estrutura de combate e um elenco cativante não perdem o apelo com o passar do tempo.
As novidades de qualidade de vida ajustáveis também são bem-vindas. Indicadores de destino, controle dos encontros aleatórios e ajustes de progressão tornam o jogo mais flexível, enquanto a alternância entre os modos original e remasterizado reforça o compromisso com a preservação histórica.
No fim, a principal qualidade de Tales of Eternia Remastered está em reconhecer que nem todo clássico precisa ser reconstruído do zero. Às vezes, preservar uma boa aventura, melhorar sua acessibilidade e permitir que uma nova geração tenha contato com ela já é um passo importante.
Tales of Eternia Remastered está disponível para PC, PlayStation 5, PlayStation 4, Switch 2, Switch e Xbox Series.
Esta análise foi feita no PlayStation 5, com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela Bandai Namco.
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