Há 20 anos, Mika Hakkinen vencia pela última vez na F1
O bicampeão de F1 teve sua última vitória no GP dos EUA de 2001 e, ao final daquele ano, anunciou sua aposentadoria
Mika Hakkinen tornou-se um dos grandes pilotos da história da categoria, mesmo com uma série de revezes ao longo da carreira. O finlandês, após vencer o campeonato inglês de F3, estreou na categoria em 1991 pela Lotus, que estava em dificuldades financeiras e por muito pouco não fechou as portas.
Após um bom ano com o time em 1992, sendo considerado a revelação da temporada, Hakkinen tinha contrato para correr na Williams para o ano seguinte. Mas Peter Collins, dono e chefe da Lotus naquele momento, impediu a negociação por acreditar que o finlandês era um ativo muito bom para ser liberado.
Hakkinen procurou Ron Dennis, então chefão da McLaren, e conseguiu um contrato como terceiro piloto. Collins tentou impedir, mas a McLaren levou a melhor e levou. Hakkinen chegou a ser apresentado como titular diante da indefinição sobre a situação de Ayrton Senna, porém só assumiu o carro em Portugal, após a demissão de Michael Andretti, então piloto do carro 7. O finlandês em 3 provas mostrou um ótimo desempenho. Ao final do ano, o grande piloto da equipe, Ayrton Senna, foi para a Williams, e Hakkinen se tornou o primeiro piloto da McLaren em 1994.
Hakkinen enfrentou épocas de vacas magras na equipe durante anos. Para completar, sofreu um grave acidente nos treinos do GP da Austrália de 1995, correndo risco de vida e colocando em xeque sua capacidade de pilotagem. Em 1996, David Coulthard chegou ao time, com a dupla se manteve inalterada até 2001. Em 1998, com a chegada do projetista Adrian Newey e da fornecedora de pneus Bridgestone, veio o primeiro título de Hakkinen, batendo Michael Schumacher da Ferrari.
Em 1999, a McLaren e os pilotos cometeram muitos erros, mesmo com Michael Schumacher fora por boa parte da temporada graças a um acidente no GP da Grã-Bretanha. O campeonato só foi decidido na última etapa, no Japão, com mais um título para Hakkinen. Com isso, acabou se tornando um dos três pilotos que passaram pelo time e ganharam mais de um título, junto com Senna e Prost.
Em 2000, Hakkinen disputou novamente o título contra Michael Schumacher mas,dessa vez, acabou perdendo. Em 2001, se esperava uma nova batalha entre os dois, porém dois fatos atrapalharam: a proibição do berílio, material usado nos motores da Mercedes, que era a fornecedora do time e o próprio desempenho pífio de Hakkinen, que estava pensando em tirar um ano sabático em 2002. Um dos motivos era o nascimento de seu filho, no final de 2000.
Junte-se a isso azares épicos, como o motor estourar enquanto liderava o GP da Espanha, na última volta. Mesmo assim, ainda venceu o GP da Grã-Bretanha e o GP dos Estados Unidos.
O GP dos Estados Unidos foi o penúltimo da temporada 2001. A F1 chegou ao circuito de Indianápolis com Schumacher campeão, mas com uma briga grande pelo segundo lugar, que estava entre David Coulthard, da McLaren, e Rubens Barrichello, da Ferrari. Hakkinen estava apenas em sexto no campeonato.
Na qualificação, Michael Schumacher fez a pole, seguido por Ralf Schumacher e Juan Pablo Montoya, da Williams. Mika Hakkinen foi o quarto, seguido por Barrichello, Coulthard foi apenas o sétimo. Vale lembrar que na época existia o reabastecimento e que os pilotos poderiam escolher a quantidade de combustível para largar.
Na largada, Barrichello, que estava mais leve e iria para duas paradas, passou Mika e Ralf. Com isso, o finlandês caiu para quinto e estava com muito combustível. Na volta 2, Rubens passou por Montoya, e assumiu a liderança na volta 4, após a Ferrari ordenar a troca de posição entre ele e Michael Schumacher. O alemão ficou de escudeiro para segurar as Williams e ajudar o brasileiro, já que ele teria uma parada a mais para fazer. Porém, é preciso ficar claro que esta foi uma das melhores corridas do alemão .
Na volta 28, Barrichello parou e Michael ficou na pista, segurando Montoya. Mas perdeu a posição na volta 34 e ainda sim o colombiano parou na volta 36. A esta altura, Ralf Schumacher já havia abandonado após uma rodada e Hakkinen já era segundo colocado. Reassumiu a liderança assim que Michael Schumacher parou, na volta 39. Logo em seguida, Montoya acabou abandonando por problemas hidráulicos.
A briga pela vitória parecia aberta entre Barrichello e Hakkinen. Na volta 46, o finlandês parou e Barrichello voltou a assumir a liderança. Na volta 50, foi a vez do brasileiro parar e deixar a liderança novamente com Hakkinen. Barrichello saiu dos boxes com aproximadamente 7 segundos de desvantagem e precisava tirar essa vantagem. Na volta 61, a diferença já estava 2s239. Porém, ela começou a aumentar lentamente, enquanto Michael Schumacher estava a 10 segundos da briga e Coulthard vinha logo atrás.
Na volta 68, o carro de Barrichello começou a mostrar problemas no motor e seu desempenho foi caindo. Hakkinen pode enfim respirar aliviado e a vitória já estava garantida. O brasileiro acabou abandonando a duas voltas do fim, depois de ser ultrapassado por Michael Schumacher e Coulthard, que completaram o pódio.
Hakkinen correu ainda o último GP da temporada, no Japão, e acabou chegando em quarto. Acabando o campeonato em quinto. Kimi Raikkonen assumiu sua vaga na McLaren. Em 2002, anunciou oficialmente sua aposentadoria da F1. Mika voltou a pilotar em 2005, quando foi para o DTM, a convite da Mercedes. Chegou a vencer corridas e correu por três temporadas. Testou pela McLaren novamente, em 2006, mas nunca mais voltou a pilotar em um GP oficialmente.