'A França é tudo que o Brasil já foi': veja análise do Seleção Estadão
Comentaristas destacam organização, intensidade e qualidade técnica da seleção francesa após vitória sobre Marrocos nas quartas de final da Copa do Mundo
A classificação da França para a semifinal da Copa do Mundo reforçou a impressão de que a equipe comandada por Didier Deschamps é, neste momento, a principal referência do futebol mundial. Após a vitória por 2 a 0 sobre Marrocos, os comentaristas do Seleção Estadão compararam o atual momento dos franceses com o auge histórico da seleção brasileira.
Para o jornalista João Abel, a França reúne características que marcaram as grandes gerações do Brasil. "Essa França é tudo o que o Brasil já foi. É impressionante. É tudo o que o Brasil já foi e que a gente queria que continuasse sendo."
O ex-atacante Paulo Sérgio concordou com a análise e lamentou a perda da identidade que, segundo ele, caracterizou o futebol brasileiro por décadas.
"Infelizmente, aquele futebol bonito, atrativo, que nós víamos no Brasil, não vemos mais. Hoje a gente acaba enxergando isso na seleção da França. Há uma rotatividade muito grande entre os jogadores de meio e ataque, uma defesa muito bem organizada e um time que vem encantando não apenas os franceses, mas o mundo inteiro."
Para Paulo Sérgio, a atuação diante de Marrocos mostrou a força coletiva da equipe francesa. O comentarista admitiu que esperava um confronto mais equilibrado, principalmente pelo desempenho dos marroquinos contra o Brasil, mas viu a França controlar a partida com autoridade.
"Eu imaginava que Marrocos fosse oferecer mais dificuldades. Mas, quando você joga de forma aberta contra essa França, fica muito complicado. Eles têm Olise, Barcola, Doué, Dembélé... é muita qualidade e muita velocidade."
João Abel também destacou a diferença entre o desempenho francês e o brasileiro diante do mesmo adversário.
"Foi interessante a França enfrentar Marrocos porque tivemos esse parâmetro. O Brasil sofreu bastante contra eles, enquanto a França praticamente controlou o jogo do início ao fim. A expectativa era de um duelo mais equilibrado, mas isso não aconteceu."
Na avaliação de Paulo Sérgio, um dos fatores que tornam a França favorita ao título é a capacidade de pressionar a saída de bola e acelerar os ataques após recuperar a posse.
"Marrocos tentou jogar de igual para igual, mas perdeu muitas bolas no meio-campo. A França pressiona muito bem, recupera a bola e já acelera em direção ao ataque. É isso que faz essa seleção estar acima das outras hoje. Se você tentar enfrentá-la de igual para igual, a tendência é acabar derrotado."
Com a vitória sobre Marrocos, a França garantiu vaga na semifinal da Copa do Mundo. Agora, os franceses aguardam o vencedor do confronto entre Espanha e Bélgica para conhecer o adversário na disputa por uma vaga na decisão do torneio.
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