Irmãos revolucionam mercado de delivery, faturam R$ 220 mi e criam superapp para competir com iFood
Henrique e Guilherme Lemos, do Grupo Rão, apostam em tecnologia própria para competir com grandes plataformas de delivery
Há pouco mais de uma década, dois irmãos começaram um negócio improvisado que hoje desafia diretamente os gigantes do delivery no Brasil. Henrique e Guilherme Lemos transformaram o que era um pequeno ponto de comida japonesa na zona Sul do Rio de Janeiro, em um grupo com faturamento de R$ 220 milhões e mais de 200 unidades no Brasil e em Portugal. Agora, o próximo passo é ainda mais ambicioso: criar um superapp para competir com plataformas como o iFood e Rappi.
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Essa é a história do Grupo Rão, que começou de forma quase acidental, em um espaço simples e sem estrutura, que funcionava mais como uma operação de sobrevivência do que como uma empresa organizada no bairro do Leblon. Foi ali, em 2008, que Henrique Lemos teve o primeiro contato com um pequeno delivery japonês que, apesar das limitações, já mostrava potencial de crescimento. O ambiente era precário, mas havia demanda e um modelo que funcionava.
Antes disso, a trajetória de Henrique não indicava um caminho no empreendedorismo. Ele havia tentado a carreira no futebol profissional e, após desistir do esporte, passou por diferentes experiências, incluindo trabalho na autoescola da família e incertezas sobre o futuro. A virada aconteceu quando decidiu apostar praticamente tudo no pequeno negócio que encontrou. “Era um local curioso, parecia uma caverna, faltava muita estrutura”, relembra Henrique, sobre o início da operação.
O crescimento foi rápido e surpreendente. Em poucos meses, o faturamento saltou para cerca de R$ 80 mil mensais e, pouco depois, já alcançava a marca de R$ 700 mil em uma nova estrutura. “Com o tempo, percebemos que nosso verdadeiro know-how não era só a culinária, mas vender e entregar bem”, explica Henrique, ao refletir sobre a evolução do negócio.
A entrada de Guilherme Lemos no negócio consolidou a fase de expansão. Vindo do mercado financeiro, ele decidiu investir e abrir a primeira franquia em 2014, ajudando a transformar a operação em rede. “O começo foi o mais desafiador. Eu precisei conquistar a confiança de quem já estava na operação e me provar como empresário”, afirma Guilherme, que é CEO do Grupo Rão.
Com o tempo, o grupo deixou de ser apenas uma marca de comida japonesa. A criação da Pizza do Rão marcou o início da diversificação, seguida por outras marcas como Najah Rão e China Rão, formando um portfólio multiculinário e dando origem ao que hoje é o Grupo Rão.
Esse crescimento, no entanto, veio acompanhado de uma visão clara sobre o mercado: a necessidade de independência em relação às grandes plataformas de entrega. “A gente entendeu muito cedo que o tempo de entrega era decisivo”, explica Guilherme. “Estruturamos toda a operação pensando nisso, desde o layout das lojas até os processos internos", acrescenta.
A empresa também apostou cedo em inovação digital. “Começamos a vender pelo Facebook quando isso ainda era pouco explorado. A gente literalmente cronometrava o tempo de entrega e buscava melhorar continuamente. Essa mentalidade de execução rápida e disposição de inovar ajudou a gente a se destacar, diz ele.
Agora, o grupo dá um novo passo estratégico. A virada mais recente é o investimento no Mundo Rão, um superapp próprio que busca centralizar pedidos, criar um marketplace interno e desenvolver um ecossistema completo de relacionamento com o consumidor.
“Sempre vimos o risco de depender de um único canal. Construir nosso próprio ecossistema foi uma decisão estratégica para garantir autonomia no longo prazo”, afirma Guilherme.
Ele reforça que a estratégia não é abandonar os grandes apps, mas operar de forma híbrida. “Hoje estamos presentes em diversas plataformas, mas com uma estratégia omnichannel bem estruturada, que nos dá mais autonomia.” E completa: “O futuro não pertence a um único modelo. Vai vencer quem tiver capacidade de adaptação e conseguir operar bem em múltiplos canais.”
Para o CEO, o objetivo final é maior do que expansão geográfica. “Nossa ideia sempre foi criar o ‘Mundo Rão’. Um ecossistema onde conseguimos atender o cliente em diferentes momentos e necessidades.” E resume a ambição do grupo: “Não se trata só de vender comida, mas de construir uma plataforma completa de relacionamento com o consumidor.”
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