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Retrospectiva: 10 histórias para você se lembrar da F1 2022

Hegemonia e treta na Red Bull, Ferrari errando, Mercedes sofrendo, bastidores agitados, pole inusitada... O que lembrar da Fórmula 1 de 2022

2 jan 2023 - 18h45
(atualizado às 18h45)
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Max Verstappen, campeão da F1 2022
Max Verstappen, campeão da F1 2022
Foto: Red Bull Racing / Twitter

A temporada de 2022 da Fórmula 1 começou cercada de expectativas. Natural, afinal, a categoria vinha de um dos campeonatos mais empolgantes de todos os tempos, que aflorou uma grande rivalidade dentro do esporte, e, de quebra, traria a nova geração de carros, que prometiam ainda mais disputas em pista.

Mas, como diz a lenda, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Ao menos não por dois anos seguidos. Se 2021 foi de tirar o fôlego, 2022 nos deixou respirar um pouco. Culpa – ou mérito – da Red Bull, que entregou a Max Verstappen um carro dominante e que não parou de evoluir ao longo do ano. No fim das contas, o bicampeonato do holandês foi bastante tranquilo, em dificuldade inversamente proporcional ao primeiro título, resolvido na última volta da temporada e cercado de polêmica.

O campeonato do ano que se encerra foi muito mais do que um desfile de Verstappen e seu poderoso RB18, no entanto. Não faltaram momentos e fatos que poderão ser lembradas no futuro. E nós separamos 10 deles para que fique o registro histórico. 

Eis, então, 10 passagens memoráveis da Fórmula 1 em 2022.

As atuações de gala de Verstappen

Verstappen e RB18: dupla já histórica
Verstappen e RB18: dupla já histórica
Foto: F1 / Twitter

O campeonato começou dando pinta de ser uma briga particular bastante equilibrada entre Max Verstappen e Charles Leclerc, Red Bull e Ferrari. Em etapas alternadas, um tinha vantagem sobre o outro, um tinha problemas de confiabilidade e outro não. E vimos disputas interessantes no Barein e na Arábia. Mas não demorou para tudo começar a mudar.

Enquanto a Red Bull melhorava seu carro, o tornando mais rápido e confiável, a Ferrari parecia fazer o contrário, o que colocava pressão em seus pilotos e, em última instância, os fazia cometer mais erros do que se espera em uma briga por título. Depois do erro de Leclerc na França, o campeonato virou show de um homem só.

Verstappen emendou sete vitórias em oito corridas, chegou ao recorde de 15 vitórias em uma temporada e se sagrou bicampeão com quatro provas de antecipação. E o fez com estilo! Na Hungria, Verstappen venceu largando do 10º lugar. Na Bélgica, partindo do 14º posto. No Japão, em corrida encurtada pela forte chuva, abriu quase meio minuto sobre o resto em apenas 28 voltas.

Não há dúvidas de que o RB18 foi um ótimo carro. Mas também é justo dizer que, com Max Verstappen ao volante, passou a ser um carro excepcional!

Os erros da Ferrari e o fim da era Binotto

No geral, a Ferrari teve um ano de mais baixos que altos
No geral, a Ferrari teve um ano de mais baixos que altos
Foto: F1 / Twitter

A mais tradicional das equipes teve um início de ano dos mais promissores – desde a enorme felicidade na estética do F1-75 até as primeiras corridas da temporada, quando o carro se mostrou o mais competitivo da equipe em alguns anos. Parecia que, finalmente, a Ferrari sairia da fila. Mas não foi bem assim...

Uma sucessão de erros minou os resultados e a confiança do time, que viu uma liderança confortável de Leclerc na tabela de pontos evaporar e virar uma enorme desvantagem.

Estratégias erradas (como na Inglaterra e na Hungria, por exemplo), tomadas de decisão ruins (como em Mônaco e no Brasil), pit stops atrapalhados (como na Holanda) e quebras (Espanha, Azerbaijão e Áustria) foram a tônica da equipe no ano. Os pilotos também tiveram sua parcela de culpa, com Sainz (Austrália, Arábia, EUA) e Leclerc (França, Ímola) cometendo erros bobos e jogando fora pontos valiosos.

Com a cadeia interminável de problemas internos, a situação do chefe Mattia Binotto ficou insustentável. Ao final da temporada, ele acabou desligado do comando do time para ceder lugar a Fredric Vasseur, vindo da Alfa Romeo.

