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The Immortal: o jogo de Mega Drive que transformou a fantasia em um pesadelo

Com masmorras sombrias, armadilhas mortais e mortes brutais, o clássico da Electronic Arts mostrou um lado perturbador da era 16 bits

30 out 2026 - 08h09
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The Immortal: o jogo de Mega Drive que transformou a fantasia em um pesadelo
The Immortal: o jogo de Mega Drive que transformou a fantasia em um pesadelo
Foto: Reprodução/EA

Enquanto Sonic corria em alta velocidade e Streets of Rage levava a pancadaria para as ruas, um jogo do Mega Drive convidava os jogadores a descer por masmorras repletas de criaturas grotescas, armadilhas e mortes inesperadas. Lançado no início dos anos 1990, The Immortal é um daqueles clássicos que ficaram marcados não apenas pela dificuldade, mas também por sua atmosfera sombria.

Desenvolvido originalmente por Will Harvey e publicado pela Electronic Arts para o computador Apple II, o jogo chegou ao Mega Drive em 1991, antes de ganhar distribuição em outros mercados, incluindo o Brasil, pelas mãos da Tectoy. Com sua perspectiva isométrica e uma combinação de ação, exploração e quebra-cabeças, o título oferecia uma experiência bastante diferente dos jogos de plataforma que dominavam o console.

Mais de três décadas depois, The Immortal continua sendo uma escolha interessante para quem procura jogos antigos capazes de provocar desconforto. E, em época de Halloween, poucas aventuras da geração 16 bit combinam tão bem com uma sessão de nostalgia sombria.

Uma descida ao inferno

Em The Immortal, o jogador controla um mago que parte em busca de seu antigo mestre, Mordamir, desaparecido nas profundezas de uma masmorra. A investigação leva o protagonista por oito níveis repletos de perigos, criaturas hostis e segredos que precisam ser descobertos ao longo da jornada.

A perspectiva isométrica ajuda a construir a sensação de estar explorando um lugar desconhecido. Corredores estreitos, salas escuras e passagens suspeitas escondem ameaças que podem transformar uma exploração aparentemente tranquila em uma armadilha mortal.

O jogo não depende de sustos repentinos para criar tensão. Muitas vezes, o medo surge da incerteza: uma porta pode esconder um inimigo, um corredor pode conter uma armadilha e uma decisão equivocada pode custar a vida do protagonista.

Essa estrutura exige observação e paciência. Avançar sem pensar costuma ser uma péssima estratégia, especialmente para quem está conhecendo a masmorra pela primeira vez.

Mortes brutais e uma dificuldade impiedosa

Foto: Reprodução

Um dos aspectos mais memoráveis de The Immortal são suas cenas de morte. Quando o jogador comete um erro, o jogo não se limita a exibir uma mensagem de derrota. Em diversas situações, apresenta animações explícitas que mostram as consequências fatais de uma armadilha ou de um confronto malsucedido.

Para os padrões da época, essas sequências eram particularmente perturbadoras. Monstros, criaturas subterrâneas e mecanismos mortais transformavam cada tentativa de avançar em uma experiência imprevisível.

O combate também exige atenção. Os inimigos possuem padrões de ataque que precisam ser observados, enquanto o protagonista deve escolher o momento certo para atacar ou se esquivar. Não basta simplesmente apertar os botões repetidamente e esperar pelo melhor resultado.

A dificuldade pode ser frustrante, sobretudo porque aprender envolve cometer erros e descobrir como evitar que eles se repitam. Ainda assim, essa abordagem reforça a atmosfera de vulnerabilidade: o mago está longe de ser um herói invencível, e cada sala representa uma ameaça real.

Um Mega Drive diferente daquele de Sonic

Foto: Reprodução

Visualmente, The Immortal se distancia dos cenários coloridos e da ação acelerada de Sonic que ajudaram a definir a identidade do Mega Drive. Sua apresentação isométrica privilegia a exploração dos ambientes, enquanto os cenários detalhados ajudam a transmitir a sensação de estar preso em um labirinto hostil.

A aventura também mistura elementos de RPG, gerenciamento de itens e resolução de enigmas. Em determinados momentos, encontrar um objeto ou compreender uma pista é tão importante quanto derrotar um inimigo.

Essa combinação faz com que o jogo ocupe um espaço particular na biblioteca do console. Em vez de apostar apenas nos reflexos do jogador, ele exige atenção aos detalhes e disposição para aprender com os próprios erros.

A versão de Mega Drive ainda conta com uma trilha sonora sombria que contribui para a atmosfera da aventura, reforçando o contraste com os jogos mais vibrantes e descontraídos que marcaram a geração.

Um clássico perfeito para o Halloween

The Immortal não é exatamente um jogo de terror no sentido moderno do gênero. Não há a mesma estrutura de sobrevivência que se tornaria popular anos depois, nem a preocupação em construir sustos cinematográficos a todo momento.

Seu horror vem de outra fonte: a sensação constante de perigo, a crueldade das armadilhas e a possibilidade de morrer por não ter percebido um detalhe aparentemente insignificante.

É justamente por isso que o jogo merece ser redescoberto. Em uma época na qual os videogames exploravam diferentes formas de representar violência e fantasia sombria, a aventura de Will Harvey encontrou uma identidade própria, combinando exploração, estratégia e imagens que ficaram gravadas na memória de muitos jogadores.

Para quem cresceu com o Mega Drive, revisitar The Immortal pode ser uma viagem a um mundo menos conhecido do console. Para quem nunca jogou, é uma oportunidade de descobrir um título que não precisava de gráficos realistas ou sustos elaborados para construir uma experiência inquietante. Só não se esqueça de que, nesse clássico, a próxima sala pode ser a última.

Fonte: Game On
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