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Categorias de base trabalham para compensar o tempo perdido com a pandemia

Equipes contabilizam problemas como a perda da capacidade técnica por causa da paralisação dos treinos

10 jan 2021
05h10
atualizado às 05h10
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O ano de 2021 começa com as categorias de base envolvidas em uma cruel dúvida. A paralisação das atividades encarada por garotos de várias idades por causa da pandemia tem desafiado os gestores e treinadores a quantificarem qual foi o prejuízo técnico e físico. A avaliação de alguns é que ao terem de trocar os treinos presenciais pelas atividades online, os garotos podem ter perdido um tempo precioso de formação.

O retorno das competições sub-17 e sub-20 em meados de setembro, após seis meses de paralisação, indicou alguns caminhos. As categorias inferiores ainda não puderam retomar as atividades, mas é certo que o longo tempo distante da bola e dos treinos convencionais precisará ser recuperado.

"A sub-20 e a sub-17 são as únicas categorias que voltaram presencialmente ao CT. Usamos isso como parâmetro. As equipes apresentaram de 70% a 75% do perfil físico. Para nós, isso é uma grande vitória. Com três semanas de trabalho eles chegaram aos 90% e se recuperaram rapidamente", explicou o coordenador das categorias de base do Atlético-MG, Júnior Chávare.

Até mesmo os coordenadores das categorias de base de vários clubes têm se unido para trocar informações sobre o trabalho com a base. Alguns encontros têm a participação de técnicos da CBF. Apesar das preocupações em comum, existe o entendimento de que por serem jovens, esses garotos terão tempo de compensar essa perda ao longo dos próximos anos.

"Nenhuma categoria vai precisar de mais de um mês de pré-temporada para voltar à condição normal", disse Chávare. Porém, já que ainda não se tem previsão de quando as categorias abaixo do sub-17 poderão voltar, as equipes vivem uma apreensão. "As categorias abaixo do sub-15 devem ter uma perda significativa na formação por se tratar de idades sensíveis ao aprendizado motor e recrutamento de fibras. O São Paulo está atento a isso e buscando soluções que amenizem essa lacuna", explicou o coordenador técnico da base do clube, Pedro Smania. Na opinião dele, mesmo com treinos online, o acompanhamento não é tão efetivo se fosse no modo presencial.

O técnico sub-20 do Fluminense, Eduardo Oliveira, entende que um foco grande de atenção nessa retomada deve ser o oposto, em especial garotos entre 19 e 20 anos. Nessa faixa etária os garotos iniciam a transição ao profissional, processo que teve a rota alterada ao longo da última temporada.

"Quanto mais jovem, mais tempo de recuperação ele tem. Os meninos do sub-11 ao sub-14, por exemplo, sequer retornaram aos CTs neste ano. Mas como eles possuem até oito anos pela frente para poder dar prosseguimento ao processo de evolução, eles vão sentir menos", disse. "Os atletas do sub-20 sentem mais. Tivemos menos tempo de interação, por mais que tenhamos o calendário competitivo completo. O tempo de evolução dessa faixa etária ficou reduzido. Mas, em meio a pandemia, o que o futebol brasileiro conseguiu entregar já é super positivo", completou.

Estadão
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