O calvário da Mercedes

A Mercedes teve um começo de ano difícil
A Mercedes teve um começo de ano difícil
Foto: Petronas Motorsports / Twitter

Se a Red Bull terminou 2021 bem e deu um passo acima para 2022, a Mercedes fez o contrário. A equipe campeã entre os construtores na temporada anterior andou para trás com seu novo carro. O time apostou em um conceito ousado para o W13, que se provou uma má escolha.

Para reverter o cenário, a equipe lançou mão da experiência de Lewis Hamilton para “salvar” o carro, mas, de certa forma, sacrificou as chances do heptacampeão ao utilizá-lo como cobaia de testes de peças e acertos. Hamilton virou presa fácil no começo do ano, chegando a ser ultrapassado sem dificuldades pela Haas na Arábia e passando pelo constrangimento de tomar uma volta de seu rival Verstappen em Ímola.

Pouco a pouco, o trabalho de formiguinha foi mostrando resultado e a equipe foi se reerguendo. Hamilton terminou o ano com nove pódios e George Russell com oito. Russell ainda conquistou uma pole e uma vitória – com direito a dobradinha.

A Mercedes, que começou o ano próxima de Alpine e Alfa Romeo, terminou na mesma turma de Red Bull e Ferrari. Hamilton parou de tomar volta de Verstappen e voltou a bater rodas com o holandês - como em 2021. Para a Mercedes (e para a F1), um bom sinal para 2023.

A aposentadoria de Vettel

Vettel deu adeus à F1 em 2022
Vettel deu adeus à F1 em 2022
Foto: F1 / Twitter

Um dos grandes personagens da última década se despediu das pistas. Aos 35 anos, Sebastian Vettel, tetracampeão mundial, tomou a decisão de encerrar sua carreira. O anúncio veio ainda na metade do ano e deu a oportunidade do mundo da Fórmula 1 render diversas homenagens ao alemão nos mais diversos países visitados pela categoria no segundo semestre.

Vettel sai de cena como um gigante. Mais importante do que as 53 vitórias, 57 poles e 4 títulos, leva em sua bagagem o respeito unânime do paddock e a imagem (verdadeira) de um dos mais humanos e carismáticos pilotos dentre aqueles que habitam o panteão dos multicampeões. Figura única, que fará falta na categoria – ainda mais em um momento em que a FIA pensa em, a seu modo, censurar pilotos. Vettel não deixaria barato.

Mas, para Hamilton, Vettel ainda volta à F1 em futuro breve. Só o tempo confirmará se essa profecia se realizará...

Bastidores agitadíssimos

Bastidores renderam assunto em 2022
Bastidores renderam assunto em 2022
Foto: Mercedes / Twitter

Fora das pistas, uma das marcas de 2022 foi o mercado de pilotos bastante movimentado. Tudo começou nos testes de pré-temporada, com a Haas se vendo sem seu patrocinador principal e, por consequência, sem Nikita Mazepin. Depois de muita especulação, o escolhido foi um velho conhecido, Kevin Magnussen, sobre quem falaremos mais abaixo.

O já citado anúncio da aposentadoria de Vettel desencadeou um efeito cascata no mercado, que agitou as férias de verão europeias e os dias sem corrida dali até o fim da temporada.

Fernando Alonso rapidamente foi anunciado como substituto de Vettel na Aston Martin, pegando de surpresa a Alpine. Esta, por sua vez, não tardou em anunciar a promoção do prodígio Oscar Piastri, seu pupilo. Mas o próprio Piastri fez questão de vir à público desmentir a equipe e fazer as malas rumo à McLaren. Muito se especulou até que a equipe francesa batesse o martelo por Pierre Gasly, vindo a AlphaTauri – que surpreendeu ao tirar Nyck de Vries do mundo Mercedes.

Já a McLaren tinha um rol de pilotos para escolher. O pressionado Daniel Ricciardo disputou um assento para 2023 com Piastri, além de Alex Palou, Colton Herta e Pato O’Ward, todos da Fórmula Indy. No fim, Piastri foi o escolhido, e Ricciardo teve que abaixar a cabeça e voltar para a Red Bull como reserva.

Enquanto isso, Haas e Williams demoravam para definir os futuros de Mick Schumacher e Nicholas Latifi, respectivamente, o que abriu margem para uma chuva de boatos. Ambos acabaram dispensados, mas as equipes tomaram rumos diferentes em suas escolhas. Enquanto a Haas optou por um veterano, Nico Hulkenberg, a Williams foi para o lado oposto e buscou o jovem Logan Sargeant na F2. Schumacher acabou indo parar na Mercedes, como terceiro piloto.

