Phantom Blade Zero convence e se firma como um dos jogos obrigatórios de 2026
Jogabilidade eletrizante é o ponto alto do jogo; basta remediar alguns problemas técnicos no PC para a experiência ficar quase perfeita
Os jogos chineses estão cada vez mais em alta entre os jogadores. Após nomes como Black Myth: Wukong. Where Winds Meet e Wuchang: Fallen Feathers chamarem a atenção, chegou a vez dos holofotes destacarem o aguardadíssimo Phantom Blade Zero.
Feito pelo estúdio S-Game, fundado em 2011 por Soulframe Liang, com sede em Pequim e também com equipes nos Estados Unidos, o jogo vem chamando a atenção por seus vídeos mostrando jogabilidade frenética, que combina ação cinematográfica intensa e artes marciais.
Um guerreiro perseguido pelo próprio destino
Comecemos falando da história. Nela você joga como o Mestre Soul, um exímio lutador de artes marciais de um grupo chamado Ordem, que foi acusado de assassinar seu líder, levando ele a perder a confiança daqueles que então eram seus aliados. Após isso, Soul tem um duelo com Zuo Shang, a quem conhece desde criança e é praticamente seu irmão, com ambos sendo feridos de forma fatal no coração por suas respectivas espadas.
Quando tudo parecia estar perdido, alguém chamado Artífice da Carne aparece e oferece a Soul a chance de continuar vivo, mas apenas por mais 66 dias. Ele precisa usar esse tempo para achar um novo coração e confrontar a podridão que o taxou de traidor da Ordem e, no meio do caminho, acaba descobrindo um esquema ainda maior por trás, que pode destruir todo o Wulin, nome dado ao submundo chinês de artistas marciais onde o game ocorre.
Ao longo do game, a trama vai se desenrolando com mais cenas mostrando o passado de Soul e de outros personagens, tanto recente quanto longínquo. A história começa um pouco confusa, mas vai melhorando conforme as peças vão se encaixando. Nomes como a Dama do Véu, o Arauto e a Escola do Fio Vinculante são peças centrais para se entender a narrativa. As cutscenes ocorrem quando você descansa em sinos no formato de garça, também surgindo em outras situações, como antes e após enfrentar determinados chefes. Algumas delas ocorrem em tempo real na Unreal Engine 5, mas há também aquelas que rodam de forma pré-renderizada e até mesmo no formato de vídeos de anime.
A exploração em Phantom Blade Zero é bastante vasta, com os mapas tendo uma mistura de linearidade, ambientes abertos e verticalidade. A maior parte do jogo é assim. No entanto, há um mapa em especial, que é quase inteiramente aberto e você faz uso de um barco para se locomover. Você acessa ele apenas quando estiver mais avançado na história.
Há inúmeros coletáveis no game, com a maioria deles servindo para contar mais a respeito da narrativa, seus personagens e o mundo Wulin. Dito isso, os mais importantes nesse aspecto são as Flores de Memória azuis, que revelam ecos do passado e aumentam seus pontos de vida sempre que você completa cada trecho da trama ligado a elas. Há também a Pedra Negra, que aumenta o Ataque e a Quebra de Guarda, o Âmbar de Sha-Chi, que aumenta o seu Sha-Chi máximo, e Corações Banyan, obrigatórios para desbloquear alguns aspectos da árvore de habilidades de Soul.
Falando mais dos sinos, eles estão espalhados por todos os mapas e servem como seus pontos de descanso e viagem rápida. É também neles que você salva o jogo, melhora suas armas, acessórios e atributos, e utiliza a loja de recursos do game. Não é preciso estar neles para usar a viagem rápida, havendo um item voltado para isso que existe aos montes pelo jogo, mas sinceramente há tantos sinos que esse item acaba não sendo muito necessário.
Um aspecto interessante, aliás, é que sempre que você acha algum NPC que pode te oferecer um item ou upgrade, não precisa voltar nele para isso, pois o que ele oferece será incluído dentro do menu que aparece nesses sinos, sejam materiais de forja ou técnicas para melhorar seus equipamentos.
Outro ponto importante do sino é que ele recupera sua vida e seu Sha-Chi, que é o recurso que você utiliza para se defender e realizar ataques fortes. É importante ressaltar também que os inimigos derrotados não renascem quando você usa o sino. Uma vez mortos, eles permanecem assim para sempre.
