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Viridis avança em financiamento para projeto de terras raras em MG e prevê acordo com Solvay

3 set 2026 - 17h13
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Resumo
A mineradora australiana Viridis avançou no financiamento de US$ 314 milhões para o projeto de terras raras Colossus, em Poços de Caldas (MG), e prevê fechar um acordo de venda e parceria tecnológica com a belga Solvay até o fim do mês. Com investimento total de US$ 449 milhões, capital próprio já assegurado e operação prevista para 2028, a empresa dialoga com o BNDES e bancos internacionais para definir propostas em outubro, iniciando desde já a encomenda de equipamentos essenciais para a planta.

A mineradora australiana Viridis Mining and Minerals ‌já conta com apoio preliminar de financiadores para praticamente toda a dívida de US$314 milhões necessária para desenvolver seu projeto de terras raras Colossus, em Poços de Caldas (MG), e espera começar a receber propostas finais de bancos até o início de outubro, disse o presidente da companhia, Rafael Moreno.

Além disso, a companhia prevê anunciar até o fim deste mês um acordo definitivo de venda de produção ("offtake") e parceria tecnológica com a química belga ⁠Solvay, afirmou o executivo em entrevista à Reuters por videoconferência.

A Viridis integra a nascente indústria de terras raras no ‌Brasil, diante da demanda crescente por esse grupo de minerais essenciais -- usados na produção de ímãs permanentes destinados a componentes de veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.

Na semana passada, a mineradora australiana St George Mining ‌assinou protocolo de intenções com o grupo brasileiro Lima & Pergher para ‌centro de processamento de terras raras em Uberlândia (MG), com investimento estimado em R$2 bilhões.

Já a Viridis ⁠concluiu em agosto o estudo definitivo de viabilidade (DFS, na sigla em inglês) do projeto Colossus, que estimou investimentos de US$449 milhões, sendo US$135 milhões de capital próprio, e entrada em operação comercial em 2028, com capacidade para produzir 2.967 toneladas por ano de óxidos magnéticos de terras raras (MREO). 

"Agora que o DFS foi concluído, entregamos o modelo financeiro aos bancos. Eles estão fazendo suas próprias análises e, no final de setembro ou início de outubro, ‌esperamos começar a receber as propostas finais", afirmou Moreno.

Segundo ele, entre os potenciais financiadores está o Banco Nacional de ‌Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com quem ⁠a companhia mantém discussões consideradas "muito ⁠positivas". A empresa também mantém conversas com agências de crédito à exportação e instituições financeiras internacionais.

A Viridis anunciou no mês passado a ⁠captação de recursos junto a investidores, incluindo brasileiros, em uma ‌operação que, segundo o executivo, garantiu ‌à companhia os montantes próprios necessários para levar adiante o projeto.

"Ficamos felizes em voltar ao Brasil para captar recursos e atrair mais investidores brasileiros... E a parte mais empolgante é que agora temos o capital próprio necessário para entregar o projeto", afirmou.

Com os recursos próprios levantados e a conclusão do estudo ⁠de viabilidade, a companhia pretende iniciar imediatamente a contratação de equipamentos para a futura operação comercial. A expectativa é anunciar os primeiros pedidos nos próximos dias, afirmou.

"Isso é animador, não apenas para nós, mas também para nossos investidores brasileiros. Agora podemos começar a encomendar os equipamentos..., alguns dos nossos equipamentos levam 15 meses para serem fabricados", afirmou.

PARCERIA ESTRATÉGICA

Moreno também disse que a Viridis espera ‌concluir até o fim deste mês as negociações com a Solvay, inicialmente focadas em um acordo de compra da produção futura do projeto, mas que evoluíram para incluir uma parceria tecnológica.

Segundo o executivo, a empresa ⁠belga deverá atuar como parceira da Viridis em etapas de separação e extração por solventes, tecnologias consideradas essenciais para o processamento de terras raras e atualmente dominadas por poucos grupos fora da China.

"A relação não será apenas um 'offtake', eles também estão se tornando nosso parceiro técnico", afirmou.

Segundo ele, representantes da União Europeia que visitaram recentemente as instalações da companhia no Brasil ficaram impressionados com o estágio de desenvolvimento do projeto e suas credenciais ambientais.

Questionado sobre o que achou da aprovação pelo Congresso brasileiro da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos na véspera, Moreno afirmou que a iniciativa está alinhada à estratégia já adotada pela empresa de promover maior agregação de valor à produção dentro do país, e disse que a nova legislação não altera os planos da companhia.

"O governo brasileiro sabe que hoje não existe uma indústria de terras raras no Brasil", afirmou. "Isso não afeta o que estamos fazendo no Colossus, estamos construindo um projeto, produzindo um produto, vendendo-o e contratando milhares de pessoas. Para nós, é vida normal."

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