Mesmo após o fim do campeonato, as mudanças seguiram, mas no comando das equipes. Como dito mais acima, a Ferrari demitiu Mattia Binotto e trouxe Fredric Vasseur, da Alfa Romeo. A Alfa, por sua vez, contratou Andreas Seidl, da McLaren, para ser seu novo CEO (não chefe de equipe, cargo ainda vago). Para seu lugar, a McLaren promoveu Andrea Stella. A Williams também anunciou a saída de Jost Capito, ainda sem substituto.

Entre as equipes, a constante tentativa da Andretti de entrar na categoria, história que já vinha rolando desde 2021, continuava a fazer barulho. Já estamos abrindo as portas de 2023 e essa história segue dando o que falar, ainda longe de uma conclusão.

A pole de Magnussen

Kevin Magnussen e o "troféu" pela pole position em Interlagos.
Kevin Magnussen e o "troféu" pela pole position em Interlagos.
Foto: Haas F1 / Twitter

Já que citamos Kevin Magnussen e a Haas, um episódio que não pode passar batido foi a improvável pole do dinamarquês em Interlagos. Em uma classificação realizada naquele clima de chove-não chove típico da zona sul paulistana, Magnussen passou do Q1, do Q2 e conseguiu encontrar o timing perfeito no Q3.

Com as nuvens carregadas voltando, ele posicionou seu carro como o primeiro da fila quando foi dada bandeira verde para a última parte da sessão e foi o primeiro a fazer volta rápida, ainda com a pista mais seca do que úmida. A chuva chegou enquanto os carros que vinham atrás ainda completavam suas voltas, e ninguém conseguiu superá-lo. Ainda houve uma bandeira vermelha provocada por George Russell, e uma nova bandeira verde, mas a água impedia que os tempos de volta caíssem.

Pole completamente improvável e que fechou com chave de ouro a temporada de redenção da Haas e do próprio Magnussen, que voltou à equipe às pressas antes do começo do campeonato depois de ter sido demitido do time em 2020. Na corrida sprint, com pista seca, Magnussen foi presa fácil para os carros mais velozes. Na principal, acabou tirado da prova logo na primeira volta por erro de Ricciardo.

Mas a história da classificação já estava escrita e não poderia ser mudada.

As primeiras vitórias de Sainz e Russell

Sainz e Russell, os mais recentes vencedores da F1
Sainz e Russell, os mais recentes vencedores da F1
Foto: Ferrari e Mercedes / Divulgação

O ano de 2022 será lembrado para sempre por Carlos Sainz e George Russell. Na primeira temporada em que tiveram em mãos carros vencedores, ambos conseguiram se valer disso para chegar ao lugar mais alto do pódio, uma vez cada.

A Ferrari começou o ano bem, mas Sainz demorou um pouco para se encontrar com o carro, com erros bobos na Austrália e em Ímola. Aos poucos, o espanhol foi se entendendo, conseguiu resultados melhores e flertou com a vitória em Mônaco e no Canadá. A consagração veio em Silverstone, naquela tida por muitos como a melhor corrida do campeonato. Depois, com a ascensão da Red Bull e de Mercedes na segunda metade do ano, Sainz não teve outras grandes chances de brigar por vitória.

Já a Mercedes viveu caminho inverso. Um começo de ano péssimo, um carro problemático que evoluiu aos poucos e que só foi verdadeiramente competitivo um punhado de vezes ao longo do ano. Russell soube se aproveitar da única vez em que a equipe era claramente o melhor carro em um fim de semana, em Interlagos, e venceu sua primeira corrida na F1, logo à frente de Lewis Hamilton.

O acidente de Zhou

O impressionante acidente de Guanyu Zhou, em Silverstone
O impressionante acidente de Guanyu Zhou, em Silverstone
Foto: F1 / Twitter

A temporada também será lembrada por um acidente dos mais impressionantes. Guanyu Zhou, da Alfa Romeo, viu o mundo de cabeça para baixo logo na largada do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone.

Um enrosco entre Russell e Gasly acabou por catapultar o carro de Zhou, que se arrastou com as rodas para cima até a brita, capotou e foi parar entre a proteção de pneus e a grade de proteção das arquibancadas. Felizmente, foi só o susto.

