iFood denuncia Keeta por práticas predatórias e concorrência desleal
A empresa brasileira diz que a concorrência chinesa opera com prejuízo para conquistar mais consumidores em território nacional
O iFood protocolou uma representação contra a Keeta no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pede a abertura de uma ação administrativa contra a empresa chinesa por supostas práticas predatórias e concorrência desleal.
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A plataforma brasileira diz que a Meituan, empresa de tecnologia chinesa que controla a Keeta, opera no Brasil com resultado negativo para conquistar mais consumidores no país e prejudicar os concorrentes.
Segundo a ação do iFood, a Keeta estaria tendo prejuízo no país ao adotar práticas como oferecer cupons de até R$ 250 e descontos de 80%.
A empresa de delivery se sustentaria dessa forma com a verba da matriz na China enquanto ganha território no Brasil. O iFood argumenta que esse tipo de operação é prejudicial ao país, pois pode levar à queda de faturamento de restaurantes e entregadores após esse modo de funcionamento ser suspenso, pois isso geraria uma diminuição de pedidos.
Por conta disso, a empresa brasileira pede ao Cade a instauração de um processo administrativo que leve à adoção de medida preventiva para interromper as práticas de precificação abaixo do custo e à liberação de dados de custos e precificação da Keeta para um monitoramento independente.
"É uma pena que tenhamos que desviar recursos que poderiam ser empregados para o setor evoluir, para fazer frente a uma guerra de subsídios que não se sustenta pelo mérito, pela melhor tecnologia, pelo melhor serviço ou pela melhor experiência para quem usa a plataforma", afirma Lucas Pittioni, vice-presidente jurídico do iFood, sobre a representação contra a Keeta.
Procurada pelo Terra, a Keeta declarou que a ação do iFood é uma "estratégia monopolista para tentar desviar a atenção das autoridades da investigação à qual foram alvo, descumprindo o acordo que assinaram com o CADE em relação às exclusividades que prejudicam gravemente o mercado."
"A Meituan conta com a melhor tecnologia e expertise construídas ao longo de mais de 15 anos de liderança no mercado de delivery de comida na China, que estamos trazendo para o Brasil para o benefício de consumidores, restaurantes e entregadores parceiros. A Keeta lançou operações no país há menos de 1 ano, em outubro de 2025, quando iniciamos nosso piloto em Santos e São Vicente, e o iFood, que detem o monopólio do mercado, está presente em milhares de cidades, claramente parece com medo da livre concorrência.", diz a nota.
A empresa chinesa disse que o mercado de delivery é marcado por cláusulas de exclusividade de restaurantes com a concorrência, por isso usa cupons "para incentivar a experimentação inicial". "Nosso foco é conquistar e reter consumidores por meio da qualidade, confiabilidade e experiência oferecidas pela plataforma. Também garantimos a participação opcional em campanhas, dando a cada restaurante total controle sobre como e quando participar. O uso de cupons é uma prática comum do mercado e é utilizada por todos os players, incluindo o próprio iFood, que inclusive os vende por meio do Clube iFood."
"O setor precisa urgentemente de decisões que promovam um mercado aberto para o benefício de todo o ecossistema, possibilitando o crescimento sustentável, criando mais oportunidades para restaurantes e parceiros de entrega, preservando a escolha do consumidor e acelerando a inovação. A Keeta ainda não foi notificada sobre esta ação e está disposta a fornecer todas as informações necessárias às autoridades antitruste para construir um mercado aberto e justo no Brasil", conclui a nota enviada à reportagem.
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