Campeonato do NE chega à semi "abandonado" e deve mudar em 2011
Sucesso de público até 2003, o Campeonato do Nordeste ficou sete anos fora do calendário e voltou sem o mesmo destaque em 2010, em sua nona edição. Depois de 15 rodadas marcadas por estádios vazios, ABC-RN, Vitória-BA, CSA-AL e Treze-PB garantiram vaga às semifinais, que serão disputadas em partidas únicas nesta quarta-feira, com decisão nos pênaltis em caso de empate.
Embalado pelo título da Série C e pela melhor campanha da fase de classificação, o ABC recebe o Treze no Frasqueirão, em Natal. Já o Vitória, focado na briga contra o rebaixamento no Campeonato Brasileiro, deve escalar um time recheado de atletas revelados em suas categorias de base para encarar o CSA, no Barradão. Os dois jogos serão às 22h45 (horário de Brasília).
Além da baixa média de público e da ausência dos melhores jogadores nos principais clubes em várias partidas, o Campeonato do Nordeste ficou marcado por fatos curiosos e lamentáveis durante a primeira fase.
Em julho, o duelo entre CRB-AL e Fortaleza, no estádio Rei Pelé, teve de ser remarcado para o dia seguinte por causa de uma confusão envolvendo ambulâncias. Antes do jogo, não havia nenhum veículo disponível. O problema foi solucionado e a partida teve início, mas um torcedor precisou ser atendido e um novo carro foi solicitado. No entanto, foi enviado ao local do confronto sem os equipamentos exigidos pelo Estatuto do Torcedor, o que fez a arbitragem cancelar a partida.
Outro fato curioso aconteceu na última rodada da fase classificatória: lutando contra o rebaixamento no Brasileiro e já classificado às semifinais do torneio regional, o Vitória encarou o Treze-PB com uma equipe sub-17 e empatou por 0 a 0. O resultado fez a alegria dos poucos torcedores do time rubro-negro presentes no Barradão, já que um triunfo do clube classificaria o rival Bahia à fase seguinte.
Escalar equipes reservas, por sinal, foi expediente comum na primeira parte do torneio, que teve início durante a Copa do Mundo e depois passou a dividir espaço com o Brasileiro. Bahia, Ceará, Santa Cruz e Náutico - além do Vitória - focaram suas atenções na competição nacional e acabaram afastando os torcedores e os lucros: em média, cada partida levou apenas 1.900 pagantes aos estádios, enquanto o Santa Cruz recebia mais de 30 mil torcedores por jogo na Série D, por exemplo.
Para mudar este cenário e retomar o charme de uma das competições regionais mais tradicionais do País, a Liga do Nordeste discute mudanças para os próximos dois anos (um acordo judicial com a CBF garante o torneio somente até 2012). Para Eduardo Rocha, presidente da entidade que organiza o campeonato, o ideal seria disputar a competição no primeiro semestre, junto aos estaduais, que ocupam o período antes destinado à disputa regional.
"Aqui temos uma rivalidade que não há em nenhum outro lugar do Brasil. Nossa região é maior que Portugal ou Espanha e os torcedores gostam do Campeonato do Nordeste. Se você pegar a média de público da competição em 2002, verá que era a melhor do País. Foi capa de revista", comenta o mandatário, que confia na disponibilidade de datas para a realização simultânea dos campeonatos e vislumbra um público médio de 8 mil pessoas na próxima temporada.
Para isso virar realidade, no entanto, a ideia de transferir o torneio para o primeiro semestre terá de ser posta em prática. De acordo com Rocha, o único empecilho é a resistência da Federação Pernambucana, que não quer concorrência para seu Estadual e se recusa a incluir seus afiliados na edição do ano que vem.
"A maioria entende que a disputa no primeiro semestre é comercialmente mais viável, menos o pessoal de Pernambuco. São todos os clubes contra dois (Santa Cruz e Náutico). Ou aceitam, ou estão fora", disse, lembrando que o Sport abdicou do direito de disputar o Campeonato do Nordeste e deixou a competição com apenas 15 equipes nesta temporada. A intenção é contar com 16 times em 2011.
A definição quanto ao formato adotado no próximo ano e às equipes participantes está prevista para esta quinta-feira. Deve ser um dos últimos atos de Eduardo Rocha como presidente da Liga do Nordeste, já que novas eleições ocorrerão em 1º de dezembro, mesmo dia da decisão do Campeonato do Nordeste de 2010. O provável sucessor é Alexis Portela, presidente do Vitória, candidato único até o momento.
Times de Pernambuco não devem participar no ano que vem
O futuro do Campeonato do Nordeste deve ser selado nesta quinta-feira. A tendência é que a competição passe a ser disputada no primeiro semestre em 2011, simultaneamente com os estaduais e, por este motivo, sem a presença de Náutico e Santa Cruz - a participação do Sport, que abdicou da disputa neste ano, já está descartada.
A mudança no calendário proposta pela Liga do Nordeste visa recuperar o brilho do torneio, que não caiu nas graças dos torcedores em 2010, quando dividiu espaço com a Copa do Mundo e o Campeonato Brasileiro. O problema é que a Federação Pernambucana não quer concorrência para o campeonato de seu estado e não deseja ter representantes no torneio regional. O assunto vem até gerando atrito entre dirigentes.
De acordo com Carlos Alberto de Oliveira, presidente da entidade pernambucana, não haveria datas suficientes para duas disputas simultâneas. "Se há apenas 23 datas, como é que pode querer realizar duas competições? Apoiamos a Copa do Nordeste, mas é impossível. Nossos clubes não vão disputá-la", diz o mandatário.
A mudança no calendário se baseia na boa média de público obtida pelo Campeonato Pernambucano nos últimos anos - a maior do Brasil, segundo a Federação -, mas desagrada o presidente da Liga do Nordeste, Eduardo Rocha, que confia na possibilidade de realizar o torneio regional no primeiro semestre, mesmo com a permanência dos estaduais no começo da temporada.
"Ele (Carlos Alberto) se vangloria de ter o maior campeonato, mas é algo artificial. Tem jogos em que o público é de 3 mil pessoas, mas 2.990 pegam os ingressos em troca de notas fiscais", diz o mandatário, referindo-se ao programa Todos com a Nota, do Governo de Pernambuco, que permite aos torcedores trocarem notas fiscais por ingressos.
Carlos Alberto de Oliveira minimiza. "Não é por isso que nosso campeonato é bom, há rivalidade entre os clubes. Nossas equipes estão em divisões inferiores no Brasileiro, mas isso é ocasional", diz o dirigente, que afirma ter o apoio da Federação Cearense. "Se Pernambuco e Ceará não abrem mão de datas de seus estaduais, não sei como vão realizar o Campeonato do Nordeste".
Eduardo Rocha antecipou o fim de seu mandato e deixará a presidência da Liga do Nordeste no fim deste ano, quando Alexis Portela, presidente do Vitória e candidato único até o momento, deve assumir seu lugar. Rocha afirma que a decisão não tem a ver com a resistência das federações, mas não poupa críticas a Carlos Alberto de Oliveira.
"O presidente do Vitória tem representatividade nacional e regionalmente, por isso é meu candidato", disse. "Não devo nada ao Carlos Alberto, mas digo que ele é anacrônico, faz mal ao futebol da região e é um aprendiz de ditador. A situação dos clubes de Pernambuco é reflexo da administração dele", concluiu, lembrando que não há clubes do estado na Série A.