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Futebol

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Copa do Mundo: preços dinâmicos funcionariam no futebol brasileiro? Entenda

Sistema de precificação é comum no mercado norte-americano e tem gerado alta de preços dos ingressos para o Mundial

3 jun 2026 - 15h41
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A adoção de preços dinâmicos para a definição do valor de ingressos da Copa do Mundo de 2026 levou a uma alta de valores. Mesmo assim, o modelo, em que as cifras variam de acordo com a demanda, é tendência e há movimentações para usá-lo no Brasil. As alterações podem ser para cima, se a procura for grande, ou para baixo, em caso de demanda menor.

Os Estados Unidos são os maiores entusiastas do preço dinâmico, aplicado a eventos como o Super Bowel e agora à Copa do Mundo, cujas entradas triplicaram de valor e ultrapassaram a casa dos R$ 161 mil para a grande final.

O ramo dos shows também têm se utilizado do modelo, a exemplo da venda de ingressos para o reencontro da banda Oasis em 2025. No Reino Unido, muitos fãs relataram que os preços que dobraram e até triplicaram.

MetLife Stadium é um dos estádios da Copa do Mundo.
MetLife Stadium é um dos estádios da Copa do Mundo.
Foto: @metlifestadium via Instagram / Estadão

O sistema ainda não é popular no Brasil, especialmente no futebol. Hoje, os ingressos são precificados com valores fixos de acordo com os setores das arenas e com a relevância da partida em questão.

"O sistema de precificação dinâmica é bastante utilizado no exterior para eventos esportivos e de entretenimento. Caso haja sucesso desse modelo na Copa do Mundo, a maior competição de futebol do planeta, o método deve começar a ser testado no Brasil em breve. Porém, é muito importante que os organizadores dos grandes espetáculos esportivos estejam atentos às características específicas da nossa cultura de estádio e do nosso modo de torcer", avalia Pedro Weber, sócio da Chenus, empresa especializada em investimentos no esporte.

Já Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma líder em gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor, acredita que a chegada do modelo dinâmico de precificação no Brasil é apenas questão de tempo.

"Isso já vem ocorrendo em outros mercados e vai chegar ao futebol brasileiro. Vemos somente como uma questão de 'quando' e não de 'se'", acrescenta Robson Carlo, sócio-fundador da FutebolCard, plataforma gestão de ingressos e programas de sócio-torcedor. "Mas, para que tudo isso ocorra, é necessário que haja uma reorganização da indústria, o que inclui liberar o mercado secundário e atacar o cambismo."

O executivo defende que o mercado secundário, a partir desta reorganização, não necessariamente seria sinônimo de valores inflacionados.

"A precificação dinâmica pode inclusive ajudar a corrigir os casos em que o clube erra no preço e o público no estádio acaba sendo aquém do esperado. Já o mercado secundário pode resolver problemas como a presença de assentos vazios mesmo quando os ingressos se esgotaram mas ainda há demanda, além de permitir, por exemplo, que determinada pessoa que comprou os ingressos e não poderá mais comparecer possa transferi-los". .

Na legislação brasileira, também podem existir entraves para uma eventual aplicação dos preços dinâmicos. Isso porque o Código de Defesa do Consumidor (CDC) do Brasil, por exemplo, possui artigos que coíbem abusos que possam vir a partir desse sistema, como o impedimento de que pessoas peguem preços diferentes pelos mesmos produtos ou serviços oferecidos nas mesmas condições.

Elevação do preço dos ingressos na Copa do Mundo

Jogos da primeira fase da Copa do Mundo estão com ingressos cotados entre US$ 353 e US$ 706 (o valor equivale de R$ 1.961 a R$ 3.926). Partidas de forte apelo, como o jogo entre Espanha e Uruguai, por exemplo, estão com preços que saltaram de R$ 600 para R$ 1.575, segundo reportagem recente do Jornal Nacional.

"Temos que analisar. Estamos em um país onde o entretenimento é o mais desenvolvido do mundo, então precisamos aplicar preços compatíveis",, defendeu Gianni Infantino, presidente da Fifa. "Nos EUA, a revenda de ingressos também é permitida, então, se você vendê-los a um preço muito baixo, serão renegociados a um preço muito mais alto. E, na verdade, mesmo que algumas pessoas digam que nossos preços são altos, elas acabam no mercado de revenda por um preço ainda maior, mais que o dobro do nosso", ressaltou.

Segundo a entidade máxima do futebol mundial, 90% da arrecadação da Copa é reinvestida no desenvolvimento do esporte pelo mundo. A estratégia do aumento repentino dos valores, especialmente durante picos de venda, é vista como forma de maximizar a arrecadação dos organizadores. Nos casos contrários, entretanto, pode baratear o custo para os espectadores.

"A adoção do preço dinâmico transforma a bilheteria em uma ferramenta estratégica de gerenciamento de receita e ocupação. O assento de um estádio é o produto mais perecível do mercado, se o jogo começa e a cadeira continua vazia, aquele potencial de receita é zerado para sempre. O modelo permite que o clube capture o valor real do entusiasmo coletivo e da expectativa da torcida, especialmente quando existe um planejamento de elenco ambicioso. Ao mesmo tempo, a implementação precisa ser transparente e equilibrada, premiando o torcedor que se planeja sem transformar o acesso ao estádio em algo elitizado", pontua Thales Rangel Mafia, gerente de marketing da Multimarcas Consórcios.

Estadão
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