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Por que o técnico do Haiti nunca esteve no país da seleção que comanda?

Sébastien Migne comanda a seleção a distância por conta da violência e insegurança do país

19 jun 2026 - 16h39
(atualizado às 16h51)
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Haiti, do técnico Sébastien Migné, é o adversário do Brasil na segunda rodada da Copa do Mundo.
Haiti, do técnico Sébastien Migné, é o adversário do Brasil na segunda rodada da Copa do Mundo.
Foto: Justin Setterfield/Getty Images / Jogada10

O Haiti enfrenta o Brasil nesta sexta-feira, 19, às 21h30 (horário de Brasília), no Philadelphia Stadium, na Filadélfia, pela segunda rodada do grupo C. A seleção caribenha volta a disputar um mundial após 52 anos. Por trás da campanha histórica está o técnico francês Sébastien Migne, que assumiu o comando da equipe em abril de 2024 e conseguiu levar o país de volta ao Mundial. Há, porém, um detalhe incomum em sua trajetória: ele nunca esteve no Haiti.

A explicação está na grave crise de segurança que atinge o país, localizado na América Central. Dominado por grupos armados e mergulhado em uma crise política e humanitária sem precedentes, o Haiti é considerado atualmente um dos lugares mais perigosos do mundo.

De acordo com dados do primeiro trimestre deste ano, fornecidos pelo Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti (BINUH, na sigla em inglês), foram registradas 1642 mortes e 745 feridos. Entre o total de mortos e feridos registrados no período, 27% foram atribuídos a ações de gangues, 4% a grupos de autodefesa e mais de 69% a operações das forças de segurança realizadas contra esses grupos armados.

O cenário fez com que diversos serviços fossem interrompidos, incluindo voos internacionais regulares. “É impossível ir ao Haiti porque é muito perigoso. Normalmente moro nos países onde trabalho, mas não posso neste caso”, afirmou Migne em entrevista à revista France Football, em novembro de 2025.

Naquele ano, a violência no Haiti deixou mais de 5.915 mortos e 2.708 feridos, segundo o BINUH. Os números representam aumentos de 5% e 22%, respectivamente, em comparação com 2024.

Trabalho à distância

Sem poder acompanhar de perto o futebol local, o treinador precisou adaptar sua rotina. Informações sobre jogadores que atuam no Haiti passaram a ser repassadas por dirigentes da federação nacional por telefone e videoconferência.

Grande parte do trabalho de observação também foi direcionado aos atletas haitianos que atuam no exterior. Entre eles estão nomes como Jean-Ricner Bellegarde (Wolverhampton, da Inglaterra), Josué Casimir (Auxerre, da França), Hannes Delcroix (Lugano, da Suíça) e Wilson Isidor (Sunderland, da Inglaterra), todos convocados para a disputa da Copa do Mundo.

Além da observação técnica, Migne precisou convencer alguns jogadores com dupla nacionalidade a defenderem a seleção haitiana, fortalecendo o elenco que conquistou a vaga para o Mundial.

Uma crise sem precedentes

O Haiti enfrenta atualmente uma de suas maiores crises de sua história. Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse, em 2021, o país passou a conviver com uma escalada da violência e do controle territorial por parte de organizações criminosas.

Gangues armadas dominam bairros inteiros, rotas comerciais, estradas e centros de distribuição de alimentos e combustíveis. O avanço desses grupos comprometeu o funcionamento de instituições públicas, dificultou a realização de eleições e agravou a crise humanitária.

O risco de sequestros e ataques é considerado elevado, inclusive para estrangeiros. Em muitos casos, representações diplomáticas operam com equipes reduzidas ou funcionamento limitado.

Haiti volta ao Mundial depois de 52 anos

Mesmo diante de todas as dificuldades, o Haiti conseguiu alcançar uma das maiores conquistas de sua história esportiva recente ao garantir presença na Copa do Mundo de 2026.

A seleção disputa apenas sua segunda edição do torneio. A única participação anterior havia acontecido em 1974, quando o país foi eliminado ainda na fase de grupos.

Agora, sob o comando remoto de Sébastien Migne, os haitianos tentam escrever um novo capítulo de sua história no futebol mundial, enfrentando os comandados de Carlos Ancelotti. 

Fonte: Portal Terra
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