Script = https://s1.trrsf.com/update-1768488324/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Futebol Americano

Jogadores da Louisiana nos Saints podem enfim ter esperança

3 fev 2010 - 17h18
(atualizado às 17h23)
Compartilhar

Tracy Porter estava caminhando em meio ao caos das sessões de entrevistas que antecedem o Super Bowl, na terça-feira, e parou para descobrir por que uma roda maior de pessoas se tinha formado. Os jornalistas estavam assistindo a uma coreografia improvisada apresentada por Marlon Favorite, nascido em Gretna, Louisiana, e bloqueador defensivo do New Orleans Saints.

» Jogadores falam sobre o Super Bowl de domingo

» Manning pode virar quarterback mais bem pago da história

» Chuva marca início dos preparativos para o Super Bowl

» Por que os fãs adoram briga no hóquei? Canadenses contam

Porter saiu caminhando, sacudindo a cabeça. "Ele acaba de causar 50 anos de atraso para a Louisiana", disse Porter. Favorite ouviria uma nova bronca sobre sua dança naquela noite. "Ele é da Louisiana", disse Porter, sorrindo. "Eu sempre exijo mais dos caras das Louisiana".

Quatro membros do time do New Orleans Saints, vencedor do título da conferência nacional da NFL este ano, nasceram na Louisiana. O lateral Randall Gay nasceu em Brusly, Favorite vem de Gretna, o recebedor Devery Henderson é de Opelousas e o lateral Porter é de Port Allen.

Favorite não estava arrependido pela dança. Titular da equipe da Universidade Estadual da Louisiana que conquistou um título americano universitário em 2007, ele foi promovido da equipe de treinamento para o time principal dos Saints apenas em 20 de janeiro.

Favorite sabe o efeito que o time teve sobre sua cidade. Ser parte de uma equipe que fará uma participação histórica em um Super Bowl bem vale uma pirueta. "Sei as dificuldades que passamos, e é uma benção poder representar o seu Estado natal e, no meu caso, minha cidade natal, em um dos palcos mais importantes do esporte", disse Favorite.

A presença dos jogadores da Louisiana no time deu aos Saints e a esse Super Bowl um aspecto mais íntimo e distante dos exagerados que cercam a decisão da temporada. Uma equipe que jamais havia chegado a uma decisão vem sendo propelida em parte por um núcleo de jogadores que passaram a infância sonhando com a oportunidade de um dia jogar pelos Saints. Em um período no qual cada vez mais torcedores se queixam da distância entre os atletas profissionais e as equipes que os pagam, o relacionamento estreito entre os Saints e seus torcedores continua autêntico.

"Isso definitivamente torna as coisas muito mais pessoais", disse Porter ao se acomodar para sua entrevista. "O amor que o Estado todo demonstra pelos Saints faz com que cada pessoa se torne quase um jogador do time. Se perdemos o jogo, vemos o sentimento no rosto das pessoas. Elas se chateiam de verdade. Se vencemos, sentem o mesmo que nós, ficam felizes. Os torcedores têm participação tão importante quanto a dos jogadores em nossa jornada até o Super Bowl".

Ao contrário de Gay, Henderson e Favorite, que estudaram todos na Universidade Estadual da Louisiana, Porter deixou o Estado e estudou na Universidade de Indiana. Demorou a se desenvolver no esporte, e só começou a praticar futebol americano no segundo ano do curso secundário da Port Allen High School. "Eu não estava no radar de muita gente; talvez eles não quisessem arriscar, porque achavam que eu fosse um jogador bem cru", disse Porter.

Depois de uma carreira estelar em Indiana, que culminou com sua indicação para a seleção de sua conferência universitária, Porter estava pronto para voltar para casa. Mas simplesmente não sabia disso. Ele descreve o dia do processo seletivo de 2008, quando Sean Payton, o técnico dos Saints, ligou para dizer que ele havia sido escolhido pelo time, como o mais feliz de sua vida ¿ um rótulo que só mudará caso os Saints venham a derrotar o Indiannapolis Colts no Super Bowl.

Gay cresceu sonhando em jogar para os Saints. Quando começou no futebol americano, no início dos anos 90, o time não estava indo tão mal: oito vitórias e oito derrotas em 1990, 11 e cinco em 1991 e 12 e quatro em 1992. Bom o bastante para dar esperança a um jovem que aspirava se tornar jogador. Mas em seguida vieram os anos de seca, sete temporadas consecutivas com mais derrotas que vitórias.

Gay se tornou astro na universidade, foi selecionado pelo New England Patriots e jogou pela equipe de 2004 a 2007. "Eu sempre torci por eles, não importa qual fosse a situação", ele diz sobre os Saints. "Mesmo quando eu jogava pelos Patriots, torcia pelos Saints. A menos que estivéssemos jogando contra o time, eu torcia por eles".

"Sempre que eu entro em campo para jogar futebol americano, não importa que camisa eu esteja vestindo, estou representando o meu Estado", disse Gay. "Estou representando a Louisiana. No domingo, terei a oportunidade de representar a Louisiana no maior jogo que o time já realizou. Poderei dizer aos meus filhos que fui parte do primeiro time dos Saints a vencer um Super Bowl".

Gay jamais imaginou que os Saints chegariam a um Super Bowl. Embora boa parte do Estado tenha sempre apoiado o time, tanto nos bons como nos maus momentos, uma mentalidade de derrota se instalou entre os torcedores ao longo das décadas, e se enrijeceu.

"As pessoas se acostumam com as coisas, e nos acostumamos a ver os Saints derrotados", disse Gay. "Mesmo que começassem bem, os torcedores sentiam que o time ia estragar as coisas. Chegaria o momento em que estragariam tudo. Este ano, tomamos cuidado para não estragar. Vamos até o fim. Estamos tentando chegar ao ponto mais alto esta semana".

Gay venceu seu primeiro título com os Patriots. E se os Saints vierem a superar os Colts, favoritos para a partida de domingo? "Esse título representaria muito mais para mim", disse Gay. "Nasci e me criei lá, e vou morar lá até morrer, de modo que ser parte de algo que nunca aconteceu em seu Estado natal faz com que você sinta ter conquistado um lugar na história".

Quatro jogadores nascidos na Louisiana representam o time de seu Estado em seu primeiro Super Bowl. Um sonho, de fato, e possivelmente um sonho que se tornará realidade.

Tradução de Paulo Migliacci

The New York Times
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra