Festa em Milão: brasileiros vibram com ouro de Lucas Braathen, primeira medalha do país nos Jogos de Inverno
Cerca de mil pessoas passaram pela Casa Brasil neste sábado (14), espaço montado pelo COB durante os Jogos de Inverno de Milão-Cortina. Ao som de música brasileira e em clima de muita animação, o público celebrou a primeira medalha do país, conquistada na décima participação do Brasil na competição.
Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão
Vinte e quatro anos após a estreia do Brasil nas Olimpíadas de Inverno, a inédita medalha finalmente chegou. Aos 25 anos, Lucas Pinheiro Braathen conquistou o ouro no slalom gigante, disputado em Bormio, no norte da Itália. O esquiador não conteve a emoção ao ouvir o Hino Nacional Brasileiro pela primeira vez em um pódio dos Jogos de Inverno.
"Eu tentei de novo e de novo colocar palavras no que estou sentindo e isso é simplesmente impossível. Muitas pessoas me deram essa luz que me trouxe o poder para ser o mais rápido do mundo hoje e para ser campeão olímpico. E eu realmente espero que essa luz possa brilhar em outros, inspirem-nos de uma forma que eles consigam seguir a sua própria luz, o seu próprio coração e confiar em quem eles são", afirmou o atleta após receber a medalha.
Lucas relembra que, na infância, sonhava em se tornar jogador de futebol e destaca a influência de seus ídolos no seu desenvolvimento esportivo.
"Quando eu visitava minha família no Brasil, meus primeiros modelos de atletas eram Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo. Esses indivíduos realmente mudaram o esporte, o futebol, e o esporte em geral, com a coragem de ser quem eles são, apesar de todas as críticas, todas as consequências que vêm com isso".
Torcida lota Casa Brasil
Na Casa Brasil, em Milão, a torcida lotou o espaço para acompanhar a competição. O local, montado pelo COB, tinha entrada gratuita e registrou filas durante a prova de Lucas Pinheiro. Na expectativa pelo resultado, o público cantava e gritava o nome do atleta, animado por Claudinei Quirino, ex-velocista brasileiro e medalhista nos Jogos de Sydney, em 2000.
"Brasileiro tem torcida em qualquer lugar e aqui você sentia o calor humano. Muitas pessoas não conhecem o Lucas, mas estavam torcendo pelo Brasil, e isso que é importante, se reunir aqui, dar risada. O Brasil é Brasil em qualquer lugar! Se tem brasileiro tem torcida!", afirmou Quirino à RFI.
A comemoração contou ainda com a distribuição de pão de queijo preparado pelo chef carioca estrelado Raphael Rego. Depois, a celebração da vitória de Lucas se transformou em festa em pleno sábado de Carnaval, com direito a muita música brasileira.
O torcedor Wellington Nascimento comemorou ao lado da família: "Estou muito feliz de ver esse ouro olímpico do Lucas. Ele com certeza vai abrir portas para vários brasileiros tentarem conquistar o ouro também".
Embaixador da Casa Brasil, o ex-nadador Bruno Fratus destacou à RFI o sucesso do espaço, frequentado não apenas por brasileiros, mas também por estrangeiros ao longo dos Jogos.
"É a primeira vez que [a Casa Brasil] vem pros Jogos de Inverno e não poderia ter sido melhor coroada do que com essa experiência de assistir o ouro do Lucas hoje. Traz o espírito brasileiro mesmo pra um lugar frio, como o inverno de Milão", afirmou.
Líder do início ao fim
No slalom gigante, os esquiadores descem a pista em alta velocidade, contornando uma série de portas, em uma prova que exige equilíbrio entre técnica, precisão e velocidade. Lucas liderou a competição já na primeira descida.
Foi o primeiro entre os 81 atletas a esquiar e aproveitou as condições ideais, com a pista ainda limpa. Registrou o tempo de 1min13s92, que não foi superado por nenhum adversário.
Na segunda descida, conforme determinam as regras, largou em trigésimo lugar. E confirmou a vitória. Na soma das duas baterias, fechou com o tempo total de 2min55s00, terminando com 58 centésimos de segundo à frente do segundo colocado, o suíço Marco Odermatt.
Antes da prova, o atleta havia descrito a pista de Bormio como mais fácil em comparação às que costuma enfrentar ao longo da temporada. Ainda assim, destacou que o principal desafio seria conseguir imprimir velocidade durante todo o percurso.
Lucas volta a competir na segunda-feira (16), desta vez no slalom - modalidade semelhante, porém com curvas mais estreitas e bastões que marcam o percurso no lugar das portas.
Outro brasileiro que competiu no slalom gigante neste sábado foi Giovanni Ongaro. Nascido na Itália e filho de mãe brasileira, ele terminou a prova na 31ª colocação.
"É incrível para mim estar neste grande evento junto com toda a minha família, também italiana. É algo mágico, uma emoção indescritível. Fiquei muito feliz com o resultado. Queria ter feito o tempo da 30ª posição, mas estamos aqui com os melhores do mundo", comemorou Ongaro.