E isso se deve ao halo. Zhou foi mais um piloto salvo pelo dispositivo de segurança. Enquanto seu carro se arrastava pelo chão, o Santo-Antônio, peça que serve justamente para proteger a estrutura do carro em caso de capotamentos, se desintegrou. Não fosse pelo halo, o piloto chinês dificilmente escaparia de uma fatalidade. 

O dia em que Alonso decolou, bateu e ainda pontuou

Alonso viveu uma corrida maluca nos EUA
Alonso viveu uma corrida maluca nos EUA
Foto: F1 / Twitter

O interminável Fernando Alonso teve um bom ano em 2022. Ainda sem sinais de esgotamento, mesmo aos 41 anos de idade, o bicampeão entregou atuações seguras e mostrou bastante velocidade em classificação e ritmo de corrida, mas acabou tendo seu bom desempenho ofuscado na pontuação pelos problemas de confiabilidade apresentados pela Alpine.

A temporada de Alonso pode ser resumida em performance versus problemas. E nenhuma corrida poderia ser mais representativa para isso do que o GP dos EUA, quando o espanhol conseguiu um feito memorável.

Na ocasião, Alonso era 8º quando tentou passar Stroll e tomou uma fechada brusca do canadense. O Alpine de Fernando decolou e foi de lado para o muro, em batida minimizada por perícia do piloto. Ele foi para boxes com o carro danificado, fez uma longa parada e voltou em último. Pouco a pouco, foi ganhando terreno e cruzou a linha de chegada em um impressionante 7º lugar, mesmo com os danos no carro.

Após a corrida, Alonso foi punido em 30 segundos por seu carro ter perdido o retrovisor no meio da pista, após reclamação da Haas, e perdeu os pontos. Mas, três dias depois, a Alpine notou que a Haas entrou com o processo na FIA minutos após o fim do prazo para fazê-lo, e a punição de Alonso foi desconsiderada. Com isso, o espanhol manteve os pontos de sua épica corrida de superação.

A tensão entre os pilotos da Red Bull

Clima entre Verstappen e Perez ficou pesado na parte final da temporada
Clima entre Verstappen e Perez ficou pesado na parte final da temporada
Foto: Red Bull Racing / Twitter

2022 foi o melhor ano da história da Red Bull: título de construtores, recorde de vitórias e poles em uma só temporada. E a equipe quase teve, pela primeira vez, uma dobradinha no topo da tabela de pilotos. Quase. E esse “quase” acabou tendo um custo alto para a equipe em termos de ambiente.

Verstappen, campeoníssimo, corria um campeonato particular. Sergio Perez, no entanto, disputava ponto a ponto vice contra Charles Leclerc, em disputa que durou até a última etapa. Na penúltima, em Interlagos, a Red Bull não era páreo para a Mercedes e acabou longe da briga pela vitória. Verstappen se enroscou com Hamilton ainda no começo da prova e veio de trás, ganhando posições, enquanto Pérez, em estratégia diferente, vinha no ritmo das Ferrari.

Eis que, a poucas voltas do fim, Verstappen se aproveitou dos pneus mais novos e passou Perez. A equipe foi clara ao orientá-lo a devolver a posição caso ele não conseguisse progredir até a volta final. Depois de muito insistir para que Max saísse do caminho de Perez, ele ignorou a equipe e chegou à frente do mexicano, falando com o time que não faria jogo de equipe algum. Perez, por sua vez, ficou enfurecido e disse que “agora as pessoas estariam vendo quem Max era de verdade”.

A discussão descambou para as redes sociais e chegou a envolver as famílias dos pilotos. Acusações de que Perez teria batido de propósito na classificação de Mônaco começaram a pipocar. A Red Bull tentou colocar panos quentes em toda a situação, mas estava claro que não havia mais clima entre os colegas de garagem. Perez acabou a corrida final, em Abu Dhabi, atrás de Leclerc, e não conseguiu o vice. Os pontos de Interlagos não teriam feito diferença no fim das contas, mas a discórdia estava criada.

Verstappen e Perez continuarão como colegas em 2023, e, a julgar por uma entrevista recente, o bicampeão não parece interessado em fazer a política da boa vizinhança. A Perez, cabe ficar ligado e entregar o máximo possível (e mais um pouco). A equipe tem histórico de pouca paciência com seus pilotos – e agora há um australiano sorridente e bem conhecido por ali, só esperando uma chance para voltar aos holofotes...

Parabólica
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