Presidente chora e diz que processa Neymar por ressarcimento
O presidente Modesto Roma Júnior confirmou que o Santos iniciou uma briga na Fifa para tentar receber mais valores sobre o investimento feito pelo Barcelona, da Espanha, para a contratação de Neymar, em maio de 2013. Emocionado durante todo o pronunciamento, que aconteceu na Vila Belmiro, chegando a chorar em alguns momentos, o mandatário informou que o processo envolverá o clube espanhol, Neymar, o pai do jogador e a empresa deles, envolvida na transação, mas pediu para que separem a relação do jogador com o clube alegando que a demanda não é contra o ídolo santista, maior artilheiro do clube após a era Pelé.
“Diferentemente das outras vezes hoje estou um pouco mais formal. Formal, talvez, pela gravidade e seriedade do assunto. O Santos Futebol Clube respeita e idolatra todos os seus ídolos, o temos como o nosso bem maior, mas hoje vamos falar não sobre um ídolo, e sim sobre relações comerciais e de negócios do clube. No dia de ontem (quinta-feira), o Santos interpôs uma demanda arbitral diante da Fifa em face do Barcelona, do senhor Neymar da Silva Santos, do Neymar da Silva Santos e da empresa Neymar Sport e Marketing”, disse o mandatário.
“O Santos pretende ter indenização e fará uso de todas as vias legais para salvar os seus direitos com advogados em Madri e em São Paulo. Não estamos demandando contra o ídolo, mas em prol do Santos Futebol Clube. Não poderíamos nos omitir nessa situação agora”, completou.
O clube cobra o recebimento com juros da diferença entre os valores anunciados: de cerca de R$ 57 milhões de euros para 83,3 milhões de euros. Além disso, o Santos quer uma indenização por danos causados e pedirá o ressarcimento das despesas referentes a ação.
"Pelas provas colhidas, processados pela audiência na Espanha, o Santos tomou conhecimento de que os valores pagos pela aquisição do atleta chegaram aos R$ 83,3 milhões de euros", explicou.
"Temos o Santos como sendo maior que suas partes. Respeitamos a todos e as suas imagens, mas precisamos ressarcir os prejuízos causados ao clube. A nossa posição nessa demanda atinge todas as partes envolvidas, são cinco. A obrigação do Santos é com a entidade e se essa transferência não for muito bem analisada causará prejuízos sérios ao futebol, desmoralizando todos os meios Fifa".
Essa é a primeira ação da diretoria eleita em dezembro sobre o caso, mas só mais um episódio da novela que já contou com uma série de desdobramentos que já levaram a renúncia do presidente catalão Sandro Rosell, além de uma série de investigações da justiça espanhola.
O Barcelona ainda será notificado e terá até vinte dias para se manifestar. Depois disso, entra a fase de colher provas das partes. O Santos, no entanto, já espera por desdobramentos dizendo que a parte que perder na Fifa apelará ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS). Durante a entrevista, Modesto disse aguardar também por "sanções disciplinares".
A justiça abriu ação contra o então presidente do Barcelona, Sandro Rosell. O jornal espanhol El Mundo divulgou que o valor total chegaria a 95 milhões de euros (cerca de R$ 314,8 milhões). O atual presidente catalão, Josep Maria Bartomeu, também foi indiciado. Ambos também recorrem contra pedidos de prisão.
Os catalães, por sua vez, afirmaram não haver fraude elevando o custo da negociação para 86,2 milhões de euros (cerca de R$ 285,6 milhões), sendo quase metade às empresas do pai do atleta.
A última diretoria santista, responsável por fechar a transação, garantiu que ter recebido apenas 17,1 milhões de euros (R$ 54 milhões à época). Do montante, só teve direito a 55%, ou 9,4 milhões de euros (R$ 29,7 milhões), já que o Grupo DIS recebeu 40% da transação, enquanto a Teisa, grupo formado por conselheiros influentes, 5%. O clube ainda acertou por 8 milhões de euros (R$ 24 milhões) a preferência aos catalães na compra três promessas das categorias de base, além dos amistosos acordados, um deles que ainda não aconteceu.
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