ANÁLISE-Defensores são os heróis da campanha do Brasil na Copa do Mundo
Neymar inevitavelmente conquistou as manchetes e os aplausos novamente após a vitória do Brasil por 2 x 0 sobre o México nesta segunda-feira na Copa do Mundo, mas os verdadeiros heróis da campanha brasileira estavam em outro lugar.
O histórico defensivo do Brasil sob comando de Tite tem sido notável, com somente seis gols tomados em 25 partidas, e este histórico continua pequeno na Rússia, onde a seleção levou somente um gol.
A partida nas oitavas de final contra o México foi outra aula prática de defesa da dupla de zaga Thiago Silva e Miranda, auxiliada pelos laterais Fagner e Filipe Luís e tendo uma camada extra de proteção com Casemiro no meio-campo.
Muitas equipes teriam sucumbido à pressão, conforme o México forçava ataques nos primeiros 20 minutos, como fez na famosa vitória por 1 x 0 sobre a Alemanha - mas o Brasil é mais duro.
Fortes, atléticos e inteligentes, os jogadores da defesa impediram o México de transformar seu domínio territorial em chances reais.
Cada vez que um mexicano tentava um ataque, havia uma defesa oportuna para impedi-lo; cada vez que entravam em uma posição boa para tentar um chute, havia um corpo no caminho para bloqueá-lo; e cada vez que a bola era cruzada para a área brasileira, havia ou pé ou uma cabeça para afastá-la.
Quando Hector Herrera recebeu a bola na beirada da marca do pênalti, no que parecia ser uma boa posição para chutar, ele foi imediatamente cercado por quatro defensores e seu chute foi impedido.
Uma das principais diferenças desde que Tite assumiu, há dois anos, tem sido o fato do Brasil tentar conquistar a bola sem faltas no meio-campo.
Sob seus antecessores, Dunga e Luiz Felipe Scolari, o Brasil adotou uma forma destrutiva de faltas táticas com objetivo de destruir as jogadas do rival.
Para Tite, em contrapartida, uma falta no meio-campo é uma chance desperdiçada de retomar a posse de bola e começar um novo ataque.
Após sua equipe derrotar a Áustria por 3 x 0 em amistoso, Tite elogiou seus jogadores por cometerem somente oito faltas.
"Isto mostra que nós usamos marcação agressiva para tentar ganhar a bola e então sair jogando", disse.
Nesta segunda-feira, a seleção cometeu ainda menos - seis faltas.
O Brasil é normalmente visto como um time ofensivo, mas, na verdade, a seleção corre poucos riscos, normalmente estacionando três jogadores no meio-campo quando consegue um escanteio, e nesta segunda-feira permitiu que o México tivesse 53 por cento da posse de bola.
A seleção se mostrou ainda mais sólida agora que Filipe Luís, bem instruído nas artes da marcação sob comando de Diego Simeone no Atlético de Madri, substituiu na lateral-esquerda Marcelo, que sai mais para o ataque.
Houve muitos outros exemplos de proezas defensivas do Brasil para se admirar nesta segunda-feira, como um carrinho extremamente bem cronometrado de Fagner em Hirving Lozano no segundo tempo.
Até mesmo nos acréscimos, quando Lozano recebeu a bola em posição perigosa na área, ele foi imediatamente cercado por quatro defensores. Simplesmente não havia maneira de a seleção brasileira deixar o México passar.
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