Sauber e Audi: o mais novo casal da F1 que já pode incomodar
Audi e Sauber anunciar sua parceria estratégica para a entrada oficial dos alemães na F1 em 2026. Mas tem questão que pode incomodar...
O segredo mais mal guardado dos últimos tempos da F1 veio à público nesta quarta (26): a Audi anunciou que “escolheu” a Sauber como equipe de fábrica e parceira estratégica no projeto da montadora entrar na categoria. Esta possibilidade vinha sendo conversada não de hoje e depois do anúncio de que a Alfa Romeo deixaria de ser patrocinadora da Sauber no fim de 2023, era uma questão de tempo.
De acordo com o comunicado emitido pela Audi, a parceria passa pela compra de participação da equipe, que tem duas unidades: a área de corridas e engenharia. Inclusive, a segunda parte é uma das principais da Europa e já foi utilizada pelos alemães anteriormente para desenvolvimento de seus carros no WEC e DTM.
Aparentemente, o desenho do funcionamento seria semelhante com o que era na época da BMW: a parte de corridas fica sediada em Hinwill (Suíça) e o desenvolvimento de motores seria feito na Alemanha, em Neuberg, onde cerca de 120 pessoas já trabalham no projeto F1.
Na semana passada, o responsável pelo projeto F1 da Audi, Adam Baker, em evento de imprensa na Espanha declarou que o trabalho vem sendo intenso e que espera vitórias em um período de 3 anos. Além de contar com um piloto alemão para a equipe.
Para a Sauber, seria mais um capítulo em seu relacionamento com as montadoras alemãs: seu primeiro carro foi baseado em um Volkswagen. Depois, na década de 80, se uniu com a Mercedes para dominar o Grupo C e depois comandar o projeto de entrada da marca na F1, o que aconteceu em 93. Em 94, após ter que bancar de forma inesperada a temporada do time por conta da falha de um patrocinador, o relacionamento acabou, com a Mercedes indo se bandear para a McLaren.
Posteriormente, em 2006, o time foi incorporado pela BMW e parecia que os dias de dureza tinham ido embora: os alemães gastaram bastante na estrutura de Hinwill e se pensava que poderia disputar títulos. Mas veio a crise econômica de 2008 e a marca saiu da F1 no fim de 2009, além de devolver o time ao fundador Peter Sauber e bancar a temporada de 2010...
A Sauber é um time que tem uma boa base técnica e instalações. Os atuais donos são os que salvaram o time da falência em 2015 e que vem fazendo uma reestruturação lenta nos últimos anos. Mesmo assim, fazem questão de dizer que passam longe do atual teto orçamentário. A associação com a Audi vem em boa hora.
Um dos motivos que podem deixar o processo um pouco mais lento é a questão do regime trabalhista suíço, que acaba por não atrair tantos profissionais por contas de situações fiscais. Mas o trabalho poderá ser feito com calma e preparar o caminho para 2026, quando um novo regulamento técnico entrará em vigor.
Aliás, esta é uma das perguntas que se faz: A Alfa Romeo vai embora em 2023. Em 2024 e 2025 o time volta a ser Sauber ou já assume a identidade Audi? E como a Ferrari fica nesta situação? afinal o time tem um contrato de fornecimento de motores, suspensões e parte do câmbio com os italianos. Como evitar que os alemães tenham acesso aos dados para usar como referência, ainda considerando que, por serem novos fornecedores, poderão gastar US$ 25 milhões a mais do que as atuais fornecedoras.
Preparem-se: poderemos ter choradeira pela Audi antes mesmo dela entrar oficialmente na pista. Aguardemos os próximos capítulos.