Além das missões principais, há diversos objetivos e conteúdos secundários, com alguns sendo mais importantes que outros, fornecendo itens poderosos e inclusive podendo influenciar o desfecho da jornada se não forem feitos ou encontrados. Como os inimigos não renascem, fazer as coisas opcionais acaba sendo fundamental também para você obter mais Poeira Vestigial (a moeda do game) e outros recursos para melhorar seus equipamentos e atributos. Ah, e fica de alerta: se você rushar ignorando os coletáveis e as missões secundárias mais importantes, verá o pior final de todos. E sim, existe New Game+.
Sobre os tipos de inimigos, eles vão desde oponentes que tiveram as mentes distorcidas, passando por marionetes que receberam almas humanas e até mesmo alguns seres monstruosos. Existem os que usam armas brancas, outros armas de fogo e há também aqueles que fazem uso de ambas, magias ou nada disso, usando apenas os punhos e os pés para te atacar. Os chefes também são muito variados e numerosos, alguns sendo fáceis, outros balanceados e também há aqueles que são extremamente difíceis de serem derrotados.
A jogabilidade, que é simplesmente fantástica, chama muito a atenção pelas animações que ocorrem durante os combates. Cada arma normal e arma-fantasma muda completamente o estilo de jogo, oferecendo novas estratégias para os jogadores experimentarem. Além disso, há acessórios que você pode equipar para obter vantagens e também itens de cura com efeitos diversos, que podem ser igualmente equipados e melhorados.
As armas normais têm uma habilidade exclusiva chamada Surto de Poder, que pode ser ativada quando Essência de Sha-Chi suficiente for obtida. No caso das armas-fantasmas, por serem muito poderosas, elas têm uma quantidade limitada de uso, que pode ser aumentada conforme você evolui Soul.
Outro aspecto legal de Phantom Blade Zero é que ele incentiva você a testar todas as armas. Elas vão ficando mais fortes e ganhando novos aspectos à medida que vão subindo de nível. Até o nível 10, você pode resetar o nível delas de volta para 1 e receber de volta todos os recursos investidos de graça. A partir do nível 11, é necessário fazer uso de um item especial para resetá-las, mas ele existe aos montes pelo jogo, então não é bem um problema. Há também a Têmpera Anímica, liberada num trecho mais avançado da história e que serve para despertar o verdadeiro poder das armas, sendo necessário um reagente específico de cada arma para liberar isso.
Todos os inimigos possuem uma barra de Sha-Chi que, quando quebrada, deixam eles totalmente vulneráveis, impedindo que defendam seus ataques. Quando a vida deles estiver quase no fim, você pode realizar um golpe finalizador, com isso valendo inclusive para alguns chefes. Há também oponentes com armadura e escudos que você precisa quebrar antes de causar dano neles, e nessa hora as armas-fantasmas, especificamente aquelas com alto poder de quebra, ajudam bastante. Sem elas, fica mais difícil e demorado de lidar com esses oponentes.
Os chefes também possuem barras de Sha-Chi, que se comportam da mesma forma que aquelas dos inimigos normais. No entanto, Soul também pode ter sua barra de Sha-Chi quebrada se defender demais, o que em alguns casos pode ser fatal.
Para agilizar a quebra dessa barra, é necessário ficar atento aos tipos de ataques dos oponentes para apará-los em vez de defendê-los. Há também ataques poderosos, precedidos por um brilho vermelho, que podem ser desviados na hora H e fazem você se posicionar atrás do inimigo para atacá-lo, assim como ataques com um brilho azul que podem ser aparados, resultando num contra-ataque devastador ao inimigo. Já no caso dos ataques onde a tela fica escura, esses precisam ser completamente desviados, pois causam dano extremo na barra de Sha-Chi e na vida de Soul.
Outra coisa importante da jogabilidade é que você sempre pode (e deve) equipar duas armas normais e duas armas-fantasmas. Trocar a arma normal no meio do combate reseta sua barra de Sha-Chi, com isso sendo essencial para sobreviver contra alguns dos chefes. As armas-fantasmas também são importantes para que você abra novos caminhos nos mapas, com o jogo sempre indicando os locais com isso e arma-fantasma específica para acessá-los. Aliás, isso tudo fica marcado automaticamente nos mapas, facilitando para que você saiba onde precisa voltar quando achar o método para acessar um local que, até então, estava bloqueado, seja com arma-fantasma ou obtendo a chave de alguma porta.
