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Casos da Bola: bastidores de Edmundo no Timão em 96

Foram seis meses intensos, com direito a atraso no salário e briga com Bernardo

7 dez 2018
13h31
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Dezembro de 1995. Edmundo, então no Flamengo, se envolve em um grave acidente de carro no Rio de Janeiro, que terminou com a morte de três pessoas. O atacante seria condenado posteriormente a 4 anos e meio de prisão em regime semiaberto por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Dentro de campo, o Animal, que havia se tornado ídolo no Palmeiras, terminava a temporada no time carioca sem o sucesso esperado ao lado de Romário e Sávio. Foi aí que apareceu o interesse do Corinthians. Apesar de ter prometido não voltar a jogar mais em São Paulo, não restou outra alternativa para o craque.

Edmundo teve uma breve passagem pelo Corinthians em 1996
Edmundo teve uma breve passagem pelo Corinthians em 1996
Foto: Acervo / Gazeta Esportiva

Com a contratação definida, o repórter Toni Assis, que era o setorista do clube na Folha da Tarde, passou a ser cobrado pela chefia para descobrir quando Edmundo chegaria. Cansado de ser driblado pela diretoria corintiana, Toni abusou do sotaque carioca (nasceu em Niterói), ligou para a casa do então presidente Alberto Dualib e se passou por Edmundo.

A tática deu certo. Dualib acreditou que estava mesmo falando com o atacante, perguntou se ele estava bem de cabeça e ainda passou a data da chegada para o repórter, dizendo que maiores detalhes ele poderia conseguir com o então vice-presidente do clube, Zezinho Mansur.

Foi um casamento que durou pouco tempo. Apesar dos 23 gols, em 33 jogos, Edmundo logo se cansou da vida paulistana novamente. Com poucos amigos no clube, o atacante chegou a brigar com Bernardo no vestiário e ficou um tempo sem dar entrevista. 

Até que depois de um treino, em uma sexta-feira pela manhã, Edmundo voltou a falar. Como o Corinthians também treinaria à tarde, quase ninguém estava no Parque São Jorge. Apenas eu, então setorista do Corinthians pelo Notícias Populares, e Márcio Trevisan, repórter da Gazeta Esportiva. Edmundo puxou papo com Trevisan, que conhecia da época do Palmeiras, e depois de um tempo passou a reclamar de um dinheiro que o Timão ainda devia pra ele. “Eles podem me pagar como quiserem, com cheque pré-datado, parcelando, mas é chato tomar calote”, reclamou Edmundo.

Era o começo do fim. A saída definitiva se concretizou depois que o atacante abandonou um treino, após discutir com o goleiro Nei e brigar com o zagueiro Cris. Edmundo nunca mais voltou, o contrato foi rompido, e ele acabou se transferindo para o Vasco.

Naquele mesmo ano, o Vasco enfrentou o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro. Foi o reencontro de Bernardo e Edmundo. E recebi a missão de ouvir o atacante, antes do jogo, para saber se ele temia alguma coisa. “Se eu tivesse medo de homem, não saía de casa”, respondeu um irritado Edmundo, desligando o telefone em seguida, no melhor estilo Animal. Só para constar: a partida terminou 0 x 0 e não houve briga.

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