Árbitro sofre agressão física por homofobia
Árbitro alemão foi brutalmente agredido em Colônia dias após pedir o namorado em casamento durante o "Dia da Diversidade" da Bundesliga
O caso de Pascal Kaiser chocou a Alemanha e ganhou repercussão internacional neste fim de semana. O árbitro amador alemão e ativista LGBTQIA+ foi brutalmente agredido poucos dias após protagonizar um gesto simbólico de diversidade em um estádio da Bundesliga, levantando um debate profundo sobre segurança, intolerância e crimes de ódio no esporte europeu.
No dia 31 de janeiro de 2026, durante o "Dia da Diversidade" da Bundesliga, Kaiser entrou no gramado do RheinEnergieStadion, em Colônia, antes da partida entre Colônia e Wolfsburg, e pediu seu namorado, Moritz, em casamento. O momento foi celebrado por cerca de 50 mil torcedores, com aplausos e iluminação especial nas cores do arco-íris. As imagens circularam pelo mundo como um marco de visibilidade em um ambiente ainda marcado por resistência a pautas LGBTQIA+.
A repercussão positiva, no entanto, veio acompanhada de uma onda de ataques. Nos dias seguintes, Pascal Kaiser passou a receber ameaças diretas nas redes sociais, incluindo mensagens com a divulgação de seu endereço residencial. Na noite de sábado para domingo, entre 7 e 8 de fevereiro, o árbitro chegou a acionar a polícia de Colônia, que avaliou não haver risco imediato.
Cerca de 20 minutos após o contato com as autoridades, Kaiser saiu ao jardim de sua casa e foi surpreendido por três homens. Ele foi cercado e violentamente agredido, sofrendo diversos ferimentos, entre eles uma lesão no olho direito. O caso está sendo investigado pelas autoridades locais, e a principal linha de apuração trata o ataque como crime de ódio motivado por homofobia.
A agressão provocou forte reação de entidades ligadas aos direitos humanos e da comunidade LGBTQIA+ na Alemanha, que criticaram a condução inicial do caso e a subestimação das ameaças feitas contra o árbitro. Organizações apontam falhas na avaliação de risco e cobram medidas mais rígidas de proteção para pessoas que se tornam alvos após episódios de grande exposição pública.
Pascal Kaiser atua como árbitro em competições regionais do futebol alemão. Em 2022, assumiu publicamente sua bissexualidade e passou a se posicionar de forma ativa contra a homofobia nos estádios. Mesmo após a violência sofrida, ele afirmou, por meio de suas redes sociais, que não pretende se calar e que a visibilidade segue sendo uma ferramenta essencial no combate ao preconceito.
O episódio expõe um contraste simbólico e duro. O mesmo gesto que arrancou aplausos de um estádio lotado terminou, dias depois, em agressão física fora dos holofotes. Em uma cidade historicamente associada à diversidade e à inclusão, o caso de Pascal Kaiser reforça que o combate à intolerância no esporte ainda enfrenta obstáculos concretos e, em alguns casos, perigos reais.