O gameplay e as animações nos combates estão entre as melhores que já vi num RPG de ação, com isso te carregando no game do começo ao fim, sem enjoar. Trabalho fenomenal da S-Game nesse sentido. As músicas também acertam em cheio em elevar o ritmo das batalhas.
O desafio é tolerante com jogadores que não têm muita experiência em jogos de ação, havendo quatro níveis de dificuldade para você escolher. Eu joguei no Desbravador e achei a experiência bastante equilibrada. Outra coisa importante é que nos chefes que possuem mais de uma etapa, também existe uma colher de chá. Se você morrer, digamos, durante a segunda etapa de uma luta contra um deles, ao renascer o confronto começa exatamente nesse ponto, não sendo necessário fazer a primeira etapa novamente.
Dito isso, haverá momentos onde você vai se deparar com chefes opcionais que ainda estarão acima das suas habilidades, sendo necessário que você fique mais forte antes de conseguir derrotá-los. Isso vale também para alguns chefes obrigatórios, caso você rushe o jogo.
Phantom Blade Zero também permite se agachar para passar por locais com teto baixo ou chegar na surdina para tentar surpreender inimigos com um ataque pelas costas. Além disso, há alguns momentos de QTE (Quick Time Event) nas lutas contra determinados oponentes ou chefes. Em certos casos, fracassar nisso acarreta punição, enquanto que em outros você apenas perde uma oportunidade de atacar um inimigo em sequência após derrotar outro.
Minha única queixa no gameplay é que, ao enfrentar grupos de inimigos, o jogo não te fornece uma forma eficaz de enxergar corretamente o que está a sua volta. Você pode estar atacando um oponente e de repente recebe um golpe de outro que você não está conseguindo ver. Você sabe que ele está lá, havendo um marcador na interface indicando isso, mas não sabe o que ele está prestes a fazer.
Há alguns problemas técnicos que precisam ser resolvidos
Graficamente Phantom Blade Zero é bonito, especialmente se você faz uso do Ray Tracing e Path Tracing. É possível se deparar com algumas texturas em baixa resolução nos cenários, mas nada que chegue a comprometer isso como um todo.
O que me incomodou bastante foram as engasgadas. No momento em que escrevi esse texto, mesmo após a atualização que foi disponibilizada dois dias antes do fim do embargo, o game ainda tinha muitos problemas relacionados a isso, que ficam especialmente aparentes se você usa Ray Tracing ou Path Tracing, no caso da versão de PC, que foi a qual joguei. Se você não fizer uso dessas tecnologias, os visuais perdem um pouco da qualidade na iluminação, sombras e reflexos, mas a quantidade e frequência de engasgadas diminui bastante.
Com Path Tracing, esse problema acaba fazendo parte integral da experiência no game, chegando até mesmo a atrapalhar em algumas situações. Trata-se de algo que espero que seja corrigido em algum momento. A situação é tão grave que, por hora, o ideal é jogar sem ativar o Ray Tracing ou Path Tracing, com isso valendo em dobro para o Path Tracing.
Ao longo do tempo que joguei, também me deparei com inimigos que desaparecem e depois são colocados onde estavam originalmente, disparos de oponentes com armas de fogo atravessando as paredes, NPCs ou o próprio Soul ficando “presos” no chão ou em objetos do cenário (isso ocorreu bastante), Soul atravessando paredes, o protagonista ficando travado no mesmo lugar que um inimigo ou chefe e crashes/congelamentos que ocorreram em determinadas cutscenes.
Considerações
Phantom Blade Zero tem potencial para ser um forte candidato a melhor do jogo de 2026 por causa de sua parte artística bem elaborada, história complexa e bem dirigida, ótima trilha sonora, vasta exploração, jogabilidade viciante e combates de tirar o fôlego. É importante ressaltar, no entanto, que ainda há alguns problemas técnicos e de otimização que precisam ser resolvidos, especialmente ao usar Ray Tracing ou Path Tracing no caso do PC. Felizmente, isso não tira muito do brilho deste excelente RPG de ação.
O lançamento de Phantom Blade Zero será em 29 de outubro para PC e PlayStation 5.
Esta análise foi feita no PC (Steam), com uma cópia do jogo gentilmente cedida pela S-